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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg105218
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Uma gestante, assintomática, com 21 semanas realiza ultrassonografia transvaginal que evidencia colo uterino com comprimento de 18mm. Ela tem histórico de duas gestações prévias, ambas terminaram com trabalho de parto espontâneo com 29 semanas.É correto dizer sobre esse caso:
  1. ADeverá iniciar uso de ampicilina imediatamente.
  2. BDeverá interromper a gestação nesse momento.
  3. CO comprimento do colo não é um dado importante.
  4. DEstá contraindicado o uso de progesterona.
  5. EÉ considerado de alto risco para parto prematuro.
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GabaritoE — É considerado de alto risco para parto prematuro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Parto prematuro: rastreamento e fatores de risco

Gabarito: letra E. A gestante apresenta colo uterino curto (18 mm) com 21 semanas e histórico de dois partos prematuros espontâneos com 29 semanas — dois fatores de risco clássicos e independentes para parto prematuro espontâneo. A combinação de colo curto (≤ 25 mm) com antecedente de prematuridade coloca a paciente em alto risco, sendo a progesterona vaginal a conduta indicada para prevenção, e não contraindicada. As demais alternativas não se sustentam: não há indicação de ampicilina imediata (sem infecção), nem de interrupção da gestação, e o comprimento do colo é um dado prognóstico fundamental.

O parto prematuro é a principal causa de morbimortalidade neonatal no mundo, e sua prevenção passa pela identificação precoce das gestantes de risco. O comprimento do colo uterino medido por ultrassonografia transvaginal é um dos marcadores mais robustos: quanto menor o colo, maior o risco de parto antes de 37 semanas. Valores abaixo de 25 mm em gestação única são considerados encurtamento cervical, e abaixo de 20 mm o risco é ainda mais elevado. No caso, o colo de 18 mm já é bastante curto, e o antecedente de dois partos prematuros espontâneos reforça a suspeita de insuficiência cervical ou de predisposição à prematuridade.

A progesterona vaginal é a intervenção de escolha para prevenção de parto prematuro em gestantes com colo curto, especialmente naquelas com histórico de prematuridade espontânea. Estudos randomizados demonstraram redução significativa do risco de parto antes de 34 semanas com o uso de progesterona micronizada vaginal (200 mg/dia) ou de caproato de 17-hidroxiprogesterona (em outros contextos). A alternativa D, que afirma ser contraindicado o uso de progesterona, está exatamente invertida: ela é a conduta recomendada, não proibida.

A ampicilina (alternativa A) não tem papel na prevenção primária do parto prematuro em gestante assintomática sem evidência de infecção. O antibiótico é indicado em situações específicas, como profilaxia intraparto para estreptococo do grupo B (EGB) em gestantes colonizadas, ou tratamento de infecções urinárias. Não há, no caso, qualquer indicação de antibioticoterapia imediata. A alternativa B (interromper a gestação) é absurda do ponto de vista obstétrico: não há indicação de interrupção da gestação com 21 semanas em paciente assintomática, e a conduta é preventiva, não resolutiva. A alternativa C (o comprimento do colo não é importante) contraria toda a evidência: o colo curto é um dos principais preditores de parto prematuro.

A pegadinha desta questão está em confundir o papel da progesterona (que é preventiva e indicada) com uma contraindicação, e em associar a necessidade de antibiótico a qualquer situação de risco. A banca explora o raciocínio automático de que "risco de parto prematuro = internação + antibiótico", quando na verdade a conduta é ambulatorial, com progesterona e vigilância. Guarde o critério: colo curto + antecedente de prematuridade = alto risco → progesterona vaginal.

Fatores de risco para parto prematuro
  • 1Colo uterino curto (≤ 25 mm)
    • 18 mm → risco elevado
  • 2Antecedente de parto prematuro espontâneo
    • Dois episódios com 29 semanas
  • 3Combinação dos fatores
    • Alto risco
    • Progesterona vaginal indicada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Ampicilina imediata não está indicada. A profilaxia antibiótica intraparto com ampicilina é reservada para gestantes colonizadas por estreptococo do grupo B (EGB) ou com outros fatores de risco infeccioso, não para prevenção primária de parto prematuro em paciente assintomática. Não há evidência de infecção no caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Interromper a gestação com 21 semanas em paciente assintomática é conduta sem indicação médica. A prevenção do parto prematuro visa justamente manter a gestação até o termo, e não interrompê-la precocemente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O comprimento do colo é um dos dados mais importantes na avaliação de risco de parto prematuro. Colo ≤ 25 mm (aqui, 18 mm) é preditor independente de prematuridade, especialmente quando associado a histórico de parto prematuro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A progesterona vaginal é indicada (e não contraindicada) para prevenção de parto prematuro em gestantes com colo curto e/ou antecedente de prematuridade espontânea. A alternativa inverte a recomendação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente é de alto risco para parto prematuro por apresentar dois fatores de risco independentes: colo uterino curto (18 mm) e histórico de dois partos prematuros espontâneos. A combinação desses fatores eleva substancialmente a probabilidade de novo parto prematuro, justificando a classificação de alto risco e a instituição de medidas preventivas, como progesterona vaginal.

Gabarito: letra E

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