Em relação ao comprometimento de nervo laríngeo recorrente por tumor tireoideano, assinale a afirmativa correta.
AOcorre somente por extensão direta do tumor primário da tireoide.
BO nervo deve ser sacrificado se, à avaliação pré-operatória, já há paralisia.
CEm caso de paralisia bilateral, a interposição de enxerto de alça do hipoglosso dispensa a traqueotomia.
DCaso seja necessário remover ou ocorra lesão bilateral do nervo laríngeo superior, está indicada traqueotomia.
ECaso haja envolvimento tumoral do nervo recorrente, mesmo que não haja paralisia, deve-se sacrificá-lo.
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GabaritoB — O nervo deve ser sacrificado se, à avaliação pré-operatória, já há paralisia.
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Comprometimento do nervo laríngeo recorrente no câncer de tireoide
Gabarito: letra B. O nervo laríngeo recorrente deve ser sacrificado quando já existe paralisia pré-operatória, pois isso indica invasão tumoral do nervo e a preservação não é viável. Essa conduta é baseada no princípio de que a ressecção completa do tumor (R0) tem prioridade sobre a função vocal, e a paralisia prévia já demonstra comprometimento irreversível.
O nervo laríngeo recorrente (NLR) é um ramo do nervo vago que inerva os músculos intrínsecos da laringe, responsáveis pela movimentação das pregas vocais. No câncer de tireoide, especialmente nos tumores avançados (T4a), o NLR pode ser invadido por extensão direta do tumor primário ou por metástases linfonodais. A invasão do NLR é um marcador de agressividade tumoral e está associada a pior prognóstico.
A decisão de sacrificar ou preservar o NLR durante a tireoidectomia é um dos pontos mais críticos da cirurgia de tireoide. O cirurgião deve equilibrar a necessidade de ressecção completa do tumor com a preservação da função vocal. A paralisia pré-operatória do NLR, evidenciada por rouquidão ou avaliação laringoscópica, indica que o nervo já está comprometido e que a tentativa de preservação provavelmente resultará em ressecção incompleta (R1/R2) e maior risco de recidiva local. Nesses casos, o sacrifício do nervo é recomendado para garantir a remoção completa do tumor.
Por outro lado, quando o NLR está aderido ao tumor, mas sem paralisia pré-operatória, a conduta é mais conservadora: tenta-se dissecar o nervo e preservá-lo, pois a função vocal é importante para a qualidade de vida. A paralisia bilateral é uma complicação grave que pode levar à obstrução das vias aéreas e exigir traqueotomia. A interposição de enxerto de alça do hipoglosso é uma técnica de reabilitação, mas não dispensa a traqueotomia em casos de paralisia bilateral.
A banca explora a confusão entre paralisia pré-operatória e envolvimento tumoral sem paralisia. A regra de ouro é: paralisia prévia = sacrifício; sem paralisia = tentar preservar. Essa distinção é o critério decisivo para as alternativas.
Nervo laríngeo recorrente (NLR) no câncer de tireoide
1Invasão tumoral
Extensão direta do tumor primário
Metástases linfonodais (nível VI)
2Conduta cirúrgica
Paralisia pré-operatória → sacrificar o nervo
Sem paralisia → tentar preservar (dissecar)
3Paralisia bilateral
Obstrução de vias aéreas → traqueotomia
Enxerto de alça do hipoglosso
reabilitação, não dispensa traqueotomia
4Nervo laríngeo superior (lesão bilateral)
Disfonia (não obstrui via aérea)
Traqueotomia não indicada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o comprometimento ocorre somente por extensão direta do tumor primário. Isso é falso: o NLR pode ser comprometido também por metástases linfonodais, como as do nível VI (compartimento central), que são frequentes no carcinoma diferenciado de tireoide. A extensão direta é uma via, mas não a única. O erro está no termo "somente", que exclui outras possibilidades.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta: se já há paralisia pré-operatória, o nervo deve ser sacrificado. A paralisia indica invasão tumoral do nervo, tornando a preservação inviável e arriscada (ressecção incompleta). O sacrifício garante a remoção completa do tumor (R0), priorizando o controle oncológico sobre a função vocal, que já está comprometida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a interposição de enxerto de alça do hipoglosso dispensa a traqueotomia em caso de paralisia bilateral. Isso é falso: a paralisia bilateral das pregas vocais causa obstrução das vias aéreas, e a traqueotomia é frequentemente necessária para garantir a via aérea. O enxerto de alça do hipoglosso é uma técnica de reabilitação vocal, mas não substitui a necessidade de traqueotomia em casos agudos de obstrução.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que, em lesão bilateral do nervo laríngeo superior, está indicada traqueotomia. O nervo laríngeo superior inerva o músculo cricotireoideo, responsável pelo tensionamento das pregas vocais; sua lesão bilateral causa alteração da voz (disfonia), mas não obstrução das vias aéreas. A traqueotomia é indicada para paralisia bilateral do nervo laríngeo recorrente, não do superior. A alternativa troca o nervo envolvido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, havendo envolvimento tumoral do nervo recorrente, mesmo sem paralisia, deve-se sacrificá-lo. Isso contraria a conduta recomendada: se não há paralisia pré-operatória, tenta-se preservar o nervo, dissecando-o do tumor. O sacrifício é reservado para casos de paralisia prévia, quando a preservação não é viável. A alternativa generaliza a indicação de sacrifício, ignorando a possibilidade de preservação.