Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg105228
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Uma paciente que está em investigação para infertilidade realiza histerossapingografia que evidencia fundo da cavidade uterina com contorno duplicado, havendo afastamento entre os cornos uterinos e os óstios tubários. Realiza ressonância nuclear magnética que confirma o achado da cavidade uterina e encontra o contorno externo do útero de aspecto normal.Esses achados nos exames de imagem são compatíveis com o diagnóstico de:
AÚtero normal.
BÚtero septado.
CÚtero didelfo.
DÚtero bicorno.
ECâncer endometrial.
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GabaritoB — Útero septado.
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Malformações uterinas: útero septado versus útero bicorno
Gabarito: letra B. O achado de cavidade uterina com contorno duplicado (fundo em "V" na histerossalpingografia) associado a contorno externo uterino normal na ressonância magnética é o padrão clássico do útero septado — a malformação em que há um septo fibromuscular dividindo a cavidade, mas sem alteração da morfologia externa do útero. O útero bicorno, por sua vez, apresenta também uma indentação no fundo externo (contorno externo anormal), o que o diferencia do septado.
As malformações müllerianas (ou anomalias dos ductos de Müller) resultam de falhas na embriogênese do trato genital feminino — os ductos de Müller normalmente se fundem e depois reabsorvem o septo central para formar uma cavidade única. Quando essa fusão ou reabsorção é incompleta, surgem as diversas anomalias uterinas. A classificação mais utilizada é a da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), que divide as malformações em classes conforme o tipo de defeito: agenesia/hipoplasia (Classe I), útero unicorno (Classe II), útero didelfo (Classe III), útero bicorno (Classe IV), útero septado (Classe V) e útero arqueado (Classe VI).
A histerossalpingografia (HSG) é um exame radiológico com contraste que avalia a cavidade uterina e a permeabilidade tubária. Nela, o útero septado aparece com uma imagem de "duplicação" da cavidade — o contraste preenche dois cornos separados por um septo radioluscente. Porém, a HSG não avalia o contorno externo do útero, e é exatamente aí que entra a ressonância magnética (RM): ela permite visualizar tanto a cavidade quanto a parede miometrial externa. No útero septado, o contorno externo é normal (liso, sem indentação), enquanto no útero bicorno há uma indentação externa no fundo uterino (o chamado "fundo em coração").
Na prática clínica, a distinção entre útero septado e bicorno é crucial porque o tratamento é diferente: o septado é corrigido por histeroscopia cirúrgica (ressecção do septo, procedimento minimamente invasivo), enquanto o bicorno geralmente não tem correção cirúrgica — é uma condição anatômica que, na maioria das vezes, não requer intervenção, apenas manejo obstétrico. O útero septado está associado a maiores taxas de abortamento de repetição, perda fetal e complicações obstétricas, enquanto o bicorno tem prognóstico reprodutivo um pouco melhor.
A pegadinha desta questão está em confundir o útero septado com o útero bicorno, pois ambos apresentam cavidade duplicada na HSG. A chave é o contorno externo: se a RM mostra contorno externo normal → septado; se mostra indentação externa → bicorno. O útero didelfo (Classe III) é uma duplicação completa — dois úteros, duas cervices e, frequentemente, dois vaginas —, o que não se encaixa no achado de contorno externo único. O útero normal não teria duplicação da cavidade, e o câncer endometrial não produz esse padrão anatômico.
Guarde o par cavidade duplicada + contorno externo normal = septado versus cavidade duplicada + contorno externo anormal = bicorno: é exatamente essa distinção que separa as alternativas desta questão.
Malformações müllerianas: Útero septado (Classe V) (Cavidade duplicada (septo), Contorno externo normal, Tratamento: histeroscopia); Útero bicorno (Classe IV) (Cavidade duplicada (dois cornos), Contorno externo com indentação, Geralmente sem cirurgia); Útero didelfo (Classe III) (Duplicação completa (dois úteros), Duas cervices, Geralmente sem cirurgia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O útero normal apresenta cavidade única, sem duplicação do contorno. A histerossalpingografia mostrando fundo com contorno duplicado e afastamento entre os cornos é claramente anormal, descartando a normalidade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O útero septado é a malformação em que há um septo (fibromuscular) dividindo a cavidade uterina, mas o contorno externo do útero permanece normal. A RM confirmou exatamente isso: cavidade duplicada com contorno externo normal. É o diagnóstico clássico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O útero didelfo (Classe III) é uma duplicação completa do trato mülleriano: dois úteros, duas cervices e, frequentemente, septo vaginal. Na RM, o contorno externo seria claramente duplicado (dois úteros separados), não normal como no caso descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O útero bicorno (Classe IV) apresenta cavidade duplicada, mas com indentação externa no fundo uterino — o contorno externo é anormal (fundo em "coração"). Como a RM mostrou contorno externo normal, o diagnóstico de bicorno é excluído.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O câncer endometrial é uma neoplasia que se manifesta como espessamento endometrial, massa ou infiltração miometrial, não como uma duplicação anatômica da cavidade. Não há relação com o padrão descrito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão clássica entre útero septado e útero bicorno — ambos têm cavidade duplicada na histerossalpingografia. A diferença está no contorno externo: o septado tem contorno externo normal; o bicorno tem indentação externa. Na prova, sempre que a RM mostrar contorno externo normal, pense em septado; se houver indentação, pense em bicorno. Com esse critério, você não cai mais nessa troca.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental comparando as malformações müllerianas mais cobradas: