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Questão de Medicina — Mastologia — FGV 2025

MedicinaMastologia
Código
fg105231
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Uma paciente de 52 anos leva para consulta uma mamografia que descreve uma calcificação redonda em “pipoca” no quadrante superior lateral da mama esquerda. Não descreve outras alterações.Diante desse achado a melhor conduta é
  1. Amanter rastreio preconizado para a faixa etária.
  2. Brealizar ressecção segmentar da área afetada.
  3. Cindicar biopsia por mamotomia.
  4. Diniciar quimioterapia neodjuvante.
  5. Erecomendar testes genéticos para câncer de mama.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — manter rastreio preconizado para a faixa etária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Calcificações mamárias: a calcificação em "pipoca" e a conduta correta

Gabarito: letra A. A calcificação redonda em "pipoca" é o achado mamográfico clássico e benigno do fibroadenoma involuído (hialinizado), não havendo qualquer indicação de biópsia, ressecção ou tratamento sistêmico — a conduta é manter o rastreamento mamográfico preconizado para a faixa etária (50 a 69 anos, a cada dois anos, conforme a diretriz do INCA). A morfologia da calcificação é o critério decisivo: enquanto microcalcificações pleomórficas ou finamente lineares são suspeitas de malignidade, a calcificação grosseira, redonda e com aspecto de "pipoca" é inequivocamente benigna.

A mamografia é o método propedêutico de maior valor na detecção precoce do câncer de mama, e a interpretação correta das calcificações é uma das habilidades centrais do mastologista. As calcificações mamárias dividem-se, grosseiramente, em dois grandes grupos: as macrocalcificações (geralmente > 0,5 mm) e as microcalcificações (< 0,5 mm). As macrocalcificações são, na grande maioria dos casos, benignas e decorrem de processos degenerativos, inflamatórios ou involutivos — como a calcificação de um fibroadenoma antigo, a calcificação de artérias mamárias, a secreção calcificada em ductos ectasiados ou sequelas de trauma/cirurgia. Já as microcalcificações podem ser benignas, mas um subgrupo delas — as pleomórficas, finamente lineares ou ramificadas — é altamente sugestivo de carcinoma ductal in situ (CDIS) e exige biópsia.

O termo "pipoca" descreve uma calcificação grosseira, lobulada e radiopaca, que corresponde à involução hialina de um fibroadenoma — um tumor benigno extremamente comum. Quando o fibroadenoma envelhece, seu estroma hialiniza e sofre calcificação distrófica, produzindo exatamente esse aspecto morfológico. É um achado tão característico que o BI-RADS® o classifica como categoria 2 (benigno), dispensando qualquer procedimento invasivo. A paciente de 52 anos, portanto, não precisa de biópsia por mamotomia, nem de ressecção segmentar, nem de quimioterapia, nem de testes genéticos — ela precisa apenas continuar o rastreamento preconizado para sua faixa etária.

A conduta correta se ancora na diretriz brasileira de detecção precoce do câncer de mama, que recomenda o rastreamento mamográfico bienal para mulheres de 50 a 69 anos. Como a paciente tem 52 anos e o achado é benigno, a recomendação é exatamente manter esse rastreio. Vale destacar que a autopalpação das mamas, sem alterações, não dispensa a mulher de 50 a 74 anos de se submeter à mamografia de rastreamento — ou seja, o rastreio é o pilar da detecção precoce nessa faixa etária.

A pegadinha central desta questão é o reflexo automático de "toda calcificação exige biópsia". O candidato que não domina a semiologia mamográfica tende a tratar qualquer calcificação como suspeita, mas a morfologia é tudo: a calcificação em "pipoca" é o exemplo clássico de achado benigno que não deve ser biopsiado. Guarde a fronteira entre calcificações benignas (grosseiras, redondas, em "pipoca", vasculares, em "casca de ovo") e suspeitas (pleomórficas, finamente lineares, ramificadas) — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A calcificação em "pipoca" é o marcador mamográfico de fibroadenoma involuído, uma lesão benigna (BI-RADS® 2). Não há indicação de intervenção. A conduta é manter o rastreamento mamográfico preconizado para a faixa etária — no Brasil, mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, conforme a diretriz do INCA. A paciente tem 52 anos, exatamente dentro da faixa de rastreio, e o achado benigno não altera em nada essa recomendação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ressecção segmentar (tumorectomia com margens) é tratamento cirúrgico de lesões malignas ou de lesões benignas com indicação cirúrgica (ex.: fibroadenoma sintomático, em crescimento ou com diagnóstico incerto). No caso de uma calcificação em "pipoca", inequivocamente benigna e assintomática, não há qualquer indicação de cirurgia. A banca explora o reflexo de "achado na mama = operar", mas a morfologia benigna afasta essa necessidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A biópsia por mamotomia (biópsia percutânea a vácuo) é indicada para lesões suspeitas ou indeterminadas — microcalcificações pleomórficas, distorções arquiteturais, nódulos com características duvidosas. A calcificação em "pipoca" é um achado benigno clássico, e biopsiá-la seria um procedimento desnecessário, com riscos (sangramento, infecção, cicatriz) e custos sem benefício. A banca troca a indicação de biópsia (lesão suspeita) por um achado claramente benigno.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A quimioterapia neoadjuvante é tratamento sistêmico para câncer de mama localmente avançado ou inflamatório, com o objetivo de reduzir o tumor antes da cirurgia. Não há, no enunciado, qualquer evidência de malignidade — a calcificação em "pipoca" é benigna. Indicar quimioterapia para um achado benigno seria um erro grave de conduta, com toxicidade significativa e nenhum benefício. A alternativa é absurda e serve apenas para testar se o candidato entende que o achado é benigno.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os testes genéticos para câncer de mama (pesquisa de mutações em BRCA1/2 e outros genes de alta penetrância) são indicados para pacientes com história familiar ou pessoal sugestiva de síndrome hereditária — por exemplo, câncer de mama antes dos 50 anos, câncer de ovário, dois tumores primários, parente do sexo masculino com câncer de mama, ascendência judaica da Europa Oriental. A paciente de 52 anos com uma calcificação benigna e sem história familiar referida não preenche nenhum critério para aconselhamento genético. A banca explora a confusão entre "achado mamográfico" e "risco hereditário", que são coisas independentes.

Gabarito: letra A — manter o rastreio preconizado para a faixa etária, pois a calcificação em "pipoca" é um achado benigno (fibroadenoma involuído) que não exige nenhuma intervenção.

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