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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg105234
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Durante uma consulta ginecológica de rotina, ao exame especular é observada hiperemia da mucosa vaginal colo uterino com aspecto de “morango” e presença de secreção amareloesverdeada. A medida do pH vaginal foi 6,9. Em microscopia a fresco do conteúdo vaginal foi identificado microrganismo flagelado se movimentando ativamente.A melhor opção terapêutica nesse caso é
  1. Aalcalinização do meio vaginal.
  2. Bcreme vaginal de miconazol.
  3. Cmetronidazol por via oral.
  4. Dceftriaxone em dose única.
  5. Eressecção da área afetada.
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GabaritoC — metronidazol por via oral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vaginose bacteriana e tricomoníase: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra C. O quadro clínico descrito — colo em "morango", secreção amarelo-esverdeada, pH vaginal elevado (6,9) e presença de protozoário flagelado em exame a fresco — é classicamente compatível com tricomoníase, cujo tratamento de primeira linha é o metronidazol por via oral. A identificação do microrganismo flagelado e o pH alcalino são os achados que fecham o diagnóstico e direcionam a terapêutica.

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. No exame especular, a mucosa vaginal e o colo uterino apresentam-se hiperemiados, com o aspecto característico de "morango" (colpite focal). A secreção é tipicamente amarelo-esverdeada, bolhosa e com odor fétido. O pH vaginal encontra-se elevado, geralmente acima de 4,5, devido à diminuição dos lactobacilos e à presença do protozoário. No exame a fresco, observa-se o parasita flagelado em movimento ativo, o que confirma o diagnóstico.

O tratamento de escolha é o metronidazol, um antiprotozoário que age interferindo no DNA do microrganismo. A via oral é preferida por garantir níveis sistêmicos adequados e tratar possíveis infecções em outros sítios, como a uretra e as glândulas de Skene. O parceiro sexual também deve ser tratado simultaneamente para evitar reinfecção. A dose usual é de 2 g em dose única ou 250 mg três vezes ao dia por 7 dias, conforme a orientação do serviço de saúde.

É importante distinguir a tricomoníase de outras causas de corrimento vaginal. Na candidíase, o pH é normal (3,8-4,5), a secreção é esbranquiçada e grumosa, e o exame a fresco com KOH revela leveduras e pseudo-hifas. Na vaginose bacteriana, o pH é elevado, mas a secreção é acinzentada e o teste das aminas (whiff) é positivo, sem a presença de protozoários. A vaginite atrófica, comum na pós-menopausa, cursa com pH elevado, mas sem o aspecto de "morango" e sem o parasita.

A banca explora a confusão entre as diferentes causas de corrimento vaginal. O candidato que não reconhece o padrão clássico da tricomoníase pode optar por tratamentos inadequados, como antifúngicos (miconazol) ou antibióticos (ceftriaxone). A chave é a associação dos achados: pH alcalino + protozoário flagelado + colo em "morango" = tricomoníase.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alcalinização do meio vaginal não é tratamento para tricomoníase. Na verdade, o pH vaginal já está alcalino (6,9) devido à infecção. A alcalinização poderia até piorar o quadro, favorecendo a proliferação do protozoário. O tratamento visa eliminar o parasita com antiprotozoário, não alterar o pH.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O creme vaginal de miconazol é um antifúngico, indicado para candidíase vaginal. Na tricomoníase, o agente etiológico é um protozoário, não um fungo. Portanto, o miconazol não tem ação sobre o Trichomonas vaginalis e não é a opção terapêutica correta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O metronidazol por via oral é o tratamento de primeira linha para tricomoníase. Ele é eficaz contra o protozoário Trichomonas vaginalis, eliminando a infecção e seus sintomas. A via oral é preferida por tratar também possíveis focos em outros locais, como uretra e glândulas parauretrais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ceftriaxona é um antibiótico da classe das cefalosporinas, indicado para infecções bacterianas, como gonorreia e sífilis. Na tricomoníase, o agente é um protozoário, não uma bactéria. Portanto, a ceftriaxona não é eficaz e não é a opção terapêutica correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ressecção da área afetada é um procedimento cirúrgico, sem indicação no tratamento da tricomoníase. A infecção é difusa na mucosa vaginal e cervical, e o tratamento é clínico, com antiprotozoário. A ressecção seria um absurdo terapêutico, sem fundamento científico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o tratamento da tricomoníase (metronidazol) por opções de outras causas de corrimento: miconazol (candidíase), ceftriaxona (gonorreia) e alcalinização (vaginose bacteriana). O candidato que não associa o protozoário flagelado ao pH alcalino cai na armadilha. Fique atento: o exame a fresco é o exame que define o diagnóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de corrimento vaginal, monte uma tabela mental com pH, aspecto da secreção e exame a fresco. Na tricomoníase, o pH é alcalino, a secreção é amarelo-esverdeada e há protozoário flagelado. Na candidíase, o pH é normal, a secreção é esbranquiçada e há leveduras. Na vaginose bacteriana, o pH é alcalino, a secreção é acinzentada e há clue cells.

Gabarito: letra C

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