Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg105201
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Endocrinologista
Homem de 40 anos com acromegalia confirmada (IGF-1 elevado e GH não suprimido no TOTG) foi submetido a cirurgia transesfenoidal há 3 meses. IGF-1 atual: 390 ng/mL (VR: 120-280), GH basal: 2,8 ng/mL. RM mostra resíduo tumoral de 8 mm no seio cavernoso.A melhor opção terapêutica é
  1. Areoperação imediata.
  2. Blanreotide 120 mg SC mensal.
  3. Cpegvisomanto 10 mg SC diário.
  4. Dradioterapia convencional.
  5. Epasireotide 40 mg IM mensal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — lanreotide 120 mg SC mensal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acromegalia: tratamento após falha cirúrgica com tumor residual invasivo

Gabarito: letra B. Em paciente com acromegalia e doença persistente após cirurgia transesfenoidal, com resíduo tumoral invasivo no seio cavernoso, a melhor opção terapêutica é o análogo de somatostatina de primeira geração (lanreotida 120 mg SC mensal) — é o tratamento clínico de primeira linha nesse cenário, conforme as diretrizes de manejo da acromegalia. A cirurgia já foi realizada e não curou (IGF-1 elevado, GH basal 2,8 ng/mL), e a invasão do seio cavernoso torna a reoperação de alto risco e baixa chance de cura.

A acromegalia é uma doença rara, causada na grande maioria dos casos por um adenoma hipofisário secretor de GH. O diagnóstico é confirmado pela elevação do IGF-1 e pela não supressão do GH após sobrecarga oral de glicose (TOTG). O tratamento ideal envolve múltiplas modalidades, e a cirurgia transesfenoidal é a primeira escolha, com taxa de cura que depende diretamente do tamanho e da invasividade do tumor. Em macroadenomas não invasivos, a remoção cirúrgica normaliza GH e IGF-1 em 40 a 68% dos casos; porém, cerca de 40 a 60% dos tumores não são controlados apenas com cirurgia, justamente por invasão do seio cavernoso ou invasão intracapsular. Nesse cenário de doença persistente, as opções são: terapia clínica com análogos de somatostatina (primeira linha), agonistas dopaminérgicos, antagonista do receptor de GH (pegvisomanto), ou radioterapia para o tumor residual.

Os análogos de somatostatina de primeira geração (octreotida LAR e lanreotida Autogel) são a base do tratamento medicamentoso. Eles atuam nos receptores de somatostatina subtipo 2 (SST2), predominantes nos adenomas secretores de GH, reduzindo a secreção tumoral de GH. Normalizam IGF-1 em 40 a 65% dos pacientes e reduzem o volume tumoral em cerca de 50% dos casos. São indicados como primeira linha quando há baixa probabilidade de cura cirúrgica, após falha da cirurgia, ou como ponte enquanto se aguarda o efeito da radioterapia. No caso apresentado, o paciente tem resíduo tumoral de 8 mm no seio cavernoso — um tumor invasivo, de difícil abordagem cirúrgica — e doença bioquímica ativa. O lanreotide é, portanto, a escolha mais adequada e alinhada às diretrizes.

O pegvisomanto é um antagonista do receptor de GH, que bloqueia a ação periférica do GH, normalizando IGF-1 em até 97% dos pacientes. Porém, é indicado como segunda linha, para pacientes com elevação persistente do IGF-1 mesmo com doses máximas de análogos de somatostatina, ou quando estes não são tolerados. Não é a primeira escolha após falha cirúrgica, especialmente quando há tumor residual visível, pois não atua diretamente no tumor. A pasireotida é um análogo de somatostatina de segunda geração, com afinidade pelos subtipos 1, 2, 3 e 5, mais potente para controle hormonal, mas também é reservada para casos de resistência aos análogos de primeira geração, e tem maior risco de hiperglicemia. A radioterapia é uma opção para tumor residual, mas tem efeito lento (leva anos para atingir o efeito máximo), não é a primeira escolha quando há opção clínica eficaz, e pode causar hipopituitarismo e outras complicações. A reoperação imediata é arriscada pela invasão do seio cavernoso, com baixa chance de cura e alto risco de lesão de estruturas vasculares e nervos cranianos.

A pegadinha central desta questão é a tentação de escolher o pegvisomanto por sua alta eficácia na normalização do IGF-1, ou a pasireotida por ser mais potente. No entanto, a diretriz de manejo da acromegalia estabelece que, após falha cirúrgica, o tratamento clínico de primeira linha é o análogo de somatostatina de primeira geração. O pegvisomanto e a pasireotida são opções de segunda linha, para casos de resistência ou intolerância aos análogos de primeira geração. A radioterapia fica para casos selecionados, geralmente após falha ou contraindicação das opções clínicas. A reoperação é reservada para casos de tumor ressecável e de baixo risco, o que não se aplica a um resíduo invasivo no seio cavernoso.

Guarde a hierarquia terapêutica: cirurgia (primeira linha) → análogo de somatostatina de primeira geração (primeira linha clínica) → pegvisomanto ou pasireotida (segunda linha) → radioterapia (terceira linha, para tumor residual). É exatamente essa sequência que separa as alternativas desta questão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reoperação imediata não é a melhor opção. O resíduo tumoral de 8 mm no seio cavernoso é de difícil acesso cirúrgico, com alto risco de lesão de carótida interna e nervos cranianos, e baixa chance de cura. A cirurgia transesfenoidal já foi realizada e não controlou a doença; uma nova abordagem nesse local é arriscada e não é a conduta de primeira linha. A indicação de reoperação seria para tumores ressecáveis e de baixo risco, o que não é o caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O lanreotide 120 mg SC mensal é um análogo de somatostatina de primeira geração, a primeira linha de tratamento clínico após falha cirúrgica em acromegalia. Ele atua nos receptores SST2, reduzindo a secreção de GH e IGF-1, e também pode reduzir o volume tumoral. No paciente com doença persistente e tumor residual invasivo, é a opção mais adequada e alinhada às diretrizes. A dose de 120 mg mensal é a dose padrão de lanreotida Autogel.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pegvisomanto 10 mg SC diário é um antagonista do receptor de GH, altamente eficaz na normalização do IGF-1 (até 97% dos casos). Porém, é indicado como segunda linha, para pacientes com elevação persistente do IGF-1 mesmo com doses máximas de análogos de somatostatina, ou quando estes não são tolerados. Não é a primeira escolha após falha cirúrgica, especialmente quando há tumor residual visível, pois não atua diretamente no tumor. Além disso, a dose inicial usual é de 10 mg/dia, mas a indicação é que está errada, não a dose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A radioterapia convencional é uma opção para tumor residual, mas tem efeito lento (pode levar anos para atingir o efeito máximo), não é a primeira escolha quando há opção clínica eficaz, e pode causar hipopituitarismo, lesão de nervo óptico e outras complicações. É reservada para casos de doença agressiva não controlada por outras modalidades, ou quando a cirurgia e o tratamento clínico não são opções. No caso, o lanreotida é a melhor opção inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A pasireotida 40 mg IM mensal é um análogo de somatostatina de segunda geração, com afinidade pelos subtipos 1, 2, 3 e 5, mais potente para controle hormonal que os análogos de primeira geração. Porém, é reservada para casos de resistência aos análogos de primeira geração, e tem maior risco de hiperglicemia (pode piorar o controle glicêmico, especialmente em pacientes com diabetes). Não é a primeira escolha após falha cirúrgica, quando ainda não se testou o análogo de primeira geração. A dose de 40 mg IM mensal é uma dose possível, mas a indicação é que está errada.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg105201