Pular para o conteúdo principal

Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025

BiologiaEcologia e ciências ambientais
Código
fg107303
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista em Geociências - Biologia
O aumento da ocorrência de eventos extremos de enchentes, como os registrados no Rio Grande do Sul em 2024, ressaltou ainda mais a importância da previsão de enchentes para mitigação de danos. O geoprocessamento constitui uma ferramenta fundamental para identificar áreas mais suscetíveis a enchentes. Nesse cenário, considere as assertivas:I. Mapeamento de uso e cobertura do solo;II. Análise hipsométrica da bacia hidrográfica;III. Mapas de distribuição de espécies ameaçadas.É essencial para o mapeamento de risco de enchente o que está descrito em
  1. AI e III, apenas.
  2. BI e II, apenas.
  3. CII, apenas.
  4. DII e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — I e II, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mapeamento de risco de enchente com geoprocessamento

Gabarito: letra B — são essenciais os itens I e II, apenas. O mapeamento de risco de enchente exige conhecer a ocupação do solo (uso e cobertura) e o relevo da bacia (hipsometria), pois são esses fatores que determinam onde e como a água se acumula e escoa. O item III (mapas de distribuição de espécies ameaçadas) é irrelevante para esse fim, sendo um dado de conservação da biodiversidade, não de suscetibilidade a inundações.

O geoprocessamento é a ferramenta que integra dados espaciais para analisar fenômenos geográficos. No caso de enchentes, o objetivo é identificar áreas suscetíveis, ou seja, onde a água tende a se acumular ou onde o escoamento é dificultado. Para isso, dois tipos de informação são fundamentais:

  1. Uso e cobertura do solo: mostra como a superfície está ocupada — áreas urbanizadas, vegetação, solo exposto, agricultura. A impermeabilização do solo (asfalto, concreto) aumenta o escoamento superficial e reduz a infiltração, agravando enchentes. Áreas com vegetação, ao contrário, retêm água e reduzem o pico de cheia. Portanto, saber onde há solo impermeabilizado é essencial para prever onde a água vai escoar com mais velocidade e volume.

  1. Análise hipsométrica: refere-se ao relevo da bacia — as cotas de altitude. A hipsometria permite identificar as áreas mais baixas, que são naturalmente mais suscetíveis a alagamentos, e entender o comportamento do escoamento superficial (declividade, direção do fluxo). É um dado topográfico básico para qualquer modelo de inundação.

Já o mapa de distribuição de espécies ameaçadas é um instrumento da biologia da conservação, usado para planejar unidades de conservação, corredores ecológicos e políticas de proteção da biodiversidade. Não tem relação direta com a dinâmica hidrológica que causa enchentes — a presença de uma espécie ameaçada não altera a suscetibilidade de uma área a inundações.

A banca explora a confusão entre "dados ambientais" e "dados relevantes para o fenômeno específico". O item III é um dado ambiental, mas não é um dado que contribua para o mapeamento de risco de enchente. A pegadinha está em considerar que qualquer informação sobre o meio ambiente serve para qualquer análise ambiental — mas cada problema exige variáveis específicas.

1Uso e cobertura do solo
Impermeabilização (escoamento)
Vegetação (infiltração)
2Análise hipsométrica
Cotas baixas (alagamento)
Declividade (velocidade)
3Espécies ameaçadas
Conservação da biodiversidade
Não influencia hidrologia
Mapeamento de risco de enchente
LEVELsoulevel.com.br
Mapeamento de risco de enchente: Uso e cobertura do solo (Impermeabilização (escoamento), Vegetação (infiltração)); Análise hipsométrica (Cotas baixas (alagamento), Declividade (velocidade)); Espécies ameaçadas (Conservação da biodiversidade, Não influencia hidrologia)

Item I — ✅ Correto

O mapeamento de uso e cobertura do solo é essencial. Ele revela a impermeabilização (áreas urbanas, estradas) e a vegetação, que controlam a infiltração e o escoamento superficial. Sem esse dado, não é possível estimar o volume de água que escoa para os rios e canais, nem identificar áreas onde a urbanização aumentou o risco.

Item II — ✅ Correto

A análise hipsométrica (relevo, altitudes) é fundamental para saber quais áreas estão em cotas baixas e, portanto, mais sujeitas a alagamentos. A declividade influencia a velocidade do escoamento e a capacidade de drenagem. É um dado topográfico básico para modelos de inundação.

Item III — ❌ Incorreto

Mapas de distribuição de espécies ameaçadas são usados em biologia da conservação, para proteger a biodiversidade. Não interferem na dinâmica de enchentes — a presença de uma espécie não altera a suscetibilidade de uma área a inundações. Portanto, não é essencial para o mapeamento de risco de enchente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você incluir o item III por ser um "dado ambiental". Mas o mapeamento de risco de enchente exige apenas variáveis que influenciam o comportamento da água: ocupação do solo e relevo. Espécies ameaçadas são tema de conservação, não de hidrologia. Fique atento: nem todo dado ambiental serve para qualquer análise ambiental — cada problema pede suas variáveis específicas.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de geoprocessamento aplicado a riscos ambientais, pergunte-se: "esse dado influencia diretamente o fenômeno estudado?". Para enchentes, pense em solo (uso/cobertura) e relevo (hipsometria). Para deslizamentos, pense em declividade, tipo de solo e vegetação. Para conservação, pense em espécies e habitats. Essa lógica resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra B — corretos apenas os itens I e II.

Link permanente: /questoes/fg107303