Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg105212
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
As gestantes com diabetes aumentam as chances de complicações fetais e neonatais.Estão entre essas complicações:
AAnemia fetal, oligodramnia e hiperglicemia neonatal.
BFraturas fetais, hipoglicemia e síndrome de Down.
CPolidramnia, síndrome de Turner e hiperglicemia neonatal.
DHipoglicemia neonatal e síndrome de Patau.
EPolicitemia, macrossomia e síndrome de regressão caudal.
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GabaritoE — Policitemia, macrossomia e síndrome de regressão caudal.
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Complicações fetais e neonatais do diabetes gestacional
Gabarito: letra E. As complicações fetais e neonatais clássicas do diabetes na gestação incluem policitemia, macrossomia e síndrome de regressão caudal — esta última uma malformação rara, mas fortemente associada ao diabetes materno descompensado. As demais alternativas misturam complicações reais com condições genéticas ou situações sem relação direta com o diabetes gestacional.
O diabetes na gestação — seja o diabetes mellitus gestacional (DMG) ou o diabetes pré-gestacional (tipo 1 ou tipo 2) — expõe o feto a um ambiente hiperglicêmico. A glicose atravessa livremente a placenta, enquanto a insulina materna não passa. O pâncreas fetal, então, responde com hiperinsulinismo, que é o grande mediador das complicações neonatais. Esse excesso de insulina fetal atua como hormônio de crescimento, estimulando a deposição de gordura e glicogênio — daí a macrossomia (peso ao nascer acima de 4.000 g ou acima do percentil 90 para a idade gestacional). A hiperinsulinemia também aumenta o consumo de oxigênio fetal, estimulando a eritropoiese e levando à policitemia (hematócrito elevado). Após o nascimento, com o corte do cordão, cessa o aporte de glicose materna, mas a insulina fetal ainda está elevada — resultando na hipoglicemia neonatal, a complicação metabólica mais frequente.
A síndrome de regressão caudal (ou agenesia sacrococcígea) é uma malformação congênita rara, caracterizada por desenvolvimento anormal da coluna lombossacra e do assoalho pélvico, com espectro variável de gravidade. Sua associação com o diabetes materno é bem estabelecida, especialmente em gestações com mau controle glicêmico no primeiro trimestre, período da organogênese. O risco é cerca de 200 a 400 vezes maior em filhos de mães diabéticas em comparação à população geral.
É importante distinguir as complicações fetais e neonatais do diabetes das complicações maternas e das malformações genéticas. As malformações congênitas associadas ao diabetes (como a regressão caudal, defeitos do tubo neural, cardiopatias congênitas) são decorrentes da teratogenicidade da hiperglicemia no período embrionário, e não de alterações cromossômicas. Por isso, síndromes genéticas como Down (trissomia do 21), Turner (monossomia do X) e Patau (trissomia do 13) não são complicações do diabetes materno — são condições cromossômicas com etiologia independente.
A pegadinha central desta questão é justamente essa: a banca mistura complicações reais do diabetes (macrossomia, policitemia, hipoglicemia neonatal) com condições genéticas (síndromes de Down, Turner, Patau) e com outras situações obstétricas que não são complicações típicas do diabetes (anemia fetal, oligodramnia, fraturas fetais). O candidato que conhece as complicações clássicas identifica rapidamente a alternativa E como a única composta integralmente por complicações verdadeiras.
Guarde o tripé das complicações neonatais do diabetes: hipoglicemia, policitemia e macrossomia — são as três mais cobradas em provas. E lembre que a síndrome de regressão caudal é a malformação mais característica (embora rara) do diabetes materno. É exatamente esse conhecimento que separa as alternativas.
Complicações fetais/neonatais do diabetes gestacional: Metabólicas (Hipoglicemia neonatal, Policitemia); Crescimento (Macrossomia); Malformações (teratogênese) (Síndrome de regressão caudal, Defeitos do tubo neural); Não são complicações (pegadinha) (Síndromes cromossômicas (Down, Turner, Patau), Anemia fetal, Oligodramnia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A anemia fetal não é complicação do diabetes gestacional — na verdade, o diabetes tende a causar policitemia (excesso de hemácias), não anemia. A oligodramnia (redução do líquido amniótico) também não é complicação típica; o diabetes costuma cursar com polidramnia (aumento do líquido), devido à poliúria fetal causada pela hiperglicemia. A hiperglicemia neonatal, por sua vez, não é complicação — o que ocorre é a hipoglicemia neonatal, pelo hiperinsulinismo fetal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Fraturas fetais podem ocorrer como consequência da distocia de ombro em recém-nascidos macrossômicos, mas não são uma complicação direta e característica do diabetes. A hipoglicemia neonatal é correta, mas a síndrome de Down é uma condição cromossômica (trissomia do 21), sem relação etiológica com o diabetes materno. A alternativa mistura uma complicação real com uma condição genética independente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A polidramnia é uma complicação correta do diabetes gestacional (pela poliúria fetal). Porém, a síndrome de Turner (monossomia do X) é uma condição cromossômica sem relação com o diabetes materno. A hiperglicemia neonatal, como visto, não é complicação — o correto é hipoglicemia neonatal. A alternativa contém dois erros conceituais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipoglicemia neonatal é uma complicação correta e clássica do diabetes gestacional. No entanto, a síndrome de Patau (trissomia do 13) é uma condição cromossômica grave, sem relação etiológica com o diabetes materno. A alternativa apresenta apenas uma complicação verdadeira, acompanhada de uma condição genética não associada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reúne três complicações fetais e neonatais clássicas do diabetes na gestação: policitemia (decorrente do hiperinsulinismo fetal que estimula a eritropoiese), macrossomia (crescimento fetal excessivo pelo efeito anabólico da insulina) e síndrome de regressão caudal (malformação congênita rara, mas fortemente associada ao diabetes materno descompensado, especialmente no primeiro trimestre). É a única alternativa composta integralmente por complicações verdadeiras do diabetes gestacional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre complicações metabólicas/estruturais do diabetes e síndromes genéticas. O candidato que associa "malformação" a "síndrome" pode ser tentado a marcar uma alternativa com Down, Turner ou Patau — mas essas são condições cromossômicas, não complicações do diabetes. A regressão caudal, embora rara, é a malformação típica do diabetes materno. Fique atento: complicações do diabetes são adquiridas (metabólicas, vasculares, de crescimento), não genéticas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de complicações do diabetes gestacional, memorize o tripé neonatal clássico: hipoglicemia, policitemia e macrossomia. E associe as malformações congênitas do diabetes à regressão caudal e aos defeitos do tubo neural — nunca a síndromes cromossômicas. Essa distinção resolve a maioria das questões sobre o tema.