Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
fg107287
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista em Geociências - Biologia
Ailton Krenak, pensador indígena brasileiro, tem alertado que a humanidade se afastou da Terra, tornando-se uma “filha desnaturada” ao romper a relação de cuidado com o solo e a vida. Já Ana Maria Primavesi, agrônoma e pioneira da agroecologia no Brasil, destacou que a saúde do solo, sua vida microbiana, matéria orgânica e capacidade de regeneração é a base para o desenvolvimento de agroecossistemas sustentáveis.Nesse contexto, valorizar a força do solo significa
Aseguir práticas agroecológicas apenas para espécies de alto valor econômico, tratando o restante do solo como recurso secundário sem necessidade de manejo diferenciado.
Bpriorizar práticas de conservação que mantenham a fertilidade química do solo, entendendo-a como suficiente para garantir sua produtividade a longo prazo.
Cconfiar apenas na produtividade imediata do solo, utilizando práticas de manejo que aumentem a produção, mesmo que a vida microbiana e os ciclos naturais sejam comprometidos.
Dadotar certificações internacionais como principal indicador de solo saudável e sustentável, independentemente das práticas locais ou do cuidado com a vida do solo.
Ereconhecer o solo como organismo vivo, cuja fertilidade depende da interação entre processos ecológicos, práticas agrícolas respeitosas e saberes ancestrais sobre a vida da Terra.
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GabaritoE — reconhecer o solo como organismo vivo, cuja fertilidade depende da interação entre processos ecológicos, práticas agrícolas respeitosas e saberes ancestrais sobre a vida da Terra.
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Solo como organismo vivo: a visão agroecológica
Gabarito: letra E. Valorizar a força do solo, no contexto apresentado por Ailton Krenak e Ana Maria Primavesi, significa reconhecê-lo como um organismo vivo, cuja fertilidade depende da interação entre processos ecológicos, práticas agrícolas respeitosas e saberes ancestrais. Essa é a única alternativa que sintetiza a perspectiva agroecológica e a crítica à visão meramente química ou produtivista do solo.
A questão cobra a compreensão do solo como um sistema vivo e dinâmico, não como um mero substrato inerte. A agroecologia, ciência que integra conhecimentos ecológicos e agronômicos, parte do princípio de que a saúde do solo é a base da sustentabilidade dos agroecossistemas. Isso envolve a manutenção da vida microbiana, da matéria orgânica e dos ciclos biogeoquímicos, que são responsáveis pela fertilidade natural e pela capacidade de regeneração do solo.
A visão de Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil, é central: ela defendia que o solo é um organismo vivo, e que a sua fertilidade não se resume à presença de nutrientes químicos, mas depende de uma complexa teia de interações biológicas, físicas e químicas. Da mesma forma, a crítica de Ailton Krenak à "filha desnaturada" aponta para a necessidade de uma relação de cuidado e respeito com a Terra, rompendo com a lógica de exploração predatória.
As demais alternativas representam visões reducionistas ou equivocadas, que contrariam os princípios da agroecologia e a ideia de sustentabilidade. Vamos analisar cada uma.
Solo como organismo vivo
1Fertilidade integrada
Processos ecológicos
Práticas agrícolas respeitosas
Saberes ancestrais
2Visões reducionistas (erradas)
Fragmentar por valor econômico
Reduzir à química
Priorizar curto prazo
Substituir cuidado por certificação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Esta alternativa propõe aplicar práticas agroecológicas apenas a espécies de alto valor econômico, tratando o restante do solo como recurso secundário. Isso é contrário à visão holística da agroecologia, que considera o solo como um todo integrado. A saúde do solo não pode ser fragmentada: a vida microbiana e os processos ecológicos que sustentam a fertilidade atuam em todo o sistema, não apenas em áreas de cultivo de alto valor. A alternativa reflete uma lógica mercantilista, que prioriza o lucro em detrimento da sustentabilidade, exatamente o oposto do que defendem os autores citados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a fertilidade química do solo é suficiente para garantir sua produtividade a longo prazo. Isso é um erro conceitual: a fertilidade do solo não é apenas química, mas também física e biológica. A vida microbiana, a matéria orgânica e a estrutura do solo são fundamentais para a ciclagem de nutrientes, a retenção de água e a resistência a erosão. Uma abordagem exclusivamente química, baseada na adição de fertilizantes sintéticos, pode até aumentar a produtividade no curto prazo, mas degrada o solo ao longo do tempo, comprometendo sua capacidade de regeneração. A agroecologia, ao contrário, busca manter e melhorar a fertilidade de forma integrada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa prioriza a produtividade imediata, mesmo que isso comprometa a vida microbiana e os ciclos naturais. Essa é a lógica da agricultura convencional intensiva, que utiliza práticas como o uso excessivo de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, causando degradação do solo, perda de biodiversidade e contaminação ambiental. A agroecologia, por outro lado, busca a sustentabilidade a longo prazo, equilibrando a produção com a conservação dos recursos naturais. A alternativa contraria diretamente a visão de Primavesi, que destacava a importância da vida microbiana e da matéria orgânica para a saúde do solo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que certificações internacionais são o principal indicador de solo saudável, independentemente das práticas locais. Isso é uma visão burocrática e superficial. Certificações podem ser ferramentas úteis, mas não substituem o cuidado real com o solo. A saúde do solo é avaliada por indicadores ecológicos, como a presença de organismos, a matéria orgânica e a estrutura, e não por selos ou documentos. Além disso, a agroecologia valoriza os saberes locais e ancestrais, que muitas vezes não são capturados por certificações padronizadas. A alternativa desconsidera a importância do contexto local e das práticas efetivas de manejo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa sintetiza perfeitamente a visão agroecológica e o pensamento dos autores citados. Reconhecer o solo como um organismo vivo significa entender que sua fertilidade é resultado de uma complexa interação entre processos ecológicos (como a ciclagem de nutrientes e a atividade microbiana), práticas agrícolas respeitosas (como a rotação de culturas, a adubação orgânica e o plantio direto) e saberes ancestrais (como os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e comunidades locais). Essa visão integrada é a base para o desenvolvimento de agroecossistemas sustentáveis, que conciliam produção de alimentos com conservação ambiental.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a visão agroecológica (solo como organismo vivo) e a visão convencional (solo como substrato químico). As alternativas A, B, C e D representam distorções dessa visão, cada uma com um erro específico: A fragmenta o solo por valor econômico, B reduz a fertilidade à química, C prioriza o curto prazo e D substitui o cuidado real por certificações. A alternativa E é a única que abrange a complexidade do solo como sistema vivo. Fique atento a essas armadilhas em questões sobre agroecologia e sustentabilidade.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre agroecologia, lembre-se dos princípios-chave: solo como organismo vivo, importância da biodiversidade, ciclagem de nutrientes, manejo integrado e valorização dos saberes locais. Quando uma alternativa mencionar apenas um aspecto (químico, econômico, imediato), desconfie: a agroecologia é sempre holística e integradora.