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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2025

MedicinaUrologia
Código
fg105243
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Urologista
Paciente do sexo masculino, 58 anos, diabético e hipertenso, procura o pronto-socorro com quadro de febre alta (39,5°C), calafrios, dor lombar esquerda e disúria há 48 horas. O exame de urina revela piúria e nitrito positivo. A ultrassonografia de vias urinárias mostra hidronefrose moderada à esquerda, sugerindo obstrução. O paciente apresenta hipotensão (PA 90/60 mmHg) e taquicardia (FC 115 bpm).Considerando o quadro de pielonefrite aguda obstrutiva e sinais de sepse, a prioridade imediata no manejo deste paciente é
  1. Ainiciar antibioticoterapia oral com Ciprofloxacino e aguardar a melhora clínica.
  2. Brealizar tomografia computadorizada de abdômen e pelve para identificar a causa da obstrução.
  3. Crealizar drenagem urinária de emergência (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) e iniciar antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro.
  4. Dcoletar urocultura e hemocultura e iniciar hidratação venosa, sem intervenção urológica imediata.
  5. Erealizar cistoscopia diagnóstica e terapêutica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — realizar drenagem urinária de emergência (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) e iniciar antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pielonefrite aguda obstrutiva com sepse: prioridade no manejo

Gabarito: letra C. Em paciente com pielonefrite aguda obstrutiva (hidronefrose à ultrassonografia) e sinais de sepse (febre alta, hipotensão, taquicardia), a prioridade imediata é a drenagem urinária de emergência (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) associada à antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro. A lógica é dupla: o foco infeccioso está sob pressão dentro de um sistema urinário obstruído, e a sepse não será controlada apenas com antibióticos enquanto a obstrução não for aliviada — a drenagem é o controle de foco, e o antibiótico trata a bacteremia.

A pielonefrite aguda é uma infecção do parênquima renal e do sistema coletor, classicamente manifestada por febre alta, calafrios, dor lombar e sintomas urinários. Quando associada a um fator obstrutivo — como um cálculo, estenose ou tumor —, ela é classificada como pielonefrite complicada, pois a estase urinária impede a eliminação do agente infeccioso e favorece a multiplicação bacteriana. Nesse cenário, a obstrução transforma o rim em um abscesso sob pressão: o pus e as bactérias não conseguem ser drenados pela via natural, e a antibioticoterapia isolada tem penetração e eficácia reduzidas. É por isso que, na presença de obstrução, o tratamento definitivo exige a desobstrução — seja por cateter duplo J (stent ureteral), que restabelece o fluxo da pelve renal para a bexiga, seja por nefrostomia percutânea, que drena o rim diretamente através da pele.

O quadro clínico descrito — febre de 39,5°C, calafrios, dor lombar esquerda, disúria, piúria e nitrito positivo — é típico de pielonefrite aguda. A ultrassonografia revelando hidronefrose moderada confirma a obstrução do trato urinário superior. A hipotensão (PA 90/60 mmHg) e a taquicardia (FC 115 bpm) são sinais de sepse, ou seja, uma resposta inflamatória sistêmica desencadeada pela infecção. Nesse contexto, a prioridade é o controle imediato do foco infeccioso, que só é alcançado com a drenagem da urina obstruída. A demora na desobstrução pode levar à progressão para choque séptico, com disfunção orgânica e alta mortalidade.

A conduta correta, portanto, combina duas medidas simultâneas: drenagem urinária de emergência (para aliviar a obstrução e drenar o foco) e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (para tratar a infecção sistêmica). A coleta de urocultura e hemocultura deve ser feita antes do início dos antibióticos, mas não pode atrasar a drenagem. A hidratação venosa é parte do suporte, mas não resolve a obstrução. A tomografia computadorizada pode ser útil para identificar a causa da obstrução, mas não é a prioridade imediata em um paciente séptico — a drenagem não pode esperar o exame. A cistoscopia diagnóstica e terapêutica não é o procedimento de escolha para desobstrução do trato urinário superior nesse contexto agudo.

A distinção crucial que a banca explora é entre controle de foco e investigação diagnóstica. Em um paciente com sepse de origem obstrutiva, o controle do foco (drenagem) é a medida que salva vidas e deve ser realizada imediatamente, antes mesmo de se completar a investigação etiológica. A tomografia, a urocultura e a hemocultura são importantes, mas secundárias à urgência da drenagem. A antibioticoterapia oral é inadequada em sepse, pois a absorção gastrointestinal é imprevisível e a biodisponibilidade é insuficiente para um quadro grave. A hidratação venosa isolada, sem intervenção urológica, não trata a causa da sepse. A cistoscopia é um procedimento diagnóstico/terapêutico para a uretra e bexiga, não para a obstrução ureteral alta.

Guarde a hierarquia de prioridades: em sepse com obstrução urinária, a ordem é drenar o foco + antibiótico EV — a investigação da causa vem depois, sem atrasar a intervenção. É exatamente essa hierarquia que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Drenar o foco (duplo J/nefrostomia)
  2. 2Antibiótico EV de amplo espectro
  3. 3Culturas antes do antibiótico
  4. 4Investigar a causa (TC) depois
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar antibioticoterapia oral com Ciprofloxacino e aguardar a melhora clínica é inadequado por dois motivos: (1) em sepse, a via oral não é recomendada — a absorção é imprevisível e a biodisponibilidade é insuficiente para um quadro grave; a antibioticoterapia deve ser endovenosa. (2) Aguardar a melhora clínica sem drenar a obstrução é um erro grave, pois o foco infeccioso permanece sob pressão e a sepse não será controlada. A obstrução urinária exige drenagem imediata, independentemente do antibiótico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Realizar tomografia computadorizada de abdômen e pelve para identificar a causa da obstrução é uma medida diagnóstica importante, mas não é a prioridade imediata em um paciente com sepse. A drenagem urinária de emergência não pode esperar a realização do exame. A TC pode ser útil após a estabilização, para planejar o tratamento definitivo da causa (ex.: cálculo, tumor), mas não substitui a urgência do controle de foco. Em sepse, a investigação etiológica é secundária à intervenção que salva vidas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Realizar drenagem urinária de emergência (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) e iniciar antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro é a conduta correta. A drenagem alivia a obstrução, drena o foco infeccioso e é o controle de foco essencial na sepse. A antibioticoterapia EV trata a bacteremia e a infecção sistêmica. Essa combinação é a prioridade imediata no manejo da pielonefrite aguda obstrutiva com sepse.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Coletar urocultura e hemocultura e iniciar hidratação venosa, sem intervenção urológica imediata, é insuficiente. Embora a coleta de culturas seja recomendada antes do início dos antibióticos, a hidratação venosa isolada não trata a obstrução nem controla o foco infeccioso. A sepse de origem obstrutiva não será resolvida apenas com suporte volêmico — a drenagem é indispensável. A alternativa ignora a urgência da desobstrução.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Realizar cistoscopia diagnóstica e terapêutica não é o procedimento de escolha para desobstrução do trato urinário superior. A cistoscopia é um exame da uretra e da bexiga, útil para diagnosticar e tratar lesões dessas estruturas, mas não é o método para aliviar uma obstrução ureteral alta (como a que causa hidronefrose). Para desobstruir o ureter, as opções são o cateter duplo J (colocado por via endoscópica ou percutânea) ou a nefrostomia percutânea. A cistoscopia isolada não resolve a obstrução renal.

Gabarito: letra C — drenagem urinária de emergência + antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro.

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