Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg105220
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Durante a consulta de pré-natal, uma gestante com 36 semanas coleta material para cultura vaginorretal que vem positiva para Streptococcus agalactiae. Ela tem histórico de alergia a penicilina, sendo considerada de alto risco para anafilaxia.Sobre a profilaxia durante o trabalho de parto nesse caso, é correto afirmar que
  1. Aestá indicado o uso de cefazolina.
  2. Bpode ser feita com ampicilina.
  3. Cpode usar clindamicina se for sensível.
  4. Dmeropenem é a primeira escolha.
  5. Enão está indicada profilaxia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pode usar clindamicina se for sensível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Profilaxia intraparto para Streptococcus agalactiae (EGB) em gestante alérgica à penicilina

Gabarito: letra C. Em gestante colonizada por Streptococcus agalactiae (estreptococo do grupo B) com alergia à penicilina de alto risco para anafilaxia, a profilaxia intraparto deve ser feita com clindamicina, desde que o isolado seja sensível — essa é a alternativa de escolha quando não se pode usar penicilina/ampicilina. A conduta segue as recomendações do CDC e do Ministério da Saúde, que orientam a profilaxia antibiótica intraparto para toda gestante com cultura vaginorretal positiva para EGB, independentemente da idade gestacional no momento do parto.

A colonização pelo estreptococo do grupo B é comum e geralmente assintomática, mas pode causar infecção neonatal precoce grave. Por isso, o rastreamento é feito entre 35 e 37 semanas de idade gestacional, com cultura vaginorretal. Quando o resultado é positivo, a profilaxia intraparto está indicada para reduzir a transmissão vertical — o esquema de primeira escolha é a ampicilina 2 g IV, seguida de 1 g IV de 4/4 ou 6/6 horas até o nascimento, ou penicilina G cristalina. Essa conduta demonstrou redução significativa da sepse neonatal precoce por EGB.

O problema surge quando a gestante tem alergia à penicilina. A conduta depende da gravidade da alergia: se for uma reação de alto risco para anafilaxia (como reação anafilática prévia, angioedema, broncoespasmo ou síndrome de Stevens-Johnson), não se deve usar cefalosporinas (como cefazolina), pois há risco de reatividade cruzada. Nesse cenário, a alternativa é a clindamicina 900 mg IV de 8/8 horas, mas apenas se o isolado for sensível à clindamicina — o que deve ser verificado no antibiograma. Se o isolado for resistente à clindamicina, a conduta é a vancomicina.

A pegadinha da questão está em trocar a clindamicina por cefazolina ou ampicilina, que são contraindicadas na alergia grave à penicilina, ou em sugerir meropenem, que não é a primeira escolha. A alternativa correta é a que condiciona o uso da clindamicina à sensibilidade do isolado, exatamente como preconizam os protocolos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre alergia à penicilina de baixo risco (em que se pode usar cefazolina) e a de alto risco para anafilaxia (em que a cefazolina é contraindicada). No caso descrito, o enunciado deixa explícito o alto risco, então a cefazolina (letra A) e a ampicilina (letra B) estão erradas. A clindamicina só é válida se o isolado for sensível — é essa condição que a letra C traz.

Profilaxia intraparto EGB
  • 1Rastreamento (35–37 sem)
    • Cultura vaginorretal
    • Positiva → indicada
  • 21ª escolha (sem alergia)
    • Ampicilina 2 g IV + 1 g 4/4–6/6h
    • Penicilina G cristalina
  • 3Alergia à penicilina
    • Baixo risco
      • Cefazolina
    • Alto risco (anafilaxia)
      • Cefalosporinas
      • Clindamicina se sensível
      • Vancomicina se resistente
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cefazolina é uma cefalosporina de primeira geração e não está indicada em gestante com alergia à penicilina de alto risco para anafilaxia, devido ao risco de reatividade cruzada. Ela seria uma opção apenas em casos de alergia de baixo risco, o que não é o caso do enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ampicilina é o esquema de primeira escolha para profilaxia intraparto do EGB, mas é um derivado da penicilina e está contraindicada em gestante com histórico de anafilaxia à penicilina. Usá-la nesse contexto poderia desencadear reação anafilática grave.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A clindamicina é a alternativa recomendada para profilaxia intraparto em gestantes com alergia à penicilina de alto risco, desde que o isolado de EGB seja sensível à clindamicina. Essa condição é essencial, pois há cepas resistentes — nesse caso, a opção seria a vancomicina. A alternativa espelha exatamente a recomendação dos protocolos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O meropenem é um carbapenêmico de amplo espectro, não é a primeira escolha para profilaxia do EGB. Seu uso seria reservado para situações específicas de resistência ou infecções graves, não para profilaxia intraparto de rotina.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A profilaxia está indicada — a gestante tem cultura vaginorretal positiva para EGB, e a profilaxia intraparto é recomendada para todas as gestantes colonizadas, independentemente da idade gestacional no parto, para prevenir a transmissão vertical e a sepse neonatal precoce.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg105220