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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2025

MedicinaUrologia
Código
fg105269
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Urologista
Menino de 1 ano de idade apresenta aumento de volume indolor na bolsa escrotal direita, que é mais evidente ao final do dia e diminui após o sono. O exame físico revela uma massa que transilumina e que não é redutível.Assinale a opção que apresenta a etiologia mais provável para este tipo de hidrocele em um paciente pediátrico e a conduta inicial mais recomendada.
  1. AHidrocele não comunicante; indicação de cirurgia imediata.
  2. BHidrocele comunicante; indicação de cirurgia eletiva após ano de idade.
  3. CHidrocele comunicante; indicação de cirurgia eletiva após anos de idade.
  4. DHérnia inguinal encarcerada; indicação de redução manual.
  5. EHidrocele não comunicante; indicação de punção aspirativa.
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GabaritoC — Hidrocele comunicante; indicação de cirurgia eletiva após anos de idade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hidrocele comunicante em pediatria: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra C. O quadro — aumento de volume indolor na bolsa escrotal, mais evidente ao final do dia e que diminui após o sono, com transiluminação positiva e não redutível — é clássico de hidrocele comunicante em criança. A conduta inicial recomendada é a cirurgia eletiva após os 2 anos de idade, pois há chance de resolução espontânea até essa idade; após esse período, a persistência indica correção cirúrgica. A alternativa C é a única que combina corretamente a etiologia e a conduta.

A hidrocele é o acúmulo de líquido seroso entre as túnicas vaginais que envolvem o testículo e o cordão espermático. Em recém-nascidos e lactentes, a causa mais comum é o fechamento incompleto do processo vaginal (conduto peritoneovaginal), que mantém uma comunicação entre a cavidade peritoneal e o escroto. Essa comunicação permite que o líquido peritoneal desça para a bolsa escrotal, o que explica a variação de volume ao longo do dia: ao acordar, após o repouso em decúbito, o escroto está menor; ao final do dia, com o paciente em ortostatismo, o líquido se acumula e o volume aumenta. Essa flutuação é o sinal clínico que distingue a hidrocele comunicante da não comunicante.

A hidrocele não comunicante é congênita, está presente desde o nascimento, não varia de volume durante o dia e é autolimitada, com absorção espontânea geralmente no primeiro ano de vida. Já a comunicante pode ser congênita ou aparecer posteriormente, e a persistência após o primeiro ano de idade levanta a suspeita de comunicação persistente. O diagnóstico é clínico, confirmado pela transiluminação escrotal — a hidrocele e os cistos são translúcidos, enquanto hérnias e tumores são opacos. No caso descrito, a transiluminação positiva e a não redutibilidade afastam a hérnia inguinal encarcerada, que costuma ser dolorosa, não transilumina e pode apresentar sinais de obstrução intestinal.

A conduta na hidrocele comunicante em crianças é expectante até os 2 anos de idade, pois há possibilidade de fechamento espontâneo do processo vaginal. Após essa idade, se a hidrocele persistir, está indicada a correção cirúrgica eletiva (hidrocelectomia com ligadura do conduto peritoneovaginal). A cirurgia não é imediata, pois não se trata de emergência, e a punção aspirativa não é recomendada como tratamento inicial em crianças, pois tem alta taxa de recorrência e risco de lesão de estruturas escrotais.

A distinção entre hidrocele comunicante e não comunicante é o ponto central da questão. A banca explora a confusão entre a conduta expectante até os 2 anos e a cirurgia imediata ou após o primeiro ano. O quadro clínico apresentado — variação de volume ao longo do dia — é o dado que define a comunicação, e a conduta correta é a cirurgia eletiva após os 2 anos de idade.

Hidrocele em pediatria
  • 1Comunicante
    • Varia de volume ao longo do dia
    • Transiluminação positiva
    • Conduta: expectante até 2 anos
      • Resolução espontânea
      • Persistiu → cirurgia eletiva
  • 2Não comunicante
    • Não varia de volume
    • Autolimitada (1º ano)
    • Conduta: expectante
  • 3Diagnóstico diferencial
    • Hérnia inguinal encarcerada
      • Dolorosa
      • Não transilumina
      • Não redutível
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se trata de hidrocele não comunicante e indica cirurgia imediata. O erro é duplo: o quadro clínico com variação de volume ao longo do dia é típico de hidrocele comunicante, e a conduta para hidrocele não comunicante em criança menor de 2 anos é expectante, não cirúrgica imediata. A hidrocele não comunicante é autolimitada e absorve espontaneamente no primeiro ano de vida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Acerta a etiologia (hidrocele comunicante), mas erra a conduta ao indicar cirurgia eletiva após 1 ano de idade. A conduta correta é expectante até os 2 anos, pois há chance de resolução espontânea. A cirurgia está indicada apenas se a hidrocele persistir após os 2 anos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Identifica corretamente a hidrocele comunicante — o quadro de aumento de volume ao final do dia e diminuição após o sono é o sinal clássico de comunicação com a cavidade peritoneal — e indica a conduta correta: cirurgia eletiva após os 2 anos de idade, quando a resolução espontânea não ocorreu. A transiluminação positiva confirma o diagnóstico de hidrocele, e a não redutibilidade afasta a hérnia inguinal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diagnostica hérnia inguinal encarcerada, o que não se sustenta: a hérnia encarcerada é dolorosa, não transilumina e costuma apresentar sinais de obstrução intestinal. A transiluminação positiva e a ausência de dor indicam hidrocele. Além disso, a redução manual de hérnia encarcerada é uma manobra de emergência, não a conduta inicial para o quadro descrito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra a etiologia (hidrocele não comunicante) e a conduta (punção aspirativa). A punção aspirativa não é recomendada como tratamento inicial em crianças, pois tem alta taxa de recorrência e risco de complicações. A conduta para hidrocele não comunicante em criança é expectante, e a cirurgia é indicada apenas se persistir após os 2 anos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a conduta correta (cirurgia eletiva após 2 anos) por prazos errados (cirurgia imediata ou após 1 ano) e inverte a etiologia (não comunicante em vez de comunicante). O dado que desarma a pegadinha é a variação de volume ao longo do dia — sinal patognomônico de hidrocele comunicante. Com treino, você reconhece esse padrão de imediato 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar hidrocele comunicante de não comunicante, lembre-se: comunicante varia de volume ao longo do dia (maior ao final do dia, menor após o sono); não comunicante não varia e é autolimitada. Na conduta, guarde o marco dos 2 anos: antes, expectante; depois, cirurgia eletiva.

Gabarito: letra C

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