Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
fg107320
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista em Geociências - Biologia
As florestas tropicais úmidas são biomas de alta complexidade, que se caracterizam por uma estratificação vertical bem-marcada, a qual influencia toda a distribuição de espécies, a disponibilidade de recursos e as interações ecológicas.Sobre a estratificação em florestas tropicais úmidas, assinale a opção correta.
AA estratificação vertical contribui para a alta biodiversidade, pois permite a ocupação de diferentes nichos por espécies com adaptações específicas para as condições de cada estrato.
BEpífitas e lianas se distribuem preferencialmente nos estratos inferiores, onde existe maior disponibilidade de nutrientes oriundos da decomposição do litter.
CO litter, localizado no estrato mais inferior, acumula grande quantidade de matéria orgânica, e se mantem no ambiente por longos períodos de tempo, graças à baixa taxa de decomposição típica de florestas tropicais.
DO sub-bosque recebe cerca de 70% da radiação solar incidente no dossel, permitindo o desenvolvimento de espécies fotossintetizantes de rápido crescimento e elevado consumo de luz.
EO dossel concentra a maior parte da umidade atmosférica, mantendo os estratos inferiores em condições de déficit hídrico permanente.
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GabaritoA — A estratificação vertical contribui para a alta biodiversidade, pois permite a ocupação de diferentes nichos por espécies com adaptações específicas para as condições de cada estrato.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estratificação vertical em florestas tropicais úmidas
Gabarito: letra A. A estratificação vertical é um dos principais fatores que explicam a alta biodiversidade das florestas tropicais, pois cada estrato (dossel, sub-bosque, serapilheira) oferece condições ambientais distintas — luz, umidade, temperatura — e, com isso, permite a ocupação de diferentes nichos por espécies com adaptações específicas. Essa é a relação direta entre estratificação e biodiversidade que a alternativa A expressa corretamente.
A estratificação vertical é a organização da floresta em camadas ou estratos sobrepostos, cada um com microclima próprio. Nas florestas tropicais úmidas, distinguem-se, de cima para baixo: o dossel (camada de copas das árvores emergentes e dominantes, que recebe a maior parte da radiação solar), o sub-bosque (estrato intermediário, com árvores menores, arbustos e plântulas, que recebe luz filtrada e difusa) e o solo florestal, coberto pela serapilheira (litter) — a camada de folhas, galhos e matéria orgânica em decomposição.
A existência desses estratos amplia a heterogeneidade ambiental do bioma: cada camada tem diferentes intensidades de luz, umidade, temperatura e disponibilidade de recursos. Espécies diferentes evoluíram para explorar condições específicas de cada estrato — por exemplo, epífitas e lianas que vivem no dossel, plantas de sombra no sub-bosque, decompositores no solo. Essa partição de nichos reduz a competição interespecífica e permite que um número muito maior de espécies coexista na mesma área, o que é a base da alta biodiversidade tropical. A alternativa A captura exatamente essa lógica.
As demais alternativas trazem erros conceituais sobre a distribuição das plantas e sobre as condições de cada estrato — erros que a banca explora para confundir o candidato que não domina a dinâmica da floresta.
Estratificação vertical (floresta tropical úmida): Dossel (Luz intensa, Epífitas e lianas); Sub-bosque (Pouca luz (filtrada), Alta umidade, Plantas tolerantes à sombra); Solo / litter (Decomposição rápida (clima quente e úmido)); Consequência (Partição de nichos, Alta biodiversidade)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está correta: a estratificação vertical contribui para a alta biodiversidade porque permite a ocupação de diferentes nichos por espécies com adaptações específicas para as condições de cada estrato. É exatamente a partição de nichos — cada espécie explorando um conjunto particular de recursos e condições em seu estrato — que reduz a competição e permite a coexistência de muitas espécies. Esse é o mecanismo ecológico central que liga a estrutura vertical da floresta à sua diversidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que epífitas e lianas se distribuem preferencialmente nos estratos inferiores. É o oposto: epífitas (como bromélias e orquídeas) e lianas (cipós) são plantas que vivem sobre outras plantas, buscando luz — por isso concentram-se no dossel e nos estratos superiores, onde a radiação é mais intensa. Elas não dependem dos nutrientes do solo (litter), pois muitas epífitas absorvem água e nutrientes da atmosfera e da matéria orgânica acumulada em suas próprias estruturas. O erro está em inverter a distribuição vertical dessas plantas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o litter (serapilheira) se mantém por longos períodos devido à baixa taxa de decomposição típica de florestas tropicais. É o contrário: nas florestas tropicais úmidas, as altas temperaturas e a elevada umidade aceleram a decomposição, que é rápida — a serapilheira é rapidamente reciclada e os nutrientes voltam ao solo. A baixa taxa de decomposição é característica de ambientes frios ou secos (como florestas temperadas ou desertos), não das florestas tropicais. A alternativa inverte a dinâmica de decomposição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o sub-bosque recebe cerca de 70% da radiação solar incidente no dossel. Na realidade, o dossel denso das florestas tropicais intercepta a maior parte da luz — o sub-bosque recebe apenas uma fração pequena (geralmente menos de 10% a 20%) da radiação incidente. Por isso, as plantas do sub-bosque são, em geral, tolerantes à sombra (esciófilas), com baixo ponto de compensação luminosa, e não espécies de rápido crescimento e elevado consumo de luz, como afirma a alternativa. O número de 70% é um distrator sem base ecológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que o dossel concentra a maior parte da umidade atmosférica, mantendo os estratos inferiores em déficit hídrico permanente. Embora o dossel intercepte parte da chuva e contribua para a umidade local, os estratos inferiores das florestas tropicais úmidas são caracterizados por alta umidade relativa do ar — o microclima do sub-bosque é úmido e abafado, justamente por causa da sombra e da baixa ventilação. Não há déficit hídrico permanente; pelo contrário, a umidade é um dos fatores que sustentam a diversidade de plantas e animais nesses estratos. A alternativa inverte a condição real de umidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de características entre os estratos: epífitas/lianas no estrato inferior (quando vivem no dossel), decomposição lenta do litter (quando é rápida), sub-bosque com muita luz (quando recebe pouca) e estratos inferiores secos (quando são úmidos). A alternativa A é a única que não inverte nada — ela descreve o mecanismo ecológico real. Na prova, desconfie de alternativas que atribuem a um estrato uma condição que pertence a outro.
PEGA ESSA DICA!
Para acertar questões de estratificação, memorize o perfil de cada estrato: dossel = luz intensa, epífitas e lianas; sub-bosque = sombra, alta umidade, plantas tolerantes à sombra; solo/litter = decomposição rápida em clima quente e úmido. Se a alternativa contrariar esse perfil, está errada.