Questão de Biologia — Relações ecológicas — FGV 2025
Biologia›Relações ecológicas
Código
fg107315
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista em Geociências - Biologia
De acordo com o Conceito do Rio Contínuo ou Contínuo Fluvial (River Continuum Concept – RCC), a estrutura e o funcionamento de comunidades aquáticas variam ao longo do gradiente longitudinal de um rio.Considerando esse modelo, assinale a opção correta.
ANos trechos de cabeceira, predomina a produção primária autóctone, com abundância de algas filamentosas e baixa entrada de matéria orgânica alóctone.
BEm rios de ordens entre 4 e 6, a relação produção primária/respiração tende a ser maior que 1, devido à maior penetração de luz e abundância de algas perifíticas e fitoplâncton.
CNos trechos de ordem acima de 7, a produção primária autóctone é dominante, pois a largura do canal permite alta penetração de luz e elevada taxa fotossintética em toda a coluna d’água.
DO RCC afirma que a composição de organismos aquáticos é homogênea ao longo de todo o rio, já que o gradiente longitudinal não afeta a disponibilidade de energia e nutrientes.
EO RCC tem como foco apenas a velocidade da correnteza nos trechos dos rios.
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GabaritoB — Em rios de ordens entre 4 e 6, a relação produção primária/respiração tende a ser maior que 1, devido à maior penetração de luz e abundância de algas perifíticas e fitoplâncton.
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Conceito do Rio Contínuo (River Continuum Concept – RCC)
Gabarito: letra B. No RCC, em rios de ordens intermediárias (4 a 6), a produção primária autóctone (algas perifíticas e fitoplâncton) tende a superar a respiração, resultando em relação P/R > 1, devido à maior penetração de luz e à menor influência da vegetação ripária. As demais alternativas invertem ou distorcem os padrões do modelo.
O River Continuum Concept (Vannote et al., 1980) descreve como a estrutura e o funcionamento de comunidades aquáticas mudam ao longo do gradiente longitudinal de um rio, desde a cabeceira até a foz. O modelo prevê uma mudança contínua nas fontes de energia e nos organismos dominantes, em resposta a fatores como largura do canal, sombreamento pela vegetação ripária, entrada de matéria orgânica alóctone e produção primária autóctone.
Nos trechos de cabeceira (ordens 1 a 3), o canal é estreito e sombreado pela vegetação ripária, o que limita a fotossíntese. A principal fonte de energia é a matéria orgânica alóctone (folhas, galhos, detritos) que cai no rio. A relação P/R é menor que 1 (heterotrofia).
Nos trechos intermediários (ordens 4 a 6), o canal se alarga, a luz penetra mais e a vegetação ripária tem menos influência. A produção primária autóctone (algas perifíticas e fitoplâncton) aumenta, e a relação P/R tende a ser maior que 1 (autotrofia).
Nos trechos de grande porte (ordens acima de 7), o rio é largo e profundo, a turbidez aumenta e a luz não penetra em toda a coluna d'água. A produção primária autóctone diminui, e a relação P/R volta a ser menor que 1 (heterotrofia), com a matéria orgânica vinda de montante e das planícies de inundação.
A alternativa B está correta porque descreve exatamente o padrão esperado para rios de ordens 4 a 6: maior penetração de luz e abundância de algas perifíticas e fitoplâncton, resultando em P/R > 1.
1Cabeceiras (1-3): P/R < 1
2Trechos médios (4-6): P/R > 1
3Grandes rios (7+): P/R < 1
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que nos trechos de cabeceira predomina a produção primária autóctone, com abundância de algas filamentosas e baixa entrada de matéria orgânica alóctone. Erro: inverte o padrão. Nas cabeceiras, o canal é estreito e sombreado, a produção autóctone é limitada e a principal fonte de energia é a matéria orgânica alóctone (folhas, galhos). A relação P/R é < 1.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. Em rios de ordens 4 a 6, o canal é mais largo, a luz penetra mais e a vegetação ripária tem menos influência. Isso favorece a produção primária autóctone (algas perifíticas e fitoplâncton), fazendo a relação P/R ser maior que 1.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que em rios de ordem acima de 7 a produção primária autóctone é dominante, pois a largura do canal permite alta penetração de luz e elevada taxa fotossintética em toda a coluna d'água. Erro: em rios de grande porte, a profundidade e a turbidez limitam a penetração de luz, e a produção autóctone diminui. A relação P/R volta a ser < 1, com a matéria orgânica vinda de montante e das planícies de inundação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o RCC afirma que a composição de organismos aquáticos é homogênea ao longo de todo o rio. Erro: o RCC prevê exatamente o oposto — uma mudança contínua na composição das comunidades, em resposta ao gradiente longitudinal de energia e nutrientes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o RCC tem como foco apenas a velocidade da correnteza. Erro: o RCC considera múltiplos fatores, como largura do canal, sombreamento, entrada de matéria orgânica alóctone, produção primária autóctone e a relação P/R, não apenas a velocidade da correnteza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão dos padrões do RCC: nas cabeceiras, o aluno pode pensar que há muita produção autóctone (por ser um ambiente "natural"), mas o sombreamento pela vegetação ripária torna a alóctone dominante. Em rios de grande porte, a intuição de que "mais largura = mais luz" falha, pois a profundidade e a turbidez limitam a fotossíntese. Fique atento à relação P/R em cada trecho!
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o padrão do RCC, lembre-se da curva de P/R: cabeceiras (P/R < 1), trechos médios (P/R > 1), grandes rios (P/R < 1). Associe cada trecho à fonte de energia dominante: alóctone → autóctone → alóctone (de montante).