Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg105240
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Ginecologista
Uma mulher de 47 anos realiza uma ultrassonografia de rotina que identifica útero em retroversão e com imagem sugestiva de leiomioma intramural, medindo 3cm na sua parede corporal posterior. Os ovários e o restante do exame ultrassonográfico não tiveram alterações aparentes. Relata ciclos irregulares com sangramento menstrual de volume habitual. Nega dor pélvica ou outros sintomas. Procurou consulta ginecológica, bastante preocupada com os achados. O seu exame físico ginecológico não evidenciou anormalidades.É conduta adequada para essa paciente
Aindicar histerectomia total por laparotomia.
Bindicar histerectomia total por laparoscopia
Cindicar histerectomia por via vaginal.
Diniciar uso de progesterona por via oral.
Efazer acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
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GabaritoE — fazer acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
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Gabarito: letra E. Em mulher de 47 anos com leiomioma intramural de 3 cm, assintomático (ciclos irregulares, mas sangramento de volume habitual, sem dor), a conduta adequada é acompanhamento clínico e ultrassonográfico — não há indicação de histerectomia (A, B, C) nem de progesterona (D), pois o mioma é pequeno, não causa sintomas e a paciente está em perimenopausa, fase em que a conduta conservadora é a regra. A base é o princípio de que miomas assintomáticos não exigem tratamento cirúrgico ou medicamentoso, apenas vigilância.
O leiomioma (mioma) é o tumor benigno mais comum do trato genital feminino, originado da musculatura lisa do útero. Sua prevalência aumenta com a idade reprodutiva e é maior em mulheres negras, nulíparas e obesas. A maioria dos miomas é assintomática — estima-se que apenas 20–50% causem sintomas. Quando sintomáticos, os principais são: sangramento uterino anormal (especialmente nos submucosos), dor pélvica, sintomas compressivos (bexiga, reto) e disfunção reprodutiva. O sangramento da miomatose é tipicamente menorragia (fluxo aumentado) ou hipermenorreia (fluxo prolongado), e a intensidade depende mais da localização (submucoso > intramural > subseroso) do que do tamanho.
A conduta depende fundamentalmente da presença de sintomas, do desejo reprodutivo, da idade e do tamanho/localização do mioma. Para miomas assintomáticos, independentemente do tamanho, a recomendação é conduta expectante — acompanhamento clínico periódico com ultrassonografia. Não há evidência de que miomas pequenos e assintomáticos cresçam rapidamente ou causem complicações que justifiquem intervenção precoce. Na perimenopausa, como é o caso (47 anos), há ainda a tendência natural de redução do volume após a menopausa, pela queda dos hormônios ovarianos.
As opções cirúrgicas (histerectomia por qualquer via — laparotomia, laparoscopia ou vaginal — ou miomectomia) são reservadas para casos sintomáticos, com sangramento intenso, dor, compressão ou crescimento rápido, ou quando há falha do tratamento clínico. A histerectomia é o tratamento definitivo, mas mutilador, e só se justifica quando os sintomas comprometem a qualidade de vida e outras opções falharam. No caso descrito, a paciente não tem nenhum sintoma que justifique cirurgia — o achado foi casual em ultrassonografia de rotina.
O tratamento medicamentoso (progesterona, ACO, análogos do GnRH, DIU hormonal) é indicado para controle de sintomas, principalmente sangramento. A progesterona por via oral pode ser usada para regular o ciclo ou reduzir o fluxo, mas não é indicada apenas pela presença de um mioma assintomático — e a paciente relata sangramento de volume habitual, sem queixa de fluxo aumentado. Além disso, a irregularidade do ciclo na perimenopausa é esperada pela anovulação, e não exige tratamento hormonal obrigatório.
A pegadinha desta questão é a tentação de "tratar o achado" — a paciente está preocupada, e o médico poderia ser levado a indicar uma intervenção (cirurgia ou hormônio) para "resolver" o mioma. Mas a medicina baseada em evidências e as diretrizes (ACOG, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) são claras: mioma assintomático não se trata, apenas se acompanha. A conduta expectante é segura, e a paciente deve ser tranquilizada e orientada a retornar se surgirem sintomas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ansiedade da paciente e a tendência de "tratar o achado". O mioma de 3 cm é pequeno e assintomático — não há indicação de histerectomia (A, B, C) nem de progesterona (D). A conduta correta é acompanhamento clínico e ultrassonográfico (E). Lembre-se: mioma assintomático = conduta expectante, independentemente do tamanho.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Indicar histerectomia total por laparotomia é um erro grave: a paciente é assintomática, com mioma pequeno (3 cm) e sem desejo de tratamento cirúrgico. A histerectomia é reservada para casos sintomáticos refratários ao tratamento clínico, com sangramento intenso, dor, compressão ou suspeita de malignidade — nenhum desses está presente. Além disso, a via laparotômica é a mais invasiva, com maior morbidade, e não há justificativa para tal procedimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A histerectomia por laparoscopia, embora menos invasiva que a laparotomia, também é uma cirurgia mutiladora e desnecessária neste caso. A paciente não tem sintomas que indiquem a remoção do útero. A via de acesso (laparoscopia) não muda a indicação: mioma assintomático não é indicação de histerectomia por nenhuma via.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A histerectomia vaginal é outra via cirúrgica, mas igualmente sem indicação aqui. A escolha da via (vaginal, laparoscópica ou abdominal) é uma decisão técnica após a indicação cirúrgica estar estabelecida — e ela não está. A paciente é assintomática, e a cirurgia não é necessária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar progesterona por via oral não é indicado para mioma assintomático. A progesterona pode ser usada para tratar sangramento uterino anormal (como na perimenopausa), mas a paciente relata sangramento de volume habitual — não há queixa de fluxo aumentado ou prolongado. A irregularidade do ciclo é esperada na perimenopausa e não exige tratamento hormonal obrigatório. Além disso, a progesterona não reduz o mioma; seu papel é controlar o sangramento, que não é o problema aqui.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Fazer acompanhamento clínico e ultrassonográfico é a conduta adequada. A paciente tem um mioma intramural de 3 cm, assintomático, em perimenopausa. A conduta expectante é recomendada pelas diretrizes: miomas assintomáticos não necessitam de tratamento, apenas vigilância clínica e ultrassonográfica periódica. A paciente deve ser tranquilizada e orientada a retornar se surgirem sintomas (sangramento intenso, dor, crescimento rápido).