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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg105239
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Uma paciente com 41 anos realiza pela primeira vez mamografia. Nela é identificado um nódulo oval, bem delimitado, medindo 0,8cm no quadrante superior lateral da mama esquerda. No laudo vem a classificação BI-RADS® 0. É realizada então uma ultrassonografia mamária que encontra um nódulo anecóico e homogêneo, com reforço acústico posterior, medindo 0,8cm, em correspondência ao achado mamográfico.A classificação da ultrassonografia deverá ser
  1. ABI-RADS® 0
  2. BBI-RADS® 1
  3. CBI-RADS® 2
  4. DBI-RADS® 4
  5. EBI-RADS® 5
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GabaritoC — BI-RADS® 2

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação BI-RADS® de nódulos mamários: da mamografia à ultrassonografia

Gabarito: letra C. O nódulo descrito — anecóico, homogêneo, com reforço acústico posterior — é o padrão ultrassonográfico clássico de um cisto simples, uma lesão benigna por definição, o que corresponde à categoria BI-RADS® 2 (achados benignos). A mamografia inicial foi classificada como BI-RADS® 0 (avaliação incompleta, necessitando de complementação), e a ultrassonografia foi exatamente essa complementação, que agora permite reclassificar a lesão de forma definitiva.

O sistema BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) é uma padronização internacional criada pelo American College of Radiology (ACR) para uniformizar os laudos de exames de imagem da mama, correlacionando cada categoria com uma probabilidade de malignidade e uma conduta recomendada. A classificação vai de 0 a 6, e cada número carrega um significado prognóstico e terapêutico distinto. A categoria 0 significa que a avaliação está incompleta — o exame realizado não permite concluir o diagnóstico, sendo necessária uma complementação (como a ultrassonografia, a magnificação ou a compressão focal). Já a categoria 2 indica achados benignos, com probabilidade de malignidade praticamente nula, e a conduta é o seguimento rotineiro.

O que decide esta questão é o reconhecimento do padrão ultrassonográfico do cisto simples: nódulo anecóico (sem ecos internos, ou seja, preenchido por líquido), homogêneo, com reforço acústico posterior (aumento da ecogenicidade atrás da lesão, pois o líquido transmite o som com facilidade) e bordas bem definidas. Quando uma lesão apresenta todos esses critérios, ela é inequivocamente benigna — não há nenhum sinal de suspeita. A presença de paredes espessas, septações internas, nódulo mural, conteúdo heterogêneo ou fluxo ao Doppler afastaria o diagnóstico de cisto simples e elevaria a classificação para BI-RADS® 3 (provavelmente benigno) ou BI-RADS® 4 (suspeito).

A pegadinha da banca está em dois pontos. Primeiro, o BI-RADS® 0 da mamografia: o candidato pode ficar tentado a manter a classificação 0, mas a ultrassonografia complementa a avaliação e permite uma classificação definitiva — não se mantém o 0 quando o exame complementar resolve a dúvida. Segundo, a associação automática entre "nódulo" e "malignidade": o candidato pode pular para BI-RADS® 4 ou 5, ignorando que as características descritas são justamente o oposto do que se espera de uma lesão maligna (que costuma ser hipoecogênica, heterogênea, com margens irregulares ou espiculadas e sombra acústica posterior).

Guarde a sequência lógica: a mamografia mostrou um nódulo que precisava de caracterização (BI-RADS® 0) → a ultrassonografia caracterizou a lesão como cisto simples → a classificação final é BI-RADS® 2. É exatamente essa transição de categoria que as alternativas exploram.

  1. 1Mamografia: BI-RADS® 0
  2. 2US complementar: cisto simples
  3. 3Reclassificação: BI-RADS® 2
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O BI-RADS® 0 indica avaliação incompleta, necessitando de exames complementares. Aqui, a ultrassonografia já foi realizada e forneceu dados suficientes para classificar a lesão como benigna. Manter o 0 seria ignorar o resultado do exame complementar, que é justamente o que resolve a indeterminação inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O BI-RADS® 1 significa exame normal (sem achados). No caso, há um achado — o nódulo cístico — que, embora benigno, deve ser descrito e classificado. A categoria 1 é reservada para mamas sem nenhuma alteração; a presença de um cisto simples, por mais inofensivo que seja, enquadra a paciente na categoria 2.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O BI-RADS® 2 corresponde a achados benignos, com probabilidade de malignidade virtualmente nula. O nódulo anecóico, homogêneo, com reforço acústico posterior e bordas bem definidas é o cisto simples — a lesão benigna mais comum da mama. A ultrassonografia, ao caracterizar a lesão como cística simples, reclassifica o achado mamográfico indeterminado (BI-RADS® 0) para a categoria 2, indicando seguimento rotineiro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O BI-RADS® 4 indica achados suspeitos, com probabilidade de malignidade de 2% a 95%, e recomenda biópsia. As características descritas — anecóico, homogêneo, reforço acústico posterior — são o oposto do padrão suspeito (lesão sólida, hipoecogênica, heterogênea, com margens irregulares ou espiculadas). Não há nenhum critério de suspeita para justificar a categoria 4.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O BI-RADS® 5 indica altamente sugestivo de malignidade (probabilidade > 95%), com conduta de biópsia imediata. É a categoria de maior risco, reservada para lesões com características francamente malignas, como espiculações, margens irregulares e sombra acústica. O cisto simples descrito está no extremo oposto do espectro — é a lesão mais benigna possível —, tornando a categoria 5 completamente descabida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas armadilhas clássicas: (1) manter o BI-RADS® 0 mesmo após a ultrassonografia complementar, ignorando que o exame complementar resolve a indeterminação; e (2) associar automaticamente "nódulo" a "malignidade", levando o candidato a escolher BI-RADS® 4 ou 5 sem analisar as características ultrassonográficas. O cisto simples é a lesão mamária mais comum e tem padrão ecográfico inconfundível: anecóico, homogêneo, com reforço acústico posterior. Reconhecer esse padrão é a chave para não cair na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Memorize o padrão ultrassonográfico do cisto simples: anecóico + homogêneo + reforço acústico posterior + bordas bem definidas = BI-RADS® 2. Qualquer desvio desse padrão (septações, nódulo mural, conteúdo heterogêneo, paredes espessas) eleva a classificação para BI-RADS® 3 ou 4. Na prova, leia as características descritas e compare com esse padrão — se bater, a resposta é BI-RADS® 2.

Gabarito: letra C

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