Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025
- Código
- fg107295
- Banca
- FGV
- Órgão
- CPRM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista em Geociências - Biologia
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CI e II, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoC — I e II, apenas.
Gabarito: letra C. No resgate de flora, são práticas corretas o transplante de mudas ou árvores jovens para locais seguros (I) e a coleta de sementes e propágulos para conservação em viveiros (II). O descarte da vegetação nativa em aterros licenciados (III) não é uma forma de compensação ambiental — é, na verdade, um desperdício do material genético e uma prática que contraria os objetivos do resgate, que visam preservar e aproveitar o material vegetal.
O resgate de flora é uma medida de conservação adotada em áreas que serão suprimidas ou alteradas (como em obras de infraestrutura ou mineração). Seu objetivo é salvar o máximo possível do material genético — plantas, sementes, propágulos — para que ele seja utilizado na recuperação de outras áreas ou em programas de conservação. As práticas I e II são exatamente isso: o transplante preserva indivíduos vivos, e a coleta de sementes/propágulos permite a multiplicação da espécie em viveiros. Já o descarte em aterro é o oposto: joga fora o material que poderia ser aproveitado, não compensa nada — compensação ambiental envolve ações como a destinação de recursos para unidades de conservação ou a recuperação de áreas degradadas, nunca o descarte da vegetação.
A banca explora aqui a confusão entre "descarte" e "compensação". O candidato que marca a letra E (I, II e III) provavelmente pensou que "descartar em aterro licenciado" seria uma forma de destinar corretamente os resíduos — mas, no contexto do resgate de flora, a vegetação nativa não é resíduo: é recurso genético a ser preservado. A prática III é, portanto, incorreta.
O transplante de mudas ou árvores jovens para locais seguros é uma prática clássica de resgate de flora. Ao mover os indivíduos para uma área protegida (como um viveiro ou uma área de soltura), preserva-se o material genético e a possibilidade de reintrodução futura. É uma medida de conservação ex situ (fora do habitat natural) ou in situ (em área próxima), dependendo do destino.
A coleta de sementes e propágulos para conservação em viveiros é outra prática fundamental. As sementes podem ser armazenadas em bancos de germoplasma ou germinadas em viveiros, garantindo a perpetuação da espécie. É uma medida de conservação ex situ que permite a produção de mudas para recuperação de áreas degradadas.
O descarte da vegetação nativa em aterros licenciados não é compensação ambiental. Compensação ambiental é um instrumento que busca neutralizar ou minimizar os impactos de um empreendimento, geralmente por meio de ações como a criação de unidades de conservação, a recuperação de áreas degradadas ou o apoio a projetos de conservação. Descartar a vegetação em aterro é simplesmente perder o material genético — não compensa nada, apenas elimina o recurso. Além disso, a vegetação nativa tem valor ecológico e genético que deve ser aproveitado, não descartado.
A banca tenta fazer você acreditar que "descartar em aterro licenciado" é uma destinação ambientalmente correta. Mas o resgate de flora não é sobre descartar — é sobre aproveitar. A vegetação nativa não é lixo; é um banco genético vivo. Se a alternativa diz "descarte", desconfie: no contexto de conservação, descartar é sempre o oposto do que se quer.
Gabarito: letra C — corretos apenas os itens I e II.
Link permanente: /questoes/fg107295