Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025
- Código
- fg107310
- Banca
- FGV
- Órgão
- CPRM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista em Geociências - Biologia
- AV – V – F.
- BV – F – V.
- CF – F – V.
- DV – F – F.
- EF – V – V.
GabaritoD — V – F – F.
Gabarito: letra D — sequência V – F – F. A afirmativa I é verdadeira: redes de micorrizas podem conectar plantas e transferir água e nutrientes entre elas, aumentando a sobrevivência em períodos de escassez. A afirmativa II é falsa porque o gênero Rhizobium é de bactérias, não fungos. A afirmativa III é falsa porque a fixação biológica de nitrogênio transforma o N₂ em amônia (NH₃), não em nitrito (NO₂⁻). A questão mistura conceitos de relações ecológicas e ciclos biogeoquímicos, cobrando precisão sobre os organismos envolvidos e os produtos das reações.
As interações ecológicas benéficas entre plantas, fungos e bactérias são fundamentais para a ciclagem de nutrientes e a produtividade dos ecossistemas. Dois exemplos clássicos são as micorrizas e a fixação biológica de nitrogênio. As micorrizas são associações mutualísticas entre fungos e raízes de plantas: o fungo recebe carboidratos da planta e, em troca, aumenta a absorção de água e nutrientes minerais, especialmente fósforo. Além disso, as hifas dos fungos podem conectar plantas diferentes, formando redes que permitem a transferência de água, nutrientes e até sinais químicos entre indivíduos vizinhos. Isso é particularmente importante em situações de estresse, como seca ou baixa disponibilidade de nutrientes, pois plantas conectadas podem compartilhar recursos, aumentando a sobrevivência da comunidade.
A fixação biológica de nitrogênio é um processo realizado exclusivamente por bactérias (e cianobactérias), nunca por fungos. As bactérias do gênero Rhizobium vivem em nódulos nas raízes de leguminosas e convertem o nitrogênio gasoso (N₂) em amônia (NH₃), que é a forma assimilável pelas plantas. Esse processo é mediado pela enzima nitrogenase. A amônia pode ser incorporada em aminoácidos e outros compostos nitrogenados. Já o nitrito (NO₂⁻) é um produto intermediário da nitrificação, um processo realizado por bactérias nitrificantes (como Nitrosomonas), que oxidam amônia a nitrito e depois a nitrato (NO₃⁻). Portanto, a afirmativa III confunde fixação com nitrificação.
A banca explora três conhecimentos básicos de ecologia: (1) o papel das micorrizas como extensão das raízes e sua capacidade de conectar plantas vizinhas; (2) a identidade dos organismos fixadores de nitrogênio — bactérias do gênero Rhizobium (e também cianobactérias e outras bactérias de vida livre), nunca fungos; (3) o produto imediato da fixação biológica, que é a amônia, e não o nitrito. Vamos analisar cada item com calma.
A afirmativa está correta. As micorrizas são associações mutualísticas entre fungos e raízes de plantas. As hifas dos fungos formam uma rede que pode conectar plantas diferentes, permitindo a transferência de água e nutrientes minerais entre elas. Esse compartilhamento de recursos aumenta a sobrevivência das plantas em períodos de escassez, pois plantas conectadas podem suprir umas às outras. O texto-base menciona que as raízes de muitas plantas são colonizadas por fungos especialistas, formando micorrizas, e que essas associações são benéficas para ambas as partes. A transferência de nutrientes entre plantas via micorrizas é um fenômeno bem documentado na literatura ecológica.
A afirmativa é falsa porque atribui a fixação de nitrogênio a um fungo do gênero Rhizobium. Na verdade, Rhizobium é um gênero de bactérias que vivem em nódulos nas raízes de leguminosas e realizam a fixação biológica de nitrogênio, convertendo N₂ em amônia. Fungos não fixam nitrogênio atmosférico. O erro está na classificação do organismo: a banca troca bactéria por fungo, uma pegadinha clássica. O restante da afirmativa (que a fixação torna o nitrogênio disponível para as plantas) está correto, mas o sujeito está errado, tornando a afirmativa falsa.
A afirmativa é falsa porque o produto da fixação biológica de nitrogênio é a amônia (NH₃), não o nitrito (NO₂⁻). A fixação é a conversão de N₂ em NH₃, realizada por bactérias fixadoras. O nitrito é um produto intermediário da nitrificação, processo realizado por bactérias nitrificantes (como Nitrosomonas), que oxidam amônia a nitrito e depois a nitrato. Portanto, a afirmativa confunde fixação com nitrificação, um erro conceitual comum.
A banca adora trocar os agentes e os produtos das reações do ciclo do nitrogênio. Aqui, ela trocou bactéria por fungo no item II e amônia por nitrito no item III. Fique atento: fixação = N₂ → NH₃ (bactérias); nitrificação = NH₃ → NO₂⁻ → NO₃⁻ (bactérias nitrificantes). Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Para não errar, monte um mapa mental do ciclo do nitrogênio: fixação (N₂ → NH₃), nitrificação (NH₃ → NO₂⁻ → NO₃⁻), assimilação (plantas absorvem NH₄⁺ e NO₃⁻), amonificação (decompositores liberam NH₄⁺) e desnitrificação (NO₃⁻ → N₂). Associe cada etapa ao organismo responsável: bactérias fixadoras, nitrificantes, desnitrificantes e fungos/bactérias decompositores. Isso cobre a maioria das questões sobre o tema.
Gabarito: letra D — sequência V – F – F.
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