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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg109225
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Com relação ao tratamento ideal do pescoço de um paciente com carcinoma de células escamosas de mucosa jugal, classificado como T1N0Mx, com profundidade de invasão de 5 mm, assinale a afirmativa correta.
  1. AEstá indicado esvaziamento cervical radical clássico
  2. BEstá indicado esvaziamento cervical radical modificado.
  3. CNão está indicado esvaziamento cervical.
  4. DEstá indicada quimioterapia.
  5. EEstá indicado esvaziamento cervical seletivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Está indicado esvaziamento cervical seletivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma de células escamosas de mucosa jugal T1N0Mx: manejo do pescoço

Gabarito: letra E. Para um carcinoma de células escamosas de mucosa jugal classificado como T1N0Mx com profundidade de invasão de 5 mm, o tratamento do pescoço é o esvaziamento cervical seletivo, pois a profundidade de invasão ≥ 2 mm é um fator de risco significativo para metástase cervical oculta, mesmo em tumores precoces (T1). A conduta se baseia nas diretrizes de cirurgia de cabeça e pescoço, que indicam o esvaziamento seletivo (níveis I-III) para tumores de cavidade oral com profundidade de invasão > 2 mm, mesmo sem linfonodos clinicamente positivos.

O carcinoma de células escamosas (CEC) é o tipo histológico mais comum de câncer de cavidade oral, e a mucosa jugal é um sítio de risco intermediário. O estadiamento TNM (Tumor, Node, Metastasis) é fundamental para o planejamento terapêutico. No caso apresentado, o tumor é T1 (≤ 2 cm no maior diâmetro), N0 (sem linfonodos clinicamente comprometidos) e Mx (metástases à distância não avaliadas). A profundidade de invasão (DOI, do inglês depth of invasion) é um parâmetro prognóstico crucial, incorporado na 8ª edição do AJCC (American Joint Committee on Cancer). Para tumores de cavidade oral, a DOI é medida da superfície da mucosa normal adjacente até o ponto mais profundo de invasão tumoral.

A decisão sobre o manejo do pescoço em tumores T1N0 depende da probabilidade de metástase cervical oculta. Estudos clássicos demonstraram que a profundidade de invasão é o principal preditor de metástase oculta em tumores precoces de cavidade oral. Tumores com DOI ≤ 2 mm têm risco muito baixo de metástase oculta (cerca de 2-5%), e o esvaziamento cervical pode ser omitido. Já tumores com DOI > 2 mm apresentam risco significativo (15-30%), justificando o esvaziamento cervical seletivo. No caso, a DOI de 5 mm claramente ultrapassa o limiar de 2 mm, indicando a necessidade de tratamento do pescoço.

O esvaziamento cervical seletivo (ECS) é a modalidade cirúrgica que remove apenas os níveis linfonodais com maior risco de metástase para um determinado sítio primário. Para tumores de cavidade oral, o ECS dos níveis I-III (submandibular, submentoniano e jugular superior) é o procedimento padrão. O ECS é menos mórbido que o esvaziamento cervical radical modificado (ECRM), que remove os níveis I-V, e que o esvaziamento cervical radical clássico (ECR), que também resseca o músculo esternocleidomastóideo, a veia jugular interna e o nervo acessório. A escolha do ECS em vez do ECRM ou ECR se baseia no fato de que, em tumores T1N0 com DOI > 2 mm, o risco de metástase oculta está concentrado nos níveis I-III, e a dissecção desses níveis é suficiente para o controle regional, com menor morbidade.

A quimioterapia isolada não é indicada como tratamento primário para CEC de cavidade oral em estágio inicial. A quimioterapia é utilizada em combinação com radioterapia (quimiorradioterapia) para doença localmente avançada, ou como tratamento paliativo para doença metastática. No caso de um tumor T1N0, a cirurgia é o tratamento de escolha, e a quimioterapia não tem papel no manejo inicial do pescoço.

A pegadinha desta questão está em associar a profundidade de invasão de 5 mm a um tumor "precoce" e, portanto, pensar que não há necessidade de tratar o pescoço. No entanto, a DOI > 2 mm é um fator de risco que justifica o esvaziamento cervical seletivo, mesmo em tumores T1N0. A banca explora a confusão entre o tamanho do tumor (T1) e a profundidade de invasão, que são parâmetros distintos e independentes. O tamanho do tumor (T1) não é o único determinante do risco de metástase cervical; a profundidade de invasão é um fator prognóstico adicional e decisivo.

Guarde a fronteira entre os tipos de esvaziamento cervical e a indicação de cada um: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O esvaziamento cervical seletivo é indicado para tumores T1N0 com DOI > 2 mm, enquanto o esvaziamento cervical radical modificado é indicado para tumores com linfonodos clinicamente positivos (N+) ou tumores avançados (T3-T4), e o esvaziamento cervical radical clássico é reservado para casos de doença extensa com invasão de estruturas adjacentes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O esvaziamento cervical radical clássico (ECR) é um procedimento que remove todos os níveis linfonodais (I-V) juntamente com o músculo esternocleidomastóideo, a veia jugular interna e o nervo acessório. É um procedimento mutilante, com alta morbidade, e é reservado para casos de doença cervical extensa (N2-N3) ou com invasão de estruturas adjacentes. No caso de um tumor T1N0 com DOI de 5 mm, não há indicação de ECR, pois o risco de metástase oculta está limitado aos níveis I-III, e o ECR seria um tratamento excessivo e desproporcional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O esvaziamento cervical radical modificado (ECRM) remove os níveis I-V, mas preserva uma ou mais estruturas não linfáticas (músculo esternocleidomastóideo, veia jugular interna ou nervo acessório). É indicado para tumores com linfonodos clinicamente positivos (N+) ou tumores avançados (T3-T4) com alto risco de metástase cervical. No caso de um tumor T1N0 com DOI de 5 mm, o ECRM seria um tratamento excessivo, pois o risco de metástase oculta está concentrado nos níveis I-III, e o ECS é suficiente para o controle regional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A opção de não realizar esvaziamento cervical seria considerada apenas para tumores com DOI ≤ 2 mm, onde o risco de metástase oculta é muito baixo. No caso apresentado, a DOI de 5 mm é um fator de risco significativo para metástase cervical oculta, e a omissão do tratamento do pescoço poderia levar a uma recidiva regional e a um pior prognóstico. Portanto, o esvaziamento cervical está indicado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A quimioterapia isolada não é indicada como tratamento primário para CEC de cavidade oral em estágio inicial (T1N0). A quimioterapia é utilizada em combinação com radioterapia (quimiorradioterapia) para doença localmente avançada, ou como tratamento paliativo para doença metastática. No caso de um tumor T1N0, a cirurgia é o tratamento de escolha, e a quimioterapia não tem papel no manejo inicial do pescoço.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O esvaziamento cervical seletivo (ECS) é a modalidade cirúrgica que remove apenas os níveis linfonodais com maior risco de metástase para um determinado sítio primário. Para tumores de cavidade oral, o ECS dos níveis I-III é o procedimento padrão. No caso de um tumor T1N0 com DOI de 5 mm, o risco de metástase oculta é significativo, e o ECS é indicado para o controle regional, com menor morbidade que o ECRM ou ECR. A profundidade de invasão > 2 mm é o principal preditor de metástase oculta em tumores precoces de cavidade oral, justificando o ECS.

Gabarito: letra E

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