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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg109252
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Osteorradionecrose é a necrose isquêmica do osso decorrente da radiação e é uma das mais sérias complicações da radioterapia.Acerca da osteorradionecrose, assinale a afirmativa correta.
  1. AResulta em perdas ósseas, sendo a maxila o osso mais acometido.
  2. BGeralmente ocorre sem dor e acontece 15 dias após a radioterapia.
  3. CNão tem relação com traumas menores como extrações dentárias.
  4. DA xerostomia e o trismo não são fatores contribuintes.
  5. EOs principais fatores de risco são os que prejudicam a higiene oral e promovem cáries.
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GabaritoE — Os principais fatores de risco são os que prejudicam a higiene oral e promovem cáries.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Osteorradionecrose: fatores de risco e apresentação clínica

Gabarito: letra E. A osteorradionecrose (ORN) é uma complicação tardia e grave da radioterapia, caracterizada por necrose isquêmica do osso irradiado, e seus principais fatores de risco são exatamente os que comprometem a saúde oral — como má higiene, doença periodontal e cáries —, pois criam portas de entrada para infecção e dificultam a reparação tecidual. As demais alternativas erram ao afirmar que a maxila é o osso mais acometido (na verdade é a mandíbula), que ocorre precocemente (15 dias) e sem dor, que não se relaciona a traumas menores (como extrações) e que xerostomia e trismo não contribuem — todos conceitos opostos ao conhecimento consolidado sobre a doença.

A osteorradionecrose é uma complicação que pode surgir meses ou anos após a radioterapia de cabeça e pescoço. A radiação ionizante causa dano vascular progressivo (endarterite obliterante), reduzindo a vascularização do osso e tornando-o hipóxico, hipocelular e hipovascular — o que compromete a capacidade de reparo tecidual. Por isso, qualquer trauma, mesmo uma extração dentária, pode desencadear a necrose. A mandíbula é o osso mais acometido por sua menor vascularização em comparação à maxila, que tem suprimento sanguíneo mais rico.

Os fatores de risco mais importantes são os que prejudicam a higiene oral e promovem cáries, pois a doença periodontal e as infecções dentárias criam vias de entrada para bactérias no osso irradiado, que já tem defesas comprometidas. A xerostomia (redução da saliva) e o trismo (limitação da abertura bucal) também são fatores contribuintes: a saliva tem ação antibacteriana e lubrificante, e sua ausência aumenta o risco de cáries e infecções; o trismo dificulta a higiene oral adequada.

A apresentação clínica típica inclui dor, exposição óssea, fístulas e, em casos avançados, fratura patológica. O diagnóstico é essencialmente clínico, com auxílio de exames de imagem. O tratamento varia desde medidas conservadoras (higiene rigorosa, antibióticos, debridamento) até a ressecção cirúrgica em casos graves, incluindo a reconstrução com retalhos vascularizados.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca apresenta afirmações que contrariam frontalmente o que se sabe sobre a ORN, testando se o candidato domina os fatores de risco e a fisiopatologia. Guarde bem: mandíbula > maxila, tardio > precoce, dor presente, trauma como gatilho, xerostomia e trismo como agravantes — é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Osteorradionecrose (ORN)
  • 1Fisiopatologia
    • Endarterite obliterante
    • Osso hipóxico, hipocelular e hipovascular
  • 2Fatores de risco
    • Má higiene oral
    • Cáries e doença periodontal
    • Xerostomia
    • Trismo
    • Traumas (extrações)
  • 3Apresentação clínica
    • Tardia (meses a anos)
    • Dolorosa
    • Exposição óssea
    • Fístulas
  • 4Osso mais acometido
    • Mandíbula (menor vascularização)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a maxila é o osso mais acometido. O erro está na troca do osso: a mandíbula é a mais afetada, devido à sua menor vascularização em relação à maxila. A maxila, por ter suprimento sanguíneo mais rico, é menos suscetível à ORN.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a ORN ocorre sem dor e 15 dias após a radioterapia. Duplo erro: a ORN é dolorosa e ocorre tardiamente, geralmente meses a anos após a radioterapia, não em 15 dias. O intervalo de 15 dias é completamente incompatível com a fisiopatologia da doença, que exige tempo para o dano vascular progressivo se manifestar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a ORN não tem relação com traumas menores, como extrações dentárias. É exatamente o oposto: traumas menores são fatores precipitantes clássicos da ORN, pois o osso irradiado tem capacidade de reparo comprometida, e qualquer lesão pode evoluir para necrose. Extrações dentárias em área irradiada são um dos gatilhos mais conhecidos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que xerostomia e trismo não são fatores contribuintes. Ambos são fatores contribuintes importantes: a xerostomia reduz a proteção salivar contra cáries e infecções, e o trismo dificulta a higiene oral, aumentando o risco de doença periodontal e cáries — que, por sua vez, são fatores de risco para a ORN.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que os principais fatores de risco são os que prejudicam a higiene oral e promovem cáries. Esta é a afirmação correta: a má higiene oral, a doença periodontal e as cáries criam portas de entrada para infecção no osso irradiado, que já tem defesas comprometidas. Esses fatores são reconhecidamente os principais determinantes para o desenvolvimento da ORN.

A regra de ouro para a prova: na osteorradionecrose, tudo que prejudica a saúde oral (má higiene, cáries, extrações, xerostomia, trismo) é fator de risco; o osso mais acometido é a mandíbula; e a apresentação é tardia e dolorosa.

Gabarito: letra E

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