Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
- Código
- fg105239
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-AM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
- ABI-RADS® 0
- BBI-RADS® 1
- CBI-RADS® 2
- DBI-RADS® 4
- EBI-RADS® 5
GabaritoC — BI-RADS® 2
Gabarito: letra C. O nódulo descrito — anecóico, homogêneo, com reforço acústico posterior — é o padrão ultrassonográfico clássico de um cisto simples, uma lesão benigna por definição, o que corresponde à categoria BI-RADS® 2 (achados benignos). A mamografia inicial foi classificada como BI-RADS® 0 (avaliação incompleta, necessitando de complementação), e a ultrassonografia foi exatamente essa complementação, que agora permite reclassificar a lesão de forma definitiva.
O sistema BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) é uma padronização internacional criada pelo American College of Radiology (ACR) para uniformizar os laudos de exames de imagem da mama, correlacionando cada categoria com uma probabilidade de malignidade e uma conduta recomendada. A classificação vai de 0 a 6, e cada número carrega um significado prognóstico e terapêutico distinto. A categoria 0 significa que a avaliação está incompleta — o exame realizado não permite concluir o diagnóstico, sendo necessária uma complementação (como a ultrassonografia, a magnificação ou a compressão focal). Já a categoria 2 indica achados benignos, com probabilidade de malignidade praticamente nula, e a conduta é o seguimento rotineiro.
O que decide esta questão é o reconhecimento do padrão ultrassonográfico do cisto simples: nódulo anecóico (sem ecos internos, ou seja, preenchido por líquido), homogêneo, com reforço acústico posterior (aumento da ecogenicidade atrás da lesão, pois o líquido transmite o som com facilidade) e bordas bem definidas. Quando uma lesão apresenta todos esses critérios, ela é inequivocamente benigna — não há nenhum sinal de suspeita. A presença de paredes espessas, septações internas, nódulo mural, conteúdo heterogêneo ou fluxo ao Doppler afastaria o diagnóstico de cisto simples e elevaria a classificação para BI-RADS® 3 (provavelmente benigno) ou BI-RADS® 4 (suspeito).
A pegadinha da banca está em dois pontos. Primeiro, o BI-RADS® 0 da mamografia: o candidato pode ficar tentado a manter a classificação 0, mas a ultrassonografia complementa a avaliação e permite uma classificação definitiva — não se mantém o 0 quando o exame complementar resolve a dúvida. Segundo, a associação automática entre "nódulo" e "malignidade": o candidato pode pular para BI-RADS® 4 ou 5, ignorando que as características descritas são justamente o oposto do que se espera de uma lesão maligna (que costuma ser hipoecogênica, heterogênea, com margens irregulares ou espiculadas e sombra acústica posterior).
Guarde a sequência lógica: a mamografia mostrou um nódulo que precisava de caracterização (BI-RADS® 0) → a ultrassonografia caracterizou a lesão como cisto simples → a classificação final é BI-RADS® 2. É exatamente essa transição de categoria que as alternativas exploram.
O BI-RADS® 0 indica avaliação incompleta, necessitando de exames complementares. Aqui, a ultrassonografia já foi realizada e forneceu dados suficientes para classificar a lesão como benigna. Manter o 0 seria ignorar o resultado do exame complementar, que é justamente o que resolve a indeterminação inicial.
O BI-RADS® 1 significa exame normal (sem achados). No caso, há um achado — o nódulo cístico — que, embora benigno, deve ser descrito e classificado. A categoria 1 é reservada para mamas sem nenhuma alteração; a presença de um cisto simples, por mais inofensivo que seja, enquadra a paciente na categoria 2.
O BI-RADS® 2 corresponde a achados benignos, com probabilidade de malignidade virtualmente nula. O nódulo anecóico, homogêneo, com reforço acústico posterior e bordas bem definidas é o cisto simples — a lesão benigna mais comum da mama. A ultrassonografia, ao caracterizar a lesão como cística simples, reclassifica o achado mamográfico indeterminado (BI-RADS® 0) para a categoria 2, indicando seguimento rotineiro.
O BI-RADS® 4 indica achados suspeitos, com probabilidade de malignidade de 2% a 95%, e recomenda biópsia. As características descritas — anecóico, homogêneo, reforço acústico posterior — são o oposto do padrão suspeito (lesão sólida, hipoecogênica, heterogênea, com margens irregulares ou espiculadas). Não há nenhum critério de suspeita para justificar a categoria 4.
O BI-RADS® 5 indica altamente sugestivo de malignidade (probabilidade > 95%), com conduta de biópsia imediata. É a categoria de maior risco, reservada para lesões com características francamente malignas, como espiculações, margens irregulares e sombra acústica. O cisto simples descrito está no extremo oposto do espectro — é a lesão mais benigna possível —, tornando a categoria 5 completamente descabida.
A banca explora duas armadilhas clássicas: (1) manter o BI-RADS® 0 mesmo após a ultrassonografia complementar, ignorando que o exame complementar resolve a indeterminação; e (2) associar automaticamente "nódulo" a "malignidade", levando o candidato a escolher BI-RADS® 4 ou 5 sem analisar as características ultrassonográficas. O cisto simples é a lesão mamária mais comum e tem padrão ecográfico inconfundível: anecóico, homogêneo, com reforço acústico posterior. Reconhecer esse padrão é a chave para não cair na armadilha.
Memorize o padrão ultrassonográfico do cisto simples: anecóico + homogêneo + reforço acústico posterior + bordas bem definidas = BI-RADS® 2. Qualquer desvio desse padrão (septações, nódulo mural, conteúdo heterogêneo, paredes espessas) eleva a classificação para BI-RADS® 3 ou 4. Na prova, leia as características descritas e compare com esse padrão — se bater, a resposta é BI-RADS® 2.
Gabarito: letra C
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