Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg105219
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Uma paciente com diagnóstico de hipertensão arterial pulmonar vai a consulta relatando que deseja engravidar.Sobre essa condição na gravidez podemos afirmar:
ANão há maiores riscos para a saúde da gestante.
BÉ aconselhável evitar a gestação pelos riscos de morte.
CEstá associada com insuficiência cardíaca esquerda.
DDeve ser evitado o uso de sildenafila.
Eo risco de morte diminui ao longo da gestação.
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GabaritoB — É aconselhável evitar a gestação pelos riscos de morte.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertensão arterial pulmonar e gestação: contraindicação e riscos
Gabarito: letra B. A hipertensão arterial pulmonar (HAP) é uma condição de alto risco na gestação, com mortalidade materna significativa, sendo aconselhável evitar a gestação pelos riscos de morte — conduta recomendada pelas principais diretrizes de cardiologia e obstetrícia. As demais alternativas distorcem a fisiopatologia ou o manejo da doença.
A hipertensão arterial pulmonar é uma doença progressiva caracterizada pelo aumento da resistência vascular pulmonar, levando à sobrecarga do ventrículo direito e, eventualmente, à falência ventricular direita. Durante a gestação, ocorrem adaptações cardiovasculares fisiológicas — aumento do volume plasmático, do débito cardíaco e da frequência cardíaca — que impõem uma sobrecarga adicional ao coração já comprometido. Essa combinação explica por que a gestação em mulheres com HAP está associada a altas taxas de morbimortalidade materna, com risco de morte que pode ultrapassar 30% em alguns estudos, especialmente em casos de HAP grave ou com disfunção ventricular direita.
A recomendação formal é de desaconselhar a gestação em mulheres com HAP, sobretudo nas formas moderadas a graves, e oferecer aconselhamento contraceptivo eficaz. Quando a gestação ocorre, o manejo deve ser multidisciplinar, em centro de referência, com acompanhamento próximo e uso de medicações específicas — como os análogos de prostaciclina e os inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafila), que são utilizados justamente para reduzir a resistência vascular pulmonar e melhorar o prognóstico. A sildenafila, portanto, não deve ser evitada; pelo contrário, é uma das opções terapêuticas na HAP, inclusive na gestação, quando indicada.
A HAP não está associada à insuficiência cardíaca esquerda — ela é uma doença do leito vascular pulmonar, que cursa com insuficiência ventricular direita. E o risco de morte não diminui ao longo da gestação; ao contrário, tende a aumentar com a progressão da sobrecarga hemodinâmica, sendo o puerpério imediato um período de particular vulnerabilidade.
A pegadinha da banca está em inverter o sentido da recomendação: a alternativa correta afirma que se deve evitar a gestação, enquanto as incorretas minimizam o risco ou invertem a fisiopatologia. Guarde o conceito central: HAP = contraindicação relativa/absoluta à gestação, com risco materno elevado — é esse o critério que separa a alternativa correta das demais.
HAP na gestação: Fisiopatologia (↑ resistência vascular pulmonar, Sobrecarga do ventrículo direito, Falência ventricular direita); Adaptações da gestação (↑ volume plasmático, ↑ débito cardíaco, ↑ frequência cardíaca); Conduta (Evitar gestação (alto risco de morte), Sildenafila (vasodilatador pulmonar), Manejo multidisciplinar); Evolução do risco (Aumenta com a gestação, Puerpério imediato: maior risco)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não há maiores riscos para a saúde da gestante. É o oposto da verdade: a HAP é uma das condições de maior risco materno na gestação, com mortalidade significativa. A banca explora a minimização do risco, que contraria todas as evidências e diretrizes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. A recomendação é evitar a gestação em mulheres com HAP, devido ao alto risco de morte materna. Essa é a orientação das principais diretrizes de cardiologia e obstetrícia, que classificam a HAP como condição de alto risco cardiovascular na gestação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a HAP está associada à insuficiência cardíaca esquerda. Há uma confusão fisiopatológica: a HAP é uma doença do leito vascular pulmonar que leva à insuficiência ventricular direita (cor pulmonale), não à insuficiência cardíaca esquerda. A insuficiência cardíaca esquerda pode, secundariamente, causar hipertensão pulmonar (HAP do grupo 2), mas a relação é inversa à descrita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que deve ser evitado o uso de sildenafila. É o contrário: a sildenafila é um inibidor da fosfodiesterase-5, utilizada no tratamento da HAP por promover vasodilatação pulmonar. Na gestação, quando indicada, pode ser mantida — não há recomendação de evitá-la. A banca troca o sentido da conduta terapêutica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o risco de morte diminui ao longo da gestação. É o oposto: o risco aumenta com a progressão da sobrecarga hemodinâmica, sendo o puerpério imediato o período de maior risco. A banca inverte a evolução natural do risco.