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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg109236
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Quanto à abordagem cirúrgica do hiperparatireoidismo primário, assinale a afirmativa correta.
  1. AUma bateria completa de exames complementares sempre permite detectar previamente a localização do(s) adenoma(s).
  2. BA identificação de adenomas por biópsias de congelação é pouco resolutiva.
  3. CTodo hiperparatireoidismo primário exige exploração cirúrgica das paratireoides.
  4. DPara evitar o risco de lesar as paratireoides, deve-se evitar a dissecção de todas as glândulas, em especial nos casos em que os exames não detectem adenomas.
  5. EHavendo detecção pré-operatória de um adenoma, as demais glândulas devem ser obrigatoriamente exploradas no ato cirúrgico.
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GabaritoC — Todo hiperparatireoidismo primário exige exploração cirúrgica das paratireoides.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperparatireoidismo primário: abordagem cirúrgica

Gabarito: letra C. O hiperparatireoidismo primário (HPTP) é uma doença causada, na grande maioria dos casos, por um adenoma único de paratireoide, e o tratamento definitivo é a paratireoidectomia — ou seja, a exploração cirúrgica das paratireoides é indicada para todos os pacientes com diagnóstico confirmado, desde que não haja contraindicação clínica. As demais alternativas erram ao sugerir que exames de imagem sempre localizam o adenoma, que a biópsia de congelação é pouco útil, que se deve evitar a dissecção das glândulas ou que a exploração das demais glândulas é obrigatória quando um adenoma é identificado.

O hiperparatireoidismo primário é caracterizado por hipercalcemia com níveis de PTH elevados ou inapropriadamente normais, na ausência de estímulo fisiológico (como doença renal crônica ou deficiência de vitamina D). A causa mais comum é o adenoma único (cerca de 80-85% dos casos), seguido por hiperplasia de múltiplas glândulas (10-15%), carcinoma de paratireoide (raro) e adenomas múltiplos. O diagnóstico é bioquímico: cálcio sérico elevado + PTH não suprimido. Uma vez confirmado, a avaliação de complicações (osteoporose, nefrolitíase, fraturas) e a localização pré-operatória são importantes, mas a indicação cirúrgica não depende da localização — ela é baseada no diagnóstico e nos critérios clínicos (idade, níveis de cálcio, função renal, densidade mineral óssea).

A cirurgia padrão é a exploração cervical bilateral com identificação das quatro glândulas paratireoides. Quando um adenoma é encontrado, ele é ressecado; as demais glândulas são inspecionadas para descartar hiperplasia ou adenomas múltiplos. A biópsia de congelação é uma ferramenta útil para confirmar que o tecido ressecado é paratireoide (e não tireoide, linfonodo ou gordura), mas não é "pouco resolutiva" — ela auxilia na confirmação intraoperatória, embora a decisão de ressecar seja baseada na aparência macroscópica e na dosagem de PTH intraoperatório (que cai após a remoção do adenoma).

Os exames de imagem (ultrassonografia, cintilografia com sestamibi, TC, RM) são usados para localização pré-operatória, mas não são 100% sensíveis: adenomas pequenos, ectópicos ou hiperplasias podem não ser detectados. Portanto, a afirmativa A está errada ao dizer que "sempre" permitem detectar a localização. A afirmativa D está errada porque, mesmo sem localização pré-operatória, a exploração cirúrgica é necessária — e a dissecção cuidadosa de todas as glândulas é parte da técnica para identificar o adenoma, não algo a ser evitado. A afirmativa E está errada porque, embora a exploração das demais glândulas seja recomendada na cirurgia convencional, não é "obrigatória" em todos os casos — em cirurgias minimamente invasivas guiadas por localização precisa, pode-se explorar apenas o lado suspeito, e a decisão de explorar as demais glândulas depende do achado intraoperatório e da dosagem de PTH.

A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a cirurgia é opcional ou que depende de exames de imagem, quando na verdade a paratireoidectomia é o tratamento padrão para todos os pacientes com HPTP que preenchem critérios cirúrgicos. A letra C é a única que reflete essa verdade absoluta: todo HPTP exige exploração cirúrgica das paratireoides (salvo contraindicação clínica).

1Causas
Adenoma único (80-85%)
Hiperplasia múltipla (10-15%)
Carcinoma (raro)
2Diagnóstico
Hipercalcemia
PTH elevado ou inapropriadamente normal
3Tratamento
Paratireoidectomia (todos os casos)
Localização pré-operatória (não obrigatória)
Biópsia de congelação (auxiliar)
Hiperparatireoidismo primário
LEVELsoulevel.com.br
Hiperparatireoidismo primário: Causas (Adenoma único (80-85%), Hiperplasia múltipla (10-15%), Carcinoma (raro)); Diagnóstico (Hipercalcemia, PTH elevado ou inapropriadamente normal); Tratamento (Paratireoidectomia (todos os casos), Localização pré-operatória (não obrigatória), Biópsia de congelação (auxiliar))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que uma bateria completa de exames complementares "sempre" permite detectar previamente a localização do adenoma. Isso é falso: os exames de imagem (US, cintilografia, TC) têm sensibilidade limitada — adenomas pequenos, múltiplos ou ectópicos podem não ser visualizados. A localização pré-operatória é desejável, mas não é obrigatória nem infalível; a exploração cirúrgica é que confirma o diagnóstico. O erro está no termo "sempre", que transforma uma ferramenta útil em uma garantia inexistente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a identificação de adenomas por biópsias de congelação é "pouco resolutiva". Na prática, a biópsia de congelação é um método auxiliar para confirmar que o tecido ressecado é paratireoide, mas a decisão de ressecar é baseada na aparência macroscópica e na dosagem de PTH intraoperatório. Ela não é "pouco resolutiva" — é uma ferramenta útil, embora não seja o único nem o principal método de identificação. A afirmativa inverte o papel da biópsia: ela não é o padrão-ouro, mas também não é inútil.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que todo hiperparatireoidismo primário exige exploração cirúrgica das paratireoides. Isso está correto: a paratireoidectomia é o tratamento definitivo do HPTP, indicada para todos os pacientes com diagnóstico confirmado e que preencham critérios cirúrgicos (idade < 50 anos, cálcio sérico > 1 mg/dL acima do limite superior, redução da função renal, osteoporose, nefrolitíase, ou sintomas). A exploração cirúrgica é necessária para identificar e ressecar o adenoma ou a hiperplasia. A única exceção é o paciente com contraindicação clínica à cirurgia, que pode ser tratado clinicamente com cinacalcete, mas isso não invalida a regra geral.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere que se deve evitar a dissecção de todas as glândulas para não lesá-las, especialmente quando os exames não detectam adenomas. Isso é um erro grave: a exploração cirúrgica das quatro glândulas é justamente o que permite identificar o adenoma quando os exames de imagem falham. A dissecção cuidadosa é parte da técnica cirúrgica padrão — o cirurgião deve identificar todas as paratireoides para decidir qual ressecar. Evitar a dissecção aumentaria o risco de deixar um adenoma para trás, não de lesar as glândulas. A afirmativa confunde "cuidado técnico" com "evitar a exploração", o que é clinicamente perigoso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que, havendo detecção pré-operatória de um adenoma, as demais glândulas devem ser "obrigatoriamente" exploradas no ato cirúrgico. Na cirurgia convencional (exploração bilateral), isso é feito de rotina, mas em cirurgias minimamente invasivas guiadas por localização precisa (US + cintilografia concordantes), pode-se explorar apenas o lado suspeito, com dosagem de PTH intraoperatório para confirmar a cura. A exploração das demais glândulas não é "obrigatória" em todos os casos — depende da técnica cirúrgica e da confiança na localização. O termo "obrigatoriamente" torna a afirmativa incorreta.

Gabarito: letra C

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