Pólipo maligno pediculado (Haggitt 1): conduta após polipectomia endoscópica
Gabarito: letra D. O adenocarcinoma bem diferenciado restrito à cabeça de um pólipo pediculado, com margens livres e sem invasão linfovascular, corresponde ao nível 1 da classificação de Haggitt — situação em que a polipectomia endoscópica completa é considerada curativa, dispensando cirurgia complementar e quimioterapia. A conduta é o acompanhamento endoscópico seriado, conforme as diretrizes de vigilância pós-polipectomia (PCDT de adenocarcinoma de cólon e reto).
O pólipo maligno é aquele que contém adenocarcinoma que invade a submucosa, e a decisão entre apenas observar ou operar depende do risco de doença residual (linfonodal ou local). A classificação de Haggitt, aplicada a pólipos pediculados, divide a invasão em quatro níveis: nível 1, invasão apenas da cabeça; nível 2, invasão do colo; nível 3, invasão do pedículo; nível 4, invasão da submucosa abaixo do pedículo, mas acima da muscular própria. Para pólipos sésseis, usa-se a classificação de Kikuchi (níveis SM1, SM2, SM3), que mede a profundidade da invasão submucosa em terços.
O que torna a polipectomia curativa no caso descrito é a combinação de fatores favoráveis: invasão restrita à cabeça (Haggitt 1), margens de ressecção livres, ausência de invasão linfovascular e tumor bem diferenciado. Quando esses critérios estão presentes, o risco de metástase linfonodal é muito baixo, e a literatura e os protocolos (como o PCDT brasileiro) recomendam vigilância endoscópica, sem cirurgia complementar. A cirurgia (colectomia segmentar com linfadenectomia) fica reservada para os casos de alto risco: invasão profunda (Haggitt 3 ou 4, ou Kikuchi SM2/SM3), margens comprometidas, invasão linfovascular, tumores pouco diferenciados ou fragmentação da peça.
Na prática, o paciente com pólipo maligno de baixo risco é submetido a colonoscopias de vigilância em intervalos mais curtos (geralmente 3 a 6 meses, depois 1 ano, e assim por diante, conforme as diretrizes), para detectar lesões metacrônicas ou recidiva local. A quimioterapia adjuvante não tem indicação nesse cenário, pois não há doença residual demonstrável e o risco de recidiva é mínimo. A imunoterapia, por sua vez, é reservada para doença metastática ou tumores com instabilidade de microssatélites (MSI-H) em estágios avançados — não se aplica a um pólipo Haggitt 1.
A pegadinha da banca está em sugerir que qualquer adenocarcinoma em pólipo exige cirurgia. O candidato deve lembrar que a classificação de Haggitt e os critérios de risco definem quando a polipectomia é suficiente. Guarde o tripé: Haggitt 1 + margens livres + ausência de invasão linfovascular = vigilância endoscópica. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A colectomia segmentar com linfadenectomia regional é indicada quando há critérios de alto risco: invasão além da cabeça (Haggitt 3 ou 4), margens comprometidas, invasão linfovascular, tumor pouco diferenciado ou fragmentação. No caso, todos os fatores são favoráveis (Haggitt 1, margens livres, sem invasão linfovascular, bem diferenciado), portanto a cirurgia complementar não é necessária. A banca explora o reflexo automático de "câncer = cirurgia", mas a polipectomia já foi curativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há indicação de nova colonoscopia imediata para ressecar margem adicional do pedículo, pois as margens já estão livres de neoplasia. A vigilância endoscópica é feita em intervalos programados (não imediatos), e a reintervenção local só seria considerada se houvesse margem comprometida ou suspeita de ressecção incompleta — o que não é o caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Quimioterapia adjuvante não tem papel no adenocarcinoma restrito à cabeça de pólipo pediculado com ressecção completa e critérios de baixo risco. A quimioterapia adjuvante é indicada para câncer colorretal estádio III (linfonodos positivos) e, em situações selecionadas, estádio II de alto risco — nunca para um pólipo maligno Haggitt 1, em que não há doença residual demonstrável.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A polipectomia endoscópica em peça única, com adenocarcinoma bem diferenciado restrito à cabeça (Haggitt 1), margens livres e ausência de invasão linfovascular, é considerada tratamento curativo. A conduta é o acompanhamento endoscópico seriado, sem necessidade de cirurgia complementar. Essa é a recomendação dos protocolos de vigilância pós-polipectomia, alinhada ao PCDT de adenocarcinoma de cólon e reto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Imunoterapia associada à quimioterapia é uma estratégia para doença metastática ou para tumores com instabilidade de microssatélites (MSI-H) em estágios avançados. Não há indicação em pólipo maligno de baixo risco, e a afirmação de "risco de metástase oculta" contradiz os critérios favoráveis do caso (Haggitt 1, margens livres, sem invasão linfovascular), que justamente indicam risco mínimo de disseminação.
Gabarito: letra D — acompanhamento endoscópico seriado, sem cirurgia complementar.