Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg105236
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Sobre o câncer primário de vagina, é correto afirmar:
AÉ o câncer ginecológico mais comum no Brasil.
BO tipo histológico mais comum é o de células claras.
CÉ mais frequente em mulheres muito jovens.
DTem associação forte com infecção pelo HPV.
EA radioterapia é contraindicada nesses tipos de tumor
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GabaritoD — Tem associação forte com infecção pelo HPV.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer primário de vagina: epidemiologia e fatores de risco
Gabarito: letra D. O câncer primário de vagina tem associação forte com a infecção pelo HPV, sendo este um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença, conforme a literatura médica sobre o tema. As demais alternativas apresentam afirmações incorretas sobre a epidemiologia, histologia e tratamento dessa neoplasia.
O câncer de vagina primário é uma neoplasia maligna rara, representando apenas 1 a 2% de todos os cânceres ginecológicos. Para confirmar o diagnóstico de tumor primário de vagina, é necessário descartar a extensão de cânceres primários de útero, colo do útero e vulva, ou a existência de metástase de outro local primário. Essa distinção é fundamental, pois o câncer de vagina secundário (por extensão ou metástase) é mais comum do que o primário.
A epidemiologia dessa doença mostra que ela é diagnosticada, em geral, em mulheres com idade superior a 60 anos, o que contraria a ideia de que seria mais frequente em mulheres muito jovens. Os principais fatores de risco incluem infecção por HPV de alto risco, exposição ao dietilestilbestrol (DES) in utero, infecção pelo HIV, história pregressa de pré-câncer ou câncer de colo do útero e existência de neoplasia intraepitelial vaginal de alto grau.
O tipo histológico mais comum é o carcinoma de células escamosas (CCE) ou espinocelular, responsável por cerca de 90% dos casos. Os adenocarcinomas, incluindo o de células claras, representam de 8 a 14% dos casos e estão mais associados à exposição ao DES in utero. Outros tipos menos comuns incluem melanomas, sarcomas, linfomas, tumores neuroendócrinos e do saco vitelino.
Quanto ao tratamento, a radioterapia é uma das principais modalidades terapêuticas para o câncer de vagina, sendo utilizada tanto em estágios iniciais quanto avançados da doença, muitas vezes combinada com quimioterapia. A cirurgia também é uma opção, dependendo do estágio e da localização do tumor. Portanto, a afirmação de que a radioterapia é contraindicada nesses tumores é totalmente incorreta.
A associação com o HPV é um ponto central na compreensão dessa neoplasia. O HPV de alto risco é um fator de risco bem estabelecido, e a vacinação contra o HPV é uma medida preventiva importante. Essa associação é semelhante à observada no câncer de colo do útero, onde mais de 90% dos casos estão ligados a tipos oncogênicos de HPV, sendo o HPV-16 responsável pela maior proporção de casos.
Guarde esses quatro pilares sobre o câncer de vagina primário — raridade, faixa etária avançada, predomínio do CCE e associação com HPV — pois são exatamente eles que separam as alternativas corretas das incorretas nesta questão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o câncer de vagina é o câncer ginecológico mais comum no Brasil. Na realidade, é o câncer ginecológico mais raro, representando apenas 1 a 2% das neoplasias malignas ginecológicas. O câncer de colo do útero e o de endométrio são muito mais frequentes. A banca explora a confusão com o câncer de colo do útero, que é uma das prioridades da agenda de saúde no Brasil.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o tipo histológico mais comum é o de células claras. Na verdade, o tipo mais comum é o carcinoma de células escamosas (CCE) ou espinocelular, responsável por cerca de 90% dos casos. O adenocarcinoma de células claras é um subtipo menos comum (8 a 14%), historicamente associado à exposição ao DES in utero. A banca troca o tipo histológico predominante por um subtipo raro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o câncer de vagina é mais frequente em mulheres muito jovens. Na realidade, é diagnosticado, em geral, em mulheres com idade superior a 60 anos. A banca inverte a faixa etária, possivelmente confundindo com o câncer de vulva relacionado ao HPV, que acomete mais comumente mulheres mais jovens.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o câncer de vagina tem associação forte com a infecção pelo HPV. Isso está correto: o HPV de alto risco é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento dessa neoplasia. Essa associação é bem documentada na literatura e é análoga à observada no câncer de colo do útero, onde mais de 90% dos casos estão ligados a tipos oncogênicos de HPV.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a radioterapia é contraindicada nesses tipos de tumor. Na verdade, a radioterapia é uma das principais modalidades terapêuticas para o câncer de vagina, utilizada tanto em estágios iniciais quanto avançados, muitas vezes combinada com quimioterapia. A banca inverte o papel da radioterapia, que é um tratamento consagrado para essa neoplasia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o câncer de vagina e o câncer de colo do útero, que é muito mais comum e amplamente discutido. Enquanto o câncer de colo do útero é uma prioridade de saúde pública no Brasil, o câncer de vagina é raro. Além disso, a banca troca o tipo histológico predominante (CCE) por um subtipo raro (células claras) e inverte a faixa etária típica (idosas) para mulheres jovens. Fique atento a essas inversões clássicas.
NÃO CAIA NESSA!
Para fixar, monte uma tabela mental comparando os cânceres ginecológicos: colo do útero (comum, HPV, CCE, rastreamento com Papanicolau), endométrio (comum em países desenvolvidos, estrogênio, tipo endometrioide), ovário (silencioso, diagnóstico tardio, CA-125), vulva (raro, HPV ou líquen escleroso, CCE) e vagina (raríssimo, HPV, CCE, idosas). Essa visão panorâmica ajuda a evitar as armadilhas da banca.