Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — FGV 2025
Português›Funções morfossintáticas da palavra QUE
Código
fg105506
Banca
FGV
Órgão
AL-AM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Redator
Entre as frases abaixo, retiradas do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, aquela em que a expressão “é que” é expletiva, ou seja, não faz parte da estrutura sintática da frase, é a seguinte:
A“A casa era a da Rua de Matacavalos, o mês de novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.”
B“— Verdade é que cada um sabe melhor de si, continuou tio Cosme;”
C“Já não tinha voz, mas teimava em dizer que a tinha. “O desuso é que me faz mal”, acrescentava.”
D“Tudo é que você não tenha medo, mostre que há de vir a ser dono da casa, mostre que quer e que pode.”
E“A soma era enorme. A razão é que eu andava carregado de promessas não cumpridas. A última foi de duzentos padrenossos e duzentas ave-marias, se não chovesse em certa tarde de passeio a Santa Teresa.”
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GabaritoA — “A casa era a da Rua de Matacavalos, o mês de novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.”
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Expressão expletiva "é que" em Dom Casmurro
Gabarito: letra A. A única alternativa em que "é que" é expletivo é a A. No trecho "o ano é que é um tanto remoto", a supressão de "é que" resulta na frase gramatical "o ano é um tanto remoto". Nas demais, a partícula é parte integrante da estrutura.
"É que" expletivo
1Retirada mantém gramaticalidade
2Faz parte da estrutura
Oração principal
Pronome relativo
Verbo de ligação
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“A casa era a da Rua de Matacavalos, o mês de novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857.”
Ao retirar "é que", obtém-se "o ano é um tanto remoto", oração completa com verbo "ser". A expressão apenas realça, sem função sintática.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“— Verdade é que cada um sabe melhor de si, continuou tio Cosme;”
A estrutura "Verdade é que" equivale a "A verdade é que". Removendo "é que", teríamos "Verdade cada um sabe melhor de si", agramatical. Portanto, "é que" faz parte da oração principal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Já não tinha voz, mas teimava em dizer que a tinha. “O desuso é que me faz mal”, acrescentava.”
Aqui "é que" integra uma construção de relativo: "O desuso é [que me faz mal]". Se suprimirmos "é que", obtemos "O desuso me faz mal", que é uma frase diferente — a original tem o verbo "é" como principal, e "que" como pronome relativo. Logo, não é expletivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Tudo é que você não tenha medo, mostre que há de vir a ser dono da casa, mostre que quer e que pode.”
A retirada de "é que" produz "Tudo você não tenha medo", agramatical. "É que" é parte do predicado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“A soma era enorme. A razão é que eu andava carregado de promessas não cumpridas. A última foi de duzentos padrenossos e duzentas ave-marias, se não chovesse em certa tarde de passeio a Santa Teresa.”
Sem "é que": "A razão eu andava carregado" — ausência de verbo de ligação, agramatical. "É que" é parte do verbo.
Conclusão: Apenas em A a expressão "é que" é expletiva, como no clássico uso de realce. Gabarito: letra A.