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Questão de Direito Penal — Culpabilidade — FGV 2025

Direito PenalCulpabilidade
Código
fg108883
Banca
FGV
Órgão
DPE-RO
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista em Psicologia - Classe A
O Sr. Hugo, 75 anos, foi diagnosticado com a doença de Alzheimer e apresenta, entre outros sintomas, episódios de agressividade física e verbal. Em um desses episódios, ele arremessou uma faca sobre sua esposa, D. Hilda, de 70 anos, causando um corte profundo em seu braço.Sobre essa situação é correto afirmar que
  1. Ao Sr. Hugo poderá ser considerado inimputável do ponto de vista penal em razão do diagnóstico de transtorno neurocognitivo.
  2. Bo Sr. Hugo será condenado por violência doméstica contra a idosa, mas poderá converter a pena em pagamento de cestas básicas.
  3. Cde acordo com a lei antimanicomial, o Sr. Hugo será internado para tratamento em um hospital de custódia.
  4. Do Sr. Hugo é considerado inimputável do ponto de vista penal por ser idoso com mais de 70 anos.
  5. Eo Sr. Hugo poderá ser interditado criminalmente pela tentativa de feminicídio contra sua esposa.
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GabaritoA — o Sr. Hugo poderá ser considerado inimputável do ponto de vista penal em razão do diagnóstico de transtorno neurocognitivo.

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Inimputabilidade penal – doença mental

Gabarito: letra A. O Sr. Hugo, portador de Alzheimer (transtorno neurocognitivo), pode ser considerado inimputável se, ao tempo da ação, estivesse inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (art. 26 do Código Penal). A condição de idoso (70 anos) não gera inimputabilidade por si só, e as demais alternativas apresentam erros jurídicos, como confundir pena com medida de segurança ou criar figuras penais inexistentes.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O art. 26 do Código Penal isenta de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. A doença de Alzheimer é um transtorno neurocognitivo que, em estágios avançados, pode comprometer totalmente a capacidade de entendimento e autodeterminação. A expressão "poderá ser considerado" é correta, pois a inimputabilidade depende de perícia médica que comprove a incapacidade total no momento do fato (art. 149 do CPP). Portanto, a alternativa está tecnicamente adequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que Hugo "será condenado" e "poderá converter a pena em pagamento de cestas básicas" é juridicamente inviável. Se for considerado inimputável, não haverá condenação, e sim absolvição imprópria, com imposição de medida de segurança. Além disso, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) veda a conversão da pena em cestas básicas ou prestação pecuniária no âmbito da violência doméstica (art. 17). Mesmo na hipótese de condenação (se imputável), a substituição por cestas básicas não é admitida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A "lei antimanicomial" (Lei 10.216/2001) prioriza o tratamento em regime de internação voluntário ou involuntário, mas não determina automaticamente a internação em hospital de custódia (Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico). A internação em hospital de custódia é cabível apenas como medida de segurança, para inimputáveis que praticaram crime e apresentam periculosidade, e não decorre de uma lei antimanicomial genérica. O art. 108 da LEP trata de condenado que sobrevém doença mental, situação diversa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A idade avançada (mais de 70 anos) não é causa de inimputabilidade penal. O art. 26 do CP exige doença mental ou desenvolvimento mental incompleto/retardado; a idade, isoladamente, não exclui a capacidade de entender o ilícito ou de autodeterminar-se. O Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) prevê apenas garantias processuais e de execução penal, sem equiparação à inimputabilidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não existe no ordenamento jurídico a figura da "interdição criminal". A interdição é medida civil (art. 1.767 do CC) para pessoas que, por causa transitória ou permanente, não podem exprimir sua vontade. A expressão "interditado criminalmente" é estranha ao direito penal. Hugo, se inimputável, estará sujeito a medida de segurança, não a interdição criminal.

Gabarito: letra A.

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