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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2025

MedicinaUrologia
Código
fg105245
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Urologista
Caso Clínico: Homem de 65 anos, tabagista de longa data, apresenta hematúria macroscópica indolor. A cistoscopia revela uma lesão tumoral única, séssil, de 4 cm, na parede lateral da bexiga. A ressecção transuretral (RTU) do tumor de bexiga confirma Carcinoma Urotelial de Alto Grau, com invasão da camada muscular (pT2). O estadiamento por TC é negativo para metástases (N0M0). O paciente tem bom estado geral (ASA II).O tratamento padrão-ouro com intenção curativa para esse paciente é a
  1. ARessecção Transuretral (RTU) do tumor de bexiga seguida de quimioterapia intravesical com BCG.
  2. BCistectomia Radical com Linfadenectomia Pélvica Estendida (LPE) e derivação urinária.
  3. CRadioterapia Externa isolada na bexiga.
  4. DQuimioterapia sistêmica neoadjuvante seguida de Cistectomia Radical com LPE e derivação urinária.
  5. ECistectomia parcial preservando trígono e parede lateral
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GabaritoD — Quimioterapia sistêmica neoadjuvante seguida de Cistectomia Radical com LPE e derivação urinária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de bexiga com invasão muscular: tratamento curativo

Gabarito: letra D. Para carcinoma urotelial de bexiga com invasão da camada muscular (pT2), o tratamento padrão-ouro com intenção curativa é a quimioterapia sistêmica neoadjuvante seguida de cistectomia radical com linfadenectomia pélvica estendida (LPE) e derivação urinária. A quimioterapia neoadjuvante à base de cisplatina oferece benefício de sobrevida global em doença músculo-invasiva, e a cistectomia radical com LPE é o tratamento cirúrgico de escolha para doença localizada (N0M0).

O carcinoma urotelial de bexiga é o subtipo histológico predominante, responsável por cerca de 90% dos casos. A apresentação clássica é a hematúria macroscópica indolor, como no caso clínico. A doença é estadiada pela profundidade de invasão: tumores sem invasão muscular (Ta, T1, CIS) são tratados com ressecção transuretral (RTU) e, quando de alto grau, com BCG intravesical ou cistectomia. Já a doença com invasão muscular (pT2 ou maior) é uma entidade distinta, com comportamento biológico mais agressivo e maior risco de progressão metastática.

O tratamento padrão-ouro para doença músculo-invasiva localizada (N0M0) é a cistectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral. A adição de quimioterapia neoadjuvante à base de cisplatina (esquema MVAC ou GC) demonstrou benefício de sobrevida global em ensaios clínicos randomizados, sendo recomendada pelas principais diretrizes (AUA, EAU, NCCN) para pacientes elegíveis, como o do caso (ASA II, bom estado geral). A quimioterapia neoadjuvante atua na doença micrometastática, reduzindo o risco de recidiva e melhorando a sobrevida.

A cistectomia radical envolve a remoção da bexiga, próstata e vesículas seminais no homem, e bexiga, útero, anexos e parede vaginal anterior na mulher, sempre com linfadenectomia pélvica. A derivação urinária pode ser continente (neobexiga ortotópica) ou incontinente (conduto ileal), dependendo de fatores do paciente e da doença. A cistectomia parcial é reservada para casos selecionados de tumor único, sem CIS associado e com margem cirúrgica adequada — não é o padrão para tumores de 4 cm de alto grau.

A radioterapia externa isolada não é o tratamento padrão-ouro com intenção curativa; pode ser considerada em pacientes inaptos para cirurgia ou em protocolos de preservação de órgão (trimodalidade), mas não é a primeira escolha para um paciente elegível. A RTU isolada é curativa apenas para doença sem invasão muscular; em doença músculo-invasiva, a RTU é diagnóstica e estadiadora, não terapêutica. O BCG intravesical é indicado para doença não invasiva de alto grau (CIS, T1), não para pT2.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre doença sem invasão muscular (tratada com RTU + BCG) e doença com invasão muscular (tratada com quimioterapia neoadjuvante + cistectomia radical). O candidato que confunde os dois cenários tende a marcar a alternativa A (RTU + BCG), que seria correta para um tumor Ta/T1 de alto grau, mas é insuficiente para pT2. A alternativa B (cistectomia radical isolada) é um distrator parcialmente correto — a cirurgia é necessária, mas a quimioterapia neoadjuvante agrega benefício de sobrevida e é parte do padrão-ouro atual.

Câncer de bexiga
  • 1Sem invasão muscular (Ta, T1, CIS)
    • RTU
    • BCG intravesical
  • 2Com invasão muscular (pT2+)
    • Quimioterapia neoadjuvante (cisplatina)
    • Cistectomia radical + LPE
    • Derivação urinária
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A RTU seguida de BCG intravesical é o tratamento para carcinoma urotelial sem invasão muscular (Ta, T1, CIS) de alto grau. No caso, o tumor é pT2 (invasão da muscular própria), e a RTU isolada não é curativa — há alto risco de doença residual e progressão. O BCG é um imunoterápico intravesical que não alcança a doença além da mucosa/submucosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cistectomia radical com LPE é o tratamento cirúrgico de escolha, mas isolada não é o padrão-ouro atual. A quimioterapia neoadjuvante à base de cisplatina, quando indicada (paciente elegível, como o do caso), oferece benefício de sobrevida global e deve preceder a cirurgia. A alternativa omite esse componente essencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia externa isolada não é o tratamento padrão-ouro com intenção curativa para câncer de bexiga músculo-invasivo. Pode ser usada em pacientes inaptos para cirurgia ou em protocolos de preservação de órgão (trimodalidade: RTU máxima + QT + RT), mas não é a primeira escolha para um paciente com bom estado geral e doença localizada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A quimioterapia sistêmica neoadjuvante (esquemas à base de cisplatina, como MVAC ou GC) seguida de cistectomia radical com linfadenectomia pélvica estendida e derivação urinária é o tratamento padrão-ouro com intenção curativa para carcinoma urotelial de bexiga com invasão muscular (pT2-pT4a, N0M0). A QT neoadjuvante melhora a sobrevida global ao tratar doença micrometastática, e a cistectomia radical com LPE remove a doença local e os linfonodos regionais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cistectomia parcial é uma opção para casos altamente selecionados: tumor único, sem CIS associado, com margem cirúrgica adequada e localização favorável. No caso, o tumor tem 4 cm, é de alto grau e invade a muscular (pT2) — não se enquadra nos critérios de cistectomia parcial, que não é o padrão-ouro para doença músculo-invasiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre doença sem invasão muscular (Ta/T1/CIS → RTU + BCG) e doença com invasão muscular (pT2 → QT neoadjuvante + cistectomia radical). A alternativa A parece atraente porque o BCG é um tratamento "padrão" para câncer de bexiga, mas ele é reservado para doença não invasiva. Guarde a fronteira: pT2 = invasão da muscular própria = doença sistêmica em potencial = QT neoadjuvante + cistectomia.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, identifique primeiro o estadiamento: se o tumor invade a muscular própria (pT2 ou maior), a RTU é apenas diagnóstica. O tratamento curativo é cirúrgico (cistectomia radical + LPE), e a quimioterapia neoadjuvante é adicionada quando o paciente é elegível (bom estado geral, função renal preservada). Se a alternativa trouxer apenas "cistectomia radical" sem mencionar QT neoadjuvante, desconfie — o padrão-ouro atual inclui a QT.

Gabarito: letra D

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