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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2025

MedicinaNefrologia
Código
fg109275
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Clínica Médica
Paciente masculino, 68 anos, com histórico de doença arterial coronariana, hipertensão e dislipidemia foi submetido, há cinco dias, a uma cineangiografia coronariana diagnóstica devido à dor torácica anginosa. Desde então, começou a apresentar fraqueza progressiva, dor abdominal difusa e uma redução significativa do volume urinário.No exame físico, estava afebril, com pressão arterial de 130/70 mmHg, mas apresentava livedo reticular extenso em ambas as pernas e plantas dos pés com arroxeamento dos dedos do pé direito, além de pulsos distais palpáveis. Os exames laboratoriais revelaram elevação progressiva da creatinina sérica (de 1,2 mg/dL para 3,8 mg/dL), leucocitose de 14.500/mm³ (com 6% de eosinófilos) e hipocomplementemia (C3 e C4 reduzidos). A urina tipo I mostrava cilindros granulosos e alguns eosinófilos.Diante do quadro clínico e dos achados laboratoriais descritos, a conduta diagnóstica e/ou terapêutica mais apropriada é
  1. Ainiciar terapia com corticoide em pulsoterapia para reduzir a inflamação sistêmica e renal.
  2. Brealizar imediatamente uma tomografia computadorizada da aorta para identificar a origem dos êmbolos.
  3. Cproceder à biópsia renal para confirmação diagnóstica da vasculite renal.
  4. Daguardar a recuperação espontânea da função renal, dada a recente angiografia, o que sugere nefropatia por contraste.
  5. Erealizar biópsia de pele nas áreas de livedo reticular ou nos dedos do pé direito para buscar cristais de colesterol em arteríolas.
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GabaritoE — realizar biópsia de pele nas áreas de livedo reticular ou nos dedos do pé direito para buscar cristais de colesterol em arteríolas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de embolia por cristais de colesterol: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra E. O quadro — livedo reticular, cianose de pododáctilos com pulsos palpáveis, piora renal progressiva, eosinofilia e hipocomplementemia após cateterismo cardíaco — é a apresentação clássica da síndrome de embolia por cristais de colesterol (SEC), e a conduta diagnóstica mais apropriada é a biópsia de pele nas áreas acometidas para demonstrar os cristais de colesterol em arteríolas. A alternativa E é a única que combina o procedimento correto (biópsia de pele) com o achado histopatológico característico (cristais de colesterol), enquanto as demais propõem condutas inadequadas ou baseadas em diagnósticos alternativos que não se sustentam diante do quadro.

A síndrome de embolia por cristais de colesterol é uma complicação sistêmica da ateromatose, desencadeada por procedimentos vasculares invasivos — como a cineangiocoronariografia — que rompem placas ateroscleróticas instáveis, liberando cristais de colesterol na corrente sanguínea. Esses cristais ocluem pequenas arteríolas em múltiplos órgãos, causando isquemia tecidual e uma resposta inflamatória local. O quadro clínico é caracteristicamente multissistêmico e tardio, surgindo dias a semanas após o procedimento, o que o distingue de complicações imediatas como a nefropatia por contraste.

Os achados clínicos e laboratoriais do paciente são altamente sugestivos: livedo reticular (padrão vascular em renda, típico da oclusão arteriolar cutânea), cianose de pododáctilos com pulsos distais palpáveis (isquemia acral sem obstrução de grandes vasos — sinal de Falanga), piora progressiva da função renal (injúria renal isquêmica por microembolia), eosinofilia (presente em até 80% dos casos, por reação inflamatória aos cristais), hipocomplementemia (ativação do complemento pela lesão endotelial) e dor abdominal difusa (isquemia mesentérica). A presença de eosinófilos no sedimento urinário reforça ainda mais a suspeita, pois é um achado frequente na SEC.

O diagnóstico definitivo é histopatológico, pela demonstração dos cristais de colesterol (fendas biconvexas, negativas à coloração de hematoxilina-eosina) em arteríolas de tecidos acometidos. A biópsia de pele é o procedimento de escolha por ser minimamente invasiva, de fácil execução e com alta sensibilidade quando realizada em áreas de livedo reticular ou em pododáctilos cianóticos. A biópsia renal também pode demonstrar os cristais, mas é um procedimento mais invasivo e com risco de sangramento, sendo reservada para casos em que a biópsia de pele não é diagnóstica ou quando há dúvida com outras glomerulopatias.

A conduta terapêutica na SEC é essencialmente suporte e prevenção de novos episódios: controle rigoroso da pressão arterial, otimização da terapia antiaterosclerótica (estatina), suspensão de anticoagulantes (que podem piorar a embolização) e, em casos selecionados, terapia de suporte renal (diálise). Não há evidência robusta para o uso de corticosteroides em altas doses, e a recuperação espontânea da função renal é incomum — a maioria dos pacientes evolui com doença renal crônica. A tomografia de aorta não tem papel no diagnóstico, pois a embolização é distal e não há trombo ou dissecção a identificar.

A pegadinha central desta questão é a confusão com a nefropatia por contraste (alternativa D), que também ocorre após cateterismo, mas se manifesta com piora da creatinina em 24–48 horas, sem livedo reticular, sem eosinofilia e sem acometimento multissistêmico. A banca explora exatamente essa associação automática entre angiografia e contraste, mas o quadro clínico do paciente é inequívoco para SEC. Guarde a fronteira: nefropatia por contraste = lesão renal isolada e precoce; SEC = doença multissistêmica e tardia com livedo, eosinofilia e hipocomplementemia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A pulsoterapia com corticoide não é a conduta inicial apropriada na SEC. Embora haja inflamação sistêmica, os corticosteroides em altas doses não demonstraram benefício claro na redução da morbimortalidade e podem aumentar o risco de complicações. O tratamento é de suporte, com controle pressórico, estatina e prevenção de novos episódios. A alternativa confunde a SEC com vasculites sistêmicas (como poliangeíte microscópica), nas quais a pulsoterapia com corticoide é indicada — mas o quadro clínico (livedo, cianose acral com pulsos palpáveis, eosinofilia, hipocomplementemia) é muito mais sugestivo de SEC do que de vasculite.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada da aorta não é útil para identificar a origem dos êmbolos na SEC. Os cristais de colesterol são microscópicos e não são visíveis em exames de imagem; além disso, a embolização ocorre a partir de placas ateroscleróticas difusas, não de um trombo ou dissecção que a TC pudesse demonstrar. A TC de aorta seria indicada na suspeita de dissecção aórtica, que se manifesta com dor torácica súbita e intensa, assimetria de pulsos e alargamento de mediastino — quadro ausente neste paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A biópsia renal pode confirmar a SEC, mas não é o procedimento de primeira escolha neste cenário. A biópsia de pele é menos invasiva, mais segura e igualmente diagnóstica, sendo preferida quando há lesões cutâneas características (livedo reticular, cianose acral). Além disso, a alternativa C sugere "vasculite renal" como hipótese diagnóstica, o que não é o quadro predominante — a hipocomplementemia e a eosinofilia podem ocorrer em vasculites, mas a associação com procedimento vascular recente e livedo reticular aponta fortemente para SEC. A biópsia renal ficaria reservada para casos em que a biópsia de pele não é diagnóstica ou quando há dúvida com glomerulonefrite.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Aguardar recuperação espontânea é conduta inadequada. A nefropatia por contraste, que a alternativa sugere, manifesta-se com piora da creatinina em 24–48 horas após o procedimento, sem livedo reticular, sem eosinofilia e sem acometimento multissistêmico. O quadro do paciente — com início tardio (5 dias), livedo, cianose acral, eosinofilia, hipocomplementemia e dor abdominal — é típico de SEC, que raramente tem recuperação espontânea e frequentemente evolui para doença renal crônica. A conduta correta é diagnóstica (biópsia de pele) e de suporte, não expectante.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A biópsia de pele nas áreas de livedo reticular ou nos dedos cianóticos é o procedimento diagnóstico de escolha na suspeita de SEC. A demonstração de cristais de colesterol em arteríolas (fendas biconvexas, negativas à hematoxilina-eosina) confirma o diagnóstico de forma minimamente invasiva e segura. A alternativa está correta ao combinar o procedimento (biópsia de pele) com o achado histopatológico característico (cristais de colesterol em arteríolas), sendo a conduta mais apropriada diante do quadro clínico e laboratorial apresentado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre cateterismo cardíaco e nefropatia por contraste (alternativa D). Mas a nefropatia por contraste é precoce (24–48h), isolada ao rim e sem livedo reticular, eosinofilia ou hipocomplementemia. A SEC é tardia (dias a semanas), multissistêmica e com esses achados típicos. Identifique o padrão: procedimento vascular + livedo + cianose acral com pulsos palpáveis + eosinofilia = SEC até prova em contrário.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver um paciente com piora renal progressiva dias após cateterismo ou cirurgia vascular, associe imediatamente a SEC. Memorize a tríade clássica: livedo reticular + cianose de pododáctilos com pulsos palpáveis + eosinofilia. A biópsia de pele é o diagnóstico; o tratamento é suporte (controle pressórico, estatina, evitar anticoagulantes).

Gabarito: letra E

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