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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg105184
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Endocrinologista
Paciente com insuficiência adrenal primária em uso de hidrocortisona 20 mg/dia e fludrocortisona 0,1 mg/dia. Desenvolve febre e pneumonia necessitando internação.O ajuste da corticoterapia para o caso é
  1. Amanter doses habituais.
  2. Bdobrar dose de hidrocortisona para 40 mg/dia.
  3. Chidrocortisona 50 mg EV 6/6h.
  4. Dmetilprednisolona 40 mg EV 12/12h.
  5. Edexametasona 4 mg EV 1x/dia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — hidrocortisona 50 mg EV 6/6h.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência adrenal primária: manejo do estresse agudo

Gabarito: letra C. Em paciente com insuficiência adrenal primária (doença de Addison) que desenvolve pneumonia com necessidade de internação, o ajuste da corticoterapia deve ser a hidrocortisona 50 mg EV 6/6h — esquema de estresse para doença aguda grave, conforme as diretrizes de manejo da crise adrenal. A hidrocortisona em dose de estresse (200 mg/dia) é a conduta padrão, pois possui atividade glicocorticoide e mineralocorticoide suficiente, dispensando a fludrocortisona nesse contexto.

A insuficiência adrenal primária caracteriza-se pela destruição da glândula adrenal, com deficiência de glicocorticoides (cortisol) e mineralocorticoides (aldosterona). O tratamento de manutenção é feito com hidrocortisona (glicocorticoide) e fludrocortisona (mineralocorticoide). Porém, em situações de estresse agudo — como infecção, febre, cirurgia ou trauma — a necessidade de cortisol aumenta drasticamente, e o paciente não consegue elevar a produção endógena. Se a dose não for aumentada, pode evoluir para crise adrenal (crise addisoniana), condição potencialmente fatal com hipotensão, choque e distúrbios hidroeletrolíticos.

A regra prática é graduar a dose de estresse conforme a gravidade: para doença menor (febre > 38°C, náuseas, vômitos), dobra-se a dose oral de hidrocortisona pelo menor período possível; para doença moderada a grave com necessidade de internação, como a pneumonia, recomenda-se hidrocortisona parenteral em dose de estresse — tipicamente 50 mg EV a cada 6 horas (total de 200 mg/dia). Essa dose cobre a necessidade máxima de cortisol em situações de estresse maior, simulando a resposta fisiológica do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

A via parenteral é essencial porque, em doença aguda, a absorção oral pode estar comprometida e a necessidade é imediata. A hidrocortisona EV em dose de estresse também possui efeito mineralocorticoide suficiente, de modo que a fludrocortisona oral pode ser suspensa temporariamente durante o uso da hidrocortisona parenteral em altas doses — evitando excesso de mineralocorticoide (hipertensão, hipocalemia).

A pegadinha da questão está em distinguir o esquema de estresse para doença aguda grave (hidrocortisona 50 mg EV 6/6h) das outras opções: manter a dose habitual (errado, pois não cobre o estresse), dobrar a dose oral (insuficiente para doença grave com internação), usar metilprednisolona ou dexametasona (glicocorticoides sem atividade mineralocorticoide significativa, não ideais para reposição de estresse na insuficiência adrenal primária).

Guarde o esquema de doses de estresse: é exatamente nele que as alternativas se dividem — a correta é a que usa hidrocortisona parenteral em dose plena de estresse.

  1. 1Doença menor (febre, vômitos)Dobrar dose oral
  2. 2Doença grave com internação (pneumonia)Hidrocortisona 50 mg EV 6/6h
  3. 3Cirurgia de grande porte100 mg EV + 50 mg EV 8/8h
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Manter as doses habituais (hidrocortisona 20 mg/dia e fludrocortisona 0,1 mg/dia) não é suficiente para um paciente com pneumonia que necessita internação. O estresse agudo aumenta a demanda de cortisol, e a manutenção da dose basal não previne a crise adrenal. A conduta correta é aumentar a dose para esquema de estresse.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Dobrar a dose de hidrocortisona para 40 mg/dia (via oral presumida) é a conduta para doença menor (febre > 38°C, náuseas, vômitos), não para doença grave com internação. Em pneumonia que exige hospitalização, a recomendação é hidrocortisona parenteral em dose de estresse (50 mg EV 6/6h), não apenas dobrar a dose oral.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Hidrocortisona 50 mg EV 6/6h é o esquema de estresse para doença aguda grave em paciente com insuficiência adrenal. Totaliza 200 mg/dia, dose que cobre a necessidade máxima de cortisol em situações de estresse maior. A via parenteral garante absorção imediata, e a hidrocortisona em altas doses fornece atividade mineralocorticoide suficiente, dispensando a fludrocortisona nesse período.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Metilprednisolona 40 mg EV 12/12h não é o glicocorticoide de escolha para reposição de estresse na insuficiência adrenal primária. A metilprednisolona tem atividade mineralocorticoide desprezível, e a dose não corresponde ao esquema padrão de estresse (que é hidrocortisona 50 mg EV 6/6h). A hidrocortisona é preferida por sua atividade glicocorticoide e mineralocorticoide combinadas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dexametasona 4 mg EV 1x/dia não é adequada para reposição de estresse na insuficiência adrenal primária. A dexametasona não possui atividade mineralocorticoide, e a dose única diária não mimetiza o pico de cortisol necessário no estresse agudo. Além disso, a dexametasona interfere na dosagem de cortisol sérico, dificultando o monitoramento. O esquema correto é hidrocortisona parenteral em doses fracionadas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os diferentes níveis de estresse e as respectivas condutas. Para doença menor (febre, vômitos), dobra-se a dose oral; para doença grave com internação (pneumonia), usa-se hidrocortisona parenteral 50 mg EV 6/6h. O candidato que memoriza apenas "dobrar a dose" cai na alternativa B, mas ela é insuficiente para o caso de internação. Lembre-se: doença grave = via parenteral + dose de estresse plena.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma escala de estresse e a conduta correspondente: doença menor → dobrar dose oral; doença moderada/grave com internação → hidrocortisona 50 mg EV 6/6h (200 mg/dia); cirurgia de grande porte → 100 mg EV antes da indução + 50 mg EV 8/8h por 48-72h. A hidrocortisona é sempre a primeira escolha por ter atividade glicocorticoide e mineralocorticoide.

Gabarito: letra C

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