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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg105213
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Gestante internada para indução do parto. Ao exame físico é encontrada lesão ativa de Herpes genital.Diante dessa situação, a melhor conduta é
  1. AUso de corticoide tópico.
  2. BOperação cesariana.
  3. CIndução do parto com ocitocina.
  4. DIndução do parto por amniotomia.
  5. ERessecção da lesão herpética.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Operação cesariana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Herpes genital na gestação: via de parto e conduta

Gabarito: letra B. Gestante com lesão ativa de herpes genital no momento da internação para indução do parto tem indicação de operação cesariana, pois a presença de lesão herpética ativa no canal de parto é o principal fator de risco para transmissão vertical do vírus ao recém-nascido, podendo causar herpes neonatal grave. Essa conduta é recomendada pelas principais diretrizes obstétricas, como as do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), que indicam cesariana quando há lesão ativa no trabalho de parto ou ruptura prematura de membranas.

O herpes genital é uma infecção viral causada pelo vírus herpes simples (HSV), geralmente do tipo 2, que se manifesta por lesões vesiculosas dolorosas na região genital. Na gestação, a principal preocupação é a transmissão vertical, que ocorre principalmente durante o parto vaginal, quando o feto entra em contato com as lesões ativas ou com o vírus eliminado no trato genital. O herpes neonatal é uma condição grave, com alta morbimortalidade, podendo causar encefalite, sepse e lesões cutâneas disseminadas.

A conduta obstétrica depende fundamentalmente da presença ou ausência de lesões ativas no momento do parto. Quando a gestante tem história de herpes, mas não apresenta lesões no momento do parto, o parto vaginal é permitido e estimulado, pois o risco de transmissão é baixo. Por outro lado, quando há lesão ativa no canal de parto, a cesariana está indicada para reduzir o risco de contato do feto com o vírus. Essa recomendação se aplica tanto para lesões primárias quanto para recorrências, desde que estejam ativas no momento do parto.

O tratamento supressivo com aciclovir a partir da 36ª semana de gestação é recomendado para mulheres com história de herpes recorrente, pois reduz a frequência de recorrências e a necessidade de cesariana. No entanto, mesmo com tratamento supressivo, se houver lesão ativa no momento do parto, a cesariana permanece indicada. A indução do parto, seja com ocitocina ou por amniotomia, não é contraindicada em si, mas não deve ser realizada na presença de lesão ativa, pois o parto vaginal nessa situação aumenta o risco de transmissão.

A decisão entre cesariana e parto vaginal deve ser individualizada, considerando o risco de prematuridade versus o risco de infecção fetal, especialmente em casos de ruptura prematura de membranas pré-termo. Nesses casos, o manejo conservador com aciclovir intravenoso e corticoide para maturidade pulmonar pode ser considerado, mas a cesariana é indicada quando há lesão ativa no momento do parto.

A pegadinha desta questão está em confundir a conduta para herpes genital com a conduta para outras infecções ou com o tratamento da lesão em si. O corticoide tópico (alternativa A) é usado em outras condições dermatológicas, mas não tem papel no tratamento do herpes genital. A ressecção da lesão (alternativa E) é um procedimento inadequado e perigoso, pois pode disseminar o vírus e não é uma conduta aceita. A indução do parto, seja com ocitocina (alternativa C) ou por amniotomia (alternativa D), não é a conduta correta na presença de lesão ativa, pois o parto vaginal deve ser evitado.

Guarde o critério decisivo: a presença de lesão herpética ativa no canal de parto é indicação de cesariana, independentemente de outras considerações. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.

Herpes genital na gestação
  • 1Lesão ativa no parto
    • Parto vaginal (risco de transmissão vertical)
    • Cesariana (conduta indicada)
  • 2Sem lesão ativa no parto
    • Parto vaginal permitido
    • Aciclovir supressivo (36ª semana)
  • 3Tratamento
    • Antivirais (aciclovir)
    • Corticoide tópico (sem papel)
    • Ressecção da lesão (inadequada)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O corticoide tópico não tem indicação no tratamento do herpes genital. Ele é utilizado em outras condições dermatológicas, como dermatites e eczemas, mas não possui atividade antiviral e não reduz o risco de transmissão vertical. O tratamento do herpes genital é feito com antivirais, como aciclovir, e a conduta obstétrica é definida pela via de parto, não pelo tratamento tópico da lesão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A operação cesariana é a conduta correta quando há lesão ativa de herpes genital no momento do parto. A presença de lesão ativa no canal de parto é a principal indicação de cesariana para prevenir a transmissão vertical do HSV ao recém-nascido. Essa recomendação é universal nas diretrizes obstétricas, incluindo as do ACOG, e visa reduzir o risco de herpes neonatal, uma condição grave e potencialmente fatal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A indução do parto com ocitocina não é a conduta correta na presença de lesão ativa de herpes genital. A ocitocina é utilizada para induzir ou acelerar o trabalho de parto, mas, na presença de lesão ativa, o parto vaginal deve ser evitado, pois aumenta o risco de transmissão vertical. A indução do parto só seria considerada em período livre de doença, ou seja, sem lesões ativas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A indução do parto por amniotomia, que consiste na ruptura artificial das membranas amnióticas, também não é a conduta correta na presença de lesão ativa. Assim como a ocitocina, a amniotomia visa acelerar o trabalho de parto, mas o parto vaginal está contraindicado nessa situação. A amniotomia poderia até aumentar o risco de contato do feto com o vírus, tornando a conduta ainda mais inadequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ressecção da lesão herpética é um procedimento totalmente inadequado e perigoso. A manipulação cirúrgica da lesão pode disseminar o vírus, aumentar o risco de infecção local e sistêmica, e não reduz o risco de transmissão vertical. O tratamento do herpes genital é clínico, com antivirais, e a conduta obstétrica é definida pela via de parto, não pela remoção da lesão.

A regra de ouro para levar para a prova: lesão herpética ativa no canal de parto = cesariana. Essa é a conduta que previne a transmissão vertical e o herpes neonatal, e é o que a banca espera que o candidato saiba.

Gabarito: letra B

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