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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg107913
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista em Geociências - Letras
A questão refere-se ao TEXTO a seguir:

GARIMPO NA AMAZÔNIA: UM PROBLEMA DE TODOS NÓS

Danicley de Aguiar, ativista sênior do Greenpeace

A atividade garimpeira está longe de ser um problema que atinge exclusivamente os povos indígenas e, com a omissão do Estado, ela se firma como uma questão de saúde pública.

A bacia do rio Tapajós se transformou no epicentro do garimpo na Amazônia, que hoje se espalha como uma epidemia e configura mais uma grave ameaça ao equilíbrio ecológico do bioma. Nesta região, para além dos garimpos localizados nas terras indígenas Munduruku e Sai Cinza, encontramos nada menos que outros 418 garimpos no interior das Unidades de Conservação de Uso Sustentável e mais 124 nas Unidades de Proteção Integral.
Entre as áreas protegidas, o avanço do garimpo nas terras indígenas ganha ares de tragédia e é impulsionado não só pelo crime organizado, que financia a extração e a compra do ouro explorado desses territórios, mas também pela desorganização proposital do Estado para enfrentar esta atividade criminosa dentro destes territórios. [...] Provocado pela resistência dos Munduruku à destruição do seu território e consequentemente do seu modo de vida, no dia 15 de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para que o mesmo obrigue o governo brasileiro a retomar, em regime de urgência, todas as operações de combate aos garimpos localizados no interior das terras indígenas Munduruku e Sai Cinza, no sudoeste do Pará; haja vista que as operações foram interrompidas após reunião do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles [...].
Para além dos impactos ambientais que ameaçam a integridade ecológica das áreas invadidas, o garimpo está longe de ser uma questão que prejudica exclusivamente os indígenas, pois promove uma série de outros impactos que não se restringem ao ambiente em que a atividade se desenvolve, a exemplo da contaminação por mercúrio que afeta, por exemplo, as milhares de pessoas que compõem a população ribeirinha da Amazônia e que se alimentam periodicamente de peixe, uma vez que os peixes, especialmente os chamados predadores, atuam como concentradores naturais de mercúrio, que uma vez acumulado no corpo humano, causa toda uma ordem de problemas nos rins, fígado, aparelho digestivo e no sistema nervoso central.
Por tudo isso, não restam dúvidas de que a atividade garimpeira há muito se estabeleceu como um problema ambiental e de polícia, mas ainda precisa ser reconhecida sobretudo como um problema de saúde pública, que impõe mudanças radicais no modo de vida das populações amazônicas, sejam elas indígenas ou não. Assim, ações de denúncia e combate ao garimpo empreendidas pelo povo Munduruku e outros povos não podem ser ignoradas pelo restante da sociedade brasileira, especialmente porque tais ações são muito mais que pedidos de socorro, elas constituem-se num chamado ao debate civilizatório requerido pelo século em que vivemos. A sociedade brasileira não pode mais aceitar conviver com uma prática tão nefasta ao meio ambiente e a todos os brasileiros.

Fonte: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/garimpo-na-amazonia-umproblema-de-todos-nos/. – acesso em 06/08/2025
O texto, por ser um artigo de opinião, emprega uma determinada variante linguística na sua construção, cujo objetivo é
  1. Apromover uma identificação entre os leitores e os problemas abordados no texto.
  2. Bimprimir um tom de formalidade, uma vez que predominam estruturas rebuscadas da língua portuguesa.
  3. Cvalorizar aspectos da cultura amazônica, tendo em vista o emprego de nomes indígenas.
  4. Dconstruir um tom de neutralidade, a fim de que se destaquem os fatos e argumentos empregados.
  5. Eimprimir um tom de formalidade, a fim de que prevaleça a grave denúncia feita pelo texto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — construir um tom de neutralidade, a fim de que se destaquem os fatos e argumentos empregados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Variação Linguística em Artigo de Opinião

Gabarito: letra D. O texto emprega a variante padrão da língua (norma culta), cujo principal objetivo é construir um tom de neutralidade que destaque os fatos e argumentos. Mesmo sendo um artigo de opinião — portanto, subjetivo —, o autor recorre ao registro formal para dar credibilidade e aparentar imparcialidade, fazendo com que a denúncia pareça baseada em dados objetivos, e não em emoção pura.

PEGA ESSA DICA!

Em artigos de opinião, o uso da norma culta não anula a opinião, mas reveste o texto de uma aparência de racionalidade e isenção, justamente para convencer o leitor.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto certamente aborda problemas que afetam os leitores (todos nós), mas a variante linguística (norma culta) não tem como objetivo principal promover identificação. A identificação ocorre pelo conteúdo, não pelo registro linguístico. O texto diz: “a atividade garimpeira está longe de ser um problema que atinge exclusivamente os povos indígenas” – isso cria identificação temática, mas a variante padrão não é usada para isso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto / generalização. A alternativa afirma que predominam “estruturas rebuscadas”. O texto tem linguagem formal, mas não rebuscada; é clara e direta. Não há erudição excessiva. Exemplo: “a bacia do rio Tapajós se transformou no epicentro do garimpo” – linguagem padrão, sem rebuscamento. O objetivo não é impressionar pela forma, mas expor os fatos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: limita o escopo / tangencia. Embora haja menção a “Munduruku” e “Sai Cinza”, a variante linguística não é empregada para valorizar a cultura amazônica. Esses nomes próprios são usados para localizar geograficamente o problema, não para exaltar a cultura. O texto não se detém em aspectos culturais; foca na denúncia ambiental e de saúde pública.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O autor utiliza a norma culta (variante padrão) para dar um tom de neutralidade ao discurso. Isso permite que os fatos e argumentos (contaminação por mercúrio, omissão do Estado, números de garimpos) ganhem destaque, como se o texto fosse uma exposição imparcial. No trecho: “não restam dúvidas de que a atividade garimpeira há muito se estabeleceu como um problema ambiental e de polícia, mas ainda precisa ser reconhecida sobretudo como um problema de saúde pública” — a estrutura formal dá peso à afirmação, como se fosse uma conclusão lógica, não apenas uma opinião.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “formalidade” e “neutralidade”. O texto é formal, mas o efeito buscado não é apenas a formalidade em si, e sim a impressão de objetividade que a linguagem culta confere.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito / incompleta. A alternativa diz que o tom formal serve para “prevalecer a grave denúncia”. De fato, a denúncia é grave, mas o objetivo da variante linguística não é fazer a denúncia “prevalecer” (isso é função do conteúdo), e sim dar credibilidade ao que é dito. A formalidade não é um fim em si; ela sustenta o tom de neutralidade que, por sua vez, realça os argumentos.

Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente o objetivo da variante linguística (norma culta) no texto é a letra D: construir um tom de neutralidade para que fatos e argumentos se sobressaiam. As demais ou extrapolam, ou contradizem o texto, ou limitam indevidamente seu alcance.

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