Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025
- Código
- fg107303
- Banca
- FGV
- Órgão
- CPRM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista em Geociências - Biologia
- AI e III, apenas.
- BI e II, apenas.
- CII, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoB — I e II, apenas.
Gabarito: letra B — são essenciais os itens I e II, apenas. O mapeamento de risco de enchente exige conhecer a ocupação do solo (uso e cobertura) e o relevo da bacia (hipsometria), pois são esses fatores que determinam onde e como a água se acumula e escoa. O item III (mapas de distribuição de espécies ameaçadas) é irrelevante para esse fim, sendo um dado de conservação da biodiversidade, não de suscetibilidade a inundações.
O geoprocessamento é a ferramenta que integra dados espaciais para analisar fenômenos geográficos. No caso de enchentes, o objetivo é identificar áreas suscetíveis, ou seja, onde a água tende a se acumular ou onde o escoamento é dificultado. Para isso, dois tipos de informação são fundamentais:
Uso e cobertura do solo: mostra como a superfície está ocupada — áreas urbanizadas, vegetação, solo exposto, agricultura. A impermeabilização do solo (asfalto, concreto) aumenta o escoamento superficial e reduz a infiltração, agravando enchentes. Áreas com vegetação, ao contrário, retêm água e reduzem o pico de cheia. Portanto, saber onde há solo impermeabilizado é essencial para prever onde a água vai escoar com mais velocidade e volume.
Análise hipsométrica: refere-se ao relevo da bacia — as cotas de altitude. A hipsometria permite identificar as áreas mais baixas, que são naturalmente mais suscetíveis a alagamentos, e entender o comportamento do escoamento superficial (declividade, direção do fluxo). É um dado topográfico básico para qualquer modelo de inundação.
Já o mapa de distribuição de espécies ameaçadas é um instrumento da biologia da conservação, usado para planejar unidades de conservação, corredores ecológicos e políticas de proteção da biodiversidade. Não tem relação direta com a dinâmica hidrológica que causa enchentes — a presença de uma espécie ameaçada não altera a suscetibilidade de uma área a inundações.
A banca explora a confusão entre "dados ambientais" e "dados relevantes para o fenômeno específico". O item III é um dado ambiental, mas não é um dado que contribua para o mapeamento de risco de enchente. A pegadinha está em considerar que qualquer informação sobre o meio ambiente serve para qualquer análise ambiental — mas cada problema exige variáveis específicas.
O mapeamento de uso e cobertura do solo é essencial. Ele revela a impermeabilização (áreas urbanas, estradas) e a vegetação, que controlam a infiltração e o escoamento superficial. Sem esse dado, não é possível estimar o volume de água que escoa para os rios e canais, nem identificar áreas onde a urbanização aumentou o risco.
A análise hipsométrica (relevo, altitudes) é fundamental para saber quais áreas estão em cotas baixas e, portanto, mais sujeitas a alagamentos. A declividade influencia a velocidade do escoamento e a capacidade de drenagem. É um dado topográfico básico para modelos de inundação.
Mapas de distribuição de espécies ameaçadas são usados em biologia da conservação, para proteger a biodiversidade. Não interferem na dinâmica de enchentes — a presença de uma espécie não altera a suscetibilidade de uma área a inundações. Portanto, não é essencial para o mapeamento de risco de enchente.
A banca tenta fazer você incluir o item III por ser um "dado ambiental". Mas o mapeamento de risco de enchente exige apenas variáveis que influenciam o comportamento da água: ocupação do solo e relevo. Espécies ameaçadas são tema de conservação, não de hidrologia. Fique atento: nem todo dado ambiental serve para qualquer análise ambiental — cada problema pede suas variáveis específicas.
Para questões de geoprocessamento aplicado a riscos ambientais, pergunte-se: "esse dado influencia diretamente o fenômeno estudado?". Para enchentes, pense em solo (uso/cobertura) e relevo (hipsometria). Para deslizamentos, pense em declividade, tipo de solo e vegetação. Para conservação, pense em espécies e habitats. Essa lógica resolve a maioria das questões.
Gabarito: letra B — corretos apenas os itens I e II.
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