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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg109231
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Em relação ao tumor do corpúsculo carotídeo, assinale a afirmativa correta.
  1. ASua incidência é mais baixa nos pacientes que vivem em grandes altitudes.
  2. BÉ um dos paragangliomas do pescoço menos comuns.
  3. CÉ de crescimento lento e é muito vascularizado.
  4. DNão se exterioriza no pescoço e se projeta na orofaringe.
  5. EAo se expandir, rechaça as artérias carótidas sem envolvê-las.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — É de crescimento lento e é muito vascularizado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tumor do corpúsculo carotídeo (paraganglioma)

Gabarito: letra C. O tumor do corpúsculo carotídeo é um paraganglioma de crescimento lento e extremamente vascularizado, característica que explica sua apresentação clínica e os desafios cirúrgicos. As demais alternativas invertem ou distorcem as características dessa neoplasia.

O corpúsculo carotídeo é um quimiorreceptor localizado na bifurcação da artéria carótida comum, responsável por detectar variações na pressão parcial de oxigênio, dióxido de carbono e pH sanguíneo. Os tumores que dele se originam são paragangliomas, neoplasias derivadas de células da crista neural que formam o sistema paraganglionar. Esses tumores são conhecidos por sua intensa vascularização, o que se reflete na imagem de angiografia e na dificuldade cirúrgica, e por seu crescimento lento e indolente, muitas vezes permitindo que atinjam grandes dimensões antes do diagnóstico.

A apresentação clássica é uma massa cervical pulsátil, localizada no nível do osso hioide, que pode ser móvel no plano horizontal, mas não no vertical (sinal de Fontaine). O tumor cresce na bifurcação carotídea e, ao se expandir, tende a envolver e separar as artérias carótidas interna e externa, o chamado sinal da "ampulheta" ou "copo de vinho" na angiografia. Esse envolvimento vascular é um dos principais desafios da ressecção cirúrgica, que pode exigir reconstrução arterial.

A incidência do tumor do corpúsculo carotídeo é maior em populações que vivem em grandes altitudes, devido à hipóxia crônica que estimula a hiperplasia e, eventualmente, a neoplasia do quimiorreceptor. É o paraganglioma mais comum do pescoço, embora ainda seja uma neoplasia rara. A maioria dos casos é esporádica, mas há formas familiares associadas a mutações nos genes das succinato desidrogenases (SDH), especialmente SDHD e SDHB.

O diagnóstico é feito por ultrassonografia com Doppler, que mostra a massa hipervascularizada na bifurcação carotídea, e confirmado por angiotomografia ou angiorressonância. A biópsia é contraindicada pelo risco de sangramento e lesão vascular. O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica, que pode ser precedida de embolização para reduzir a vascularização. Em casos selecionados, especialmente em tumores grandes ou em pacientes de alto risco cirúrgico, a radioterapia pode ser uma alternativa.

A banca explora a confusão entre as características do tumor do corpúsculo carotídeo e de outras massas cervicais, como os tumores de glândulas salivares ou linfonodos metastáticos. O candidato deve estar atento às características distintivas: crescimento lento, hipervascularização, localização na bifurcação carotídea e envolvimento das carótidas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a incidência é mais baixa em grandes altitudes. Na verdade, ocorre o oposto: a hipóxia crônica das grandes altitudes estimula a hiperplasia do corpúsculo carotídeo e aumenta a incidência do tumor. Estudos clássicos mostram maior prevalência em populações andinas e do Himalaia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que é um dos paragangliomas do pescoço menos comuns. Na realidade, o tumor do corpúsculo carotídeo é o paraganglioma mais comum do pescoço, embora seja uma neoplasia rara em termos absolutos. Os paragangliomas vagais e jugulotimpânicos são menos frequentes.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente as duas principais características do tumor: crescimento lento e intensa vascularização. O crescimento lento explica o longo tempo de evolução até o diagnóstico, e a hipervascularização é responsável pela aparência na imagem e pela dificuldade cirúrgica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o tumor não se exterioriza no pescoço e se projeta na orofaringe. Essa descrição é típica dos paragangliomas vagais, que podem crescer para a faringe, mas não do tumor do corpúsculo carotídeo, que se apresenta como massa cervical lateral visível e palpável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o tumor rechaça as artérias carótidas sem envolvê-las. Na verdade, o tumor cresce na bifurcação e tende a envolver e separar as carótidas interna e externa, o que é um dos principais desafios cirúrgicos. O rechaçamento sem envolvimento é mais característico de outras massas cervicais, como cistos branquiais ou linfonodos aumentados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as características do tumor do corpúsculo carotídeo pelas de outras massas cervicais. A alternativa E descreve o comportamento de uma massa que desloca as carótidas, mas o tumor do corpúsculo carotídeo as envolve. A alternativa D descreve o paraganglioma vagal, que cresce para a orofaringe. Fique atento a essas trocas sutis.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as características do tumor do corpúsculo carotídeo, lembre-se do mnemônico "CIV": Crescimento lento, Intensamente vascularizado, na bifurcação carotídea (envolvendo as carótidas). Se a alternativa trouxer "rechaça" ou "não envolve", está errada.

Gabarito: letra C

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