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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2025

MedicinaUrologia
Código
fg105255
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Urologista
Menino de 18 meses de idade, com testículo esquerdo não palpável na bolsa escrotal. O testículo direito está tópico e de tamanho normal. A avaliação hormonal é normal.A conduta mais apropriada para esse paciente com criptorquidia unilateral aos 18 meses de idade é
  1. Aobservação até a puberdade, pois o testículo pode descer espontaneamente.
  2. Biniciar terapia hormonal com hCG para estimular a descida testicular.
  3. Crealizar orquidopexia (cirurgia para fixação do testículo) imediata de urgência.
  4. Drealizar orquidopexia eletiva entre 6 a 18 meses de idade.
  5. Erealizar orquiectomia (remoção do testículo) devido ao risco de malignidade.
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GabaritoD — realizar orquidopexia eletiva entre 6 a 18 meses de idade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Criptorquidia: conduta na criança de 18 meses

Gabarito: letra D. Aos 18 meses, com testículo não palpável e avaliação hormonal normal, a conduta apropriada é a orquidopexia eletiva, que deve ser realizada idealmente entre 6 e 18 meses de idade — a alternativa D espelha exatamente essa janela terapêutica. A cirurgia precoce visa prevenir a degeneração testicular progressiva e reduzir os riscos de infertilidade e malignidade associados à criptorquidia.

A criptorquidia é a falha na migração de um ou ambos os testículos da cavidade abdominal para a bolsa escrotal, podendo o testículo se localizar em qualquer ponto do trajeto normal de migração. No recém-nascido a termo, os testículos já se encontram na bolsa escrotal; quando isso não ocorre, temos a criptorquidia. É fundamental distinguir a criptorquidia dos testículos retráteis, que são uma variação normal devido ao reflexo cremastérico exacerbado — nestes, a bolsa escrotal é bem desenvolvida e o testículo pode ser facilmente trazido para a bolsa, enquanto na criptorquidia a bolsa é hipodesenvolvida e não se consegue trazer o testículo até ela.

A descida espontânea dos testículos costuma ocorrer até os 3 meses nos recém-nascidos a termo e até os 6 meses nos pré-termo. Após 1 ano de idade, a condição permanece em apenas 0,8% a 1,8% dos casos, mantendo-se até a puberdade. A lesão histológica dos testículos retidos inicia a partir dos 6 meses de idade e é irreversível; a partir dos 2 anos, já se identificam alterações histológicas que se intensificam com o aumento da idade. As células de Sertoli mostram lesão a partir do 1º ano de vida. Por isso, a orquidopexia deve ser realizada precocemente, idealmente entre 6 e 18 meses, para preservar a função testicular.

O testículo retido fica exposto a temperaturas mais elevadas (37 °C na cavidade abdominal, 34-35 °C na região inguinal, contra 33 °C na bolsa escrotal), o que desencadeia degeneração progressiva: fibrose intersticial, pouco desenvolvimento tubular e redução do volume. A espermatogênese diminui devido à atrofia dos túbulos seminíferos. Além disso, o risco de transformação maligna é 5-10 vezes maior nos testículos criptorquídicos do que nos eutópicos, e o risco de torção é 10 vezes maior. A videolaparoscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico do testículo impalpável e permite a orquidopexia videolaparoscópica, que deve ser realizada precocemente, a partir dos 4 ou 6 meses de vida.

A terapia hormonal com hCG não é a conduta de primeira linha na criptorquidia unilateral aos 18 meses, sendo a cirurgia o tratamento de escolha. A observação até a puberdade é inadequada, pois a descida espontânea após 1 ano é rara e a lesão testicular já se instalou. A orquidopexia de urgência não se justifica, pois não há emergência — o procedimento é eletivo. A orquiectomia é reservada para casos específicos, como testículo atrófico ou intra-abdominal inviável, não sendo a conduta inicial.

Guarde a fronteira entre o que é eletivo e o que é urgência: a criptorquidia é uma condição que exige correção cirúrgica programada na janela ideal de 6 a 18 meses, enquanto a torção testicular é a emergência que exige exploração cirúrgica imediata. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A observação até a puberdade é inadequada. A descida espontânea do testículo costuma ocorrer até os 3 meses nos recém-nascidos a termo e até os 6 meses nos pré-termo. Após 1 ano de idade, a condição permanece em apenas 0,8% a 1,8% dos casos. Aos 18 meses, a chance de descida espontânea é mínima, e a lesão histológica já se iniciou a partir dos 6 meses, sendo irreversível. Aguardar até a puberdade expõe o testículo a danos progressivos, aumentando o risco de infertilidade e malignidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A terapia hormonal com hCG não é a conduta de primeira linha na criptorquidia unilateral aos 18 meses. Embora o hCG possa ser utilizado em alguns protocolos, a orquidopexia cirúrgica é o tratamento de escolha nessa faixa etária. A avaliação hormonal normal no paciente indica que não há deficiência hormonal que justifique a terapia, e a cirurgia é o procedimento definitivo para posicionar o testículo na bolsa escrotal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A orquidopexia imediata de urgência não se justifica. A criptorquidia não é uma emergência cirúrgica — o procedimento é eletivo e deve ser realizado na janela ideal de 6 a 18 meses. A urgência cirúrgica escrotal é a torção testicular, que exige exploração imediata. No caso descrito, não há sinais de torção (dor aguda, edema, náuseas), apenas testículo não palpável, o que configura um quadro eletivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A orquidopexia eletiva entre 6 e 18 meses é a conduta apropriada. A cirurgia precoce visa prevenir a degeneração testicular progressiva, que se inicia a partir dos 6 meses de idade e é irreversível. Aos 18 meses, o paciente está dentro da janela terapêutica ideal, e a orquidopexia deve ser realizada para posicionar o testículo na bolsa escrotal, preservando a função testicular e reduzindo os riscos de infertilidade e malignidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A orquiectomia (remoção do testículo) não é a conduta inicial. Embora o risco de malignidade seja 5-10 vezes maior nos testículos criptorquídicos, a orquiectomia é reservada para casos específicos, como testículo atrófico, intra-abdominal inviável ou com suspeita de malignidade. Na criptorquidia unilateral aos 18 meses, com avaliação hormonal normal, a conduta é a orquidopexia para preservar o testículo, não a remoção.

Gabarito: letra D

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