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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg109301
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Gastroenterologia R3 com Ênfase em Doenças do Fígado
Durante colonoscopia de rastreamento em paciente do sexo masculino com 63 anos, foi identificado um pólipo pediculado de 1,8 cm no cólon sigmoide. O pólipo foi ressecado endoscopicamente em peça única. O laudo anatomopatológico demonstrou adenocarcinoma bem diferenciado restrito à porção cefálica do pólipo (Haggitt 1). Margens livres de neoplasia. Ausência de invasão linfovascular.A conduta mais adequada para esse paciente é
  1. Acolectomia segmentar com linfadenectomia regional.
  2. Bnova colonoscopia imediata para ressecar margem adicional do pedículo.
  3. Cquimioterapia adjuvante.
  4. Dacompanhamento endoscópico seriado, sem necessidade de cirurgia complementar.
  5. Eimunoterapia com quimioterapia pelo risco de metástase oculta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — acompanhamento endoscópico seriado, sem necessidade de cirurgia complementar.

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Pólipo maligno pediculado (Haggitt 1): conduta após polipectomia endoscópica

Gabarito: letra D. O adenocarcinoma bem diferenciado restrito à cabeça de um pólipo pediculado, com margens livres e sem invasão linfovascular, corresponde ao nível 1 da classificação de Haggitt — situação em que a polipectomia endoscópica completa é considerada curativa, dispensando cirurgia complementar e quimioterapia. A conduta é o acompanhamento endoscópico seriado, conforme as diretrizes de vigilância pós-polipectomia (PCDT de adenocarcinoma de cólon e reto).

O pólipo maligno é aquele que contém adenocarcinoma que invade a submucosa, e a decisão entre apenas observar ou operar depende do risco de doença residual (linfonodal ou local). A classificação de Haggitt, aplicada a pólipos pediculados, divide a invasão em quatro níveis: nível 1, invasão apenas da cabeça; nível 2, invasão do colo; nível 3, invasão do pedículo; nível 4, invasão da submucosa abaixo do pedículo, mas acima da muscular própria. Para pólipos sésseis, usa-se a classificação de Kikuchi (níveis SM1, SM2, SM3), que mede a profundidade da invasão submucosa em terços.

O que torna a polipectomia curativa no caso descrito é a combinação de fatores favoráveis: invasão restrita à cabeça (Haggitt 1), margens de ressecção livres, ausência de invasão linfovascular e tumor bem diferenciado. Quando esses critérios estão presentes, o risco de metástase linfonodal é muito baixo, e a literatura e os protocolos (como o PCDT brasileiro) recomendam vigilância endoscópica, sem cirurgia complementar. A cirurgia (colectomia segmentar com linfadenectomia) fica reservada para os casos de alto risco: invasão profunda (Haggitt 3 ou 4, ou Kikuchi SM2/SM3), margens comprometidas, invasão linfovascular, tumores pouco diferenciados ou fragmentação da peça.

Na prática, o paciente com pólipo maligno de baixo risco é submetido a colonoscopias de vigilância em intervalos mais curtos (geralmente 3 a 6 meses, depois 1 ano, e assim por diante, conforme as diretrizes), para detectar lesões metacrônicas ou recidiva local. A quimioterapia adjuvante não tem indicação nesse cenário, pois não há doença residual demonstrável e o risco de recidiva é mínimo. A imunoterapia, por sua vez, é reservada para doença metastática ou tumores com instabilidade de microssatélites (MSI-H) em estágios avançados — não se aplica a um pólipo Haggitt 1.

A pegadinha da banca está em sugerir que qualquer adenocarcinoma em pólipo exige cirurgia. O candidato deve lembrar que a classificação de Haggitt e os critérios de risco definem quando a polipectomia é suficiente. Guarde o tripé: Haggitt 1 + margens livres + ausência de invasão linfovascular = vigilância endoscópica. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A colectomia segmentar com linfadenectomia regional é indicada quando há critérios de alto risco: invasão além da cabeça (Haggitt 3 ou 4), margens comprometidas, invasão linfovascular, tumor pouco diferenciado ou fragmentação. No caso, todos os fatores são favoráveis (Haggitt 1, margens livres, sem invasão linfovascular, bem diferenciado), portanto a cirurgia complementar não é necessária. A banca explora o reflexo automático de "câncer = cirurgia", mas a polipectomia já foi curativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há indicação de nova colonoscopia imediata para ressecar margem adicional do pedículo, pois as margens já estão livres de neoplasia. A vigilância endoscópica é feita em intervalos programados (não imediatos), e a reintervenção local só seria considerada se houvesse margem comprometida ou suspeita de ressecção incompleta — o que não é o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Quimioterapia adjuvante não tem papel no adenocarcinoma restrito à cabeça de pólipo pediculado com ressecção completa e critérios de baixo risco. A quimioterapia adjuvante é indicada para câncer colorretal estádio III (linfonodos positivos) e, em situações selecionadas, estádio II de alto risco — nunca para um pólipo maligno Haggitt 1, em que não há doença residual demonstrável.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A polipectomia endoscópica em peça única, com adenocarcinoma bem diferenciado restrito à cabeça (Haggitt 1), margens livres e ausência de invasão linfovascular, é considerada tratamento curativo. A conduta é o acompanhamento endoscópico seriado, sem necessidade de cirurgia complementar. Essa é a recomendação dos protocolos de vigilância pós-polipectomia, alinhada ao PCDT de adenocarcinoma de cólon e reto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Imunoterapia associada à quimioterapia é uma estratégia para doença metastática ou para tumores com instabilidade de microssatélites (MSI-H) em estágios avançados. Não há indicação em pólipo maligno de baixo risco, e a afirmação de "risco de metástase oculta" contradiz os critérios favoráveis do caso (Haggitt 1, margens livres, sem invasão linfovascular), que justamente indicam risco mínimo de disseminação.

Gabarito: letra D — acompanhamento endoscópico seriado, sem cirurgia complementar.

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