Questão de Patologia — Hipóteses Diagnósticas — FGV 2025
Patologia›Hipóteses Diagnósticas
Código
fg109487
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Ano Adicional - Patologia R4
Paciente com massa hepática e nódulo pulmonar realizou biópsia do pulmão. Foram recebidos vários fragmentos irregulares de tecido pardo-claro e elástico, medindo 1,0 x 0,8 x 0,4 cm em conjunto. Os cortes histológicos revelaram neoplasia maligna constituída por células com citoplasma eosinofílico e núcleo central, em arranjo sólido, com expressão citoplasmática de TTF1 e negatividade para Napsina A, CK5 e p63 em painel imuno-histoquímico inicial realizado.Os achados descritos sugerem
Aneoplasia hepática metastática e ampliação do painel.
Bmetástase de carcinoma tireoidiano pela expressão de TTF1.
Cadenocarcinoma pulmonar, apesar da negatividade para Napsina A.
Dcarcinoma de células escamosas no pulmão pela negatividade para Napsina A.
Ecarcinoma neuroendócrino de grandes células do pulmão e solicitação de marcadores neuroendócrinos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — neoplasia hepática metastática e ampliação do painel.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neoplasia pulmonar: diagnóstico diferencial por imuno-histoquímica
Gabarito: letra A. A expressão citoplasmática de TTF1 com negatividade para Napsina A, CK5 e p63, em paciente com massa hepática e nódulo pulmonar, sugere fortemente neoplasia metastática de origem hepática (colangiocarcinoma ou carcinoma hepatocelular), e não tumor primário do pulmão. O TTF1 é marcador de linhagem (tireoide e pulmão), mas sua expressão citoplasmática (e não nuclear) é atípica para adenocarcinoma pulmonar, e a negatividade para Napsina A (marcador de adenocarcinoma pulmonar) e para marcadores escamosos (CK5, p63) reforça a necessidade de ampliar o painel imuno-histoquímico para definir a origem da neoplasia.
O raciocínio diagnóstico em patologia cirúrgica começa pela morfologia. Aqui, temos uma neoplasia maligna com células de citoplasma eosinofílico e núcleo central, em arranjo sólido. Esse padrão é inespecífico e pode ser visto em diversos tumores, como carcinoma hepatocelular, colangiocarcinoma, carcinoma de células renais, melanoma, entre outros. A imuno-histoquímica (IHQ) é a ferramenta que nos ajuda a refinar essa hipótese, identificando a linhagem e, idealmente, o órgão de origem.
O TTF1 (Thyroid Transcription Factor-1) é um marcador nuclear clássico de adenocarcinoma de pulmão e de carcinoma de tireoide. No entanto, a expressão descrita é citoplasmática, o que é um achado atípico e não específico. A Napsina A é um marcador de adenocarcinoma pulmonar, e sua negatividade, junto com a negatividade para CK5 e p63 (marcadores de carcinoma de células escamosas), afasta os principais tumores primários do pulmão. A expressão citoplasmática de TTF1 pode ser vista em alguns tumores hepáticos, como colangiocarcinoma, e a negatividade para os marcadores pulmonares e escamosos sugere que a neoplasia não é primária do pulmão, mas sim metastática, provavelmente de origem hepática, dada a massa hepática concomitante.
A conduta correta, portanto, é ampliar o painel imuno-histoquímico com marcadores específicos para tumores hepáticos (como HepPar1, CK7, CK19, CDX2, entre outros) para confirmar a origem metastática. A alternativa A captura exatamente essa necessidade: "neoplasia hepática metastática e ampliação do painel". As demais alternativas interpretam erroneamente os achados, seja por considerar o TTF1 citoplasmático como indicativo de tumor primário de pulmão ou tireoide, seja por ignorar a negatividade para Napsina A e marcadores escamosos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a expressão nuclear e citoplasmática do TTF1. O TTF1 é um marcador nuclear clássico de adenocarcinoma pulmonar e carcinoma de tireoide; sua expressão citoplasmática é atípica e não específica, podendo ser vista em tumores hepáticos (colangiocarcinoma). O candidato que memoriza "TTF1 positivo = pulmão/tireoide" sem atentar para a localização subcelular cai na alternativa B ou C. Fique atento: a localização da expressão (nuclear vs. citoplasmática) é tão importante quanto a positividade em si.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque os achados imuno-histoquímicos (TTF1 citoplasmático, Napsina A negativo, CK5 e p63 negativos) não são compatíveis com os principais tumores primários do pulmão (adenocarcinoma e carcinoma de células escamosas). A presença de massa hepática concomitante e o padrão morfológico (células com citoplasma eosinofílico e núcleo central, arranjo sólido) são compatíveis com neoplasia hepática metastática, como colangiocarcinoma ou carcinoma hepatocelular. A conduta correta é ampliar o painel imuno-histoquímico com marcadores específicos para tumores hepáticos (HepPar1, CK7, CK19, CDX2, etc.) para confirmar a origem e orientar o tratamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B está incorreta porque a expressão de TTF1 é citoplasmática, não nuclear. O TTF1 é um marcador nuclear clássico de carcinoma de tireoide (e de adenocarcinoma pulmonar), mas sua expressão citoplasmática é atípica e não específica, podendo ser vista em tumores hepáticos (colangiocarcinoma). Além disso, a negatividade para Napsina A e para CK5/p63 não é compatível com carcinoma tireoidiano, que tipicamente expressa TTF1 nuclear e outros marcadores como tireoglobulina. A simples presença de TTF1, sem considerar a localização subcelular e o painel completo, não é suficiente para diagnosticar metástase de carcinoma tireoidiano.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque, embora o TTF1 seja um marcador de adenocarcinoma pulmonar, sua expressão aqui é citoplasmática, não nuclear. A Napsina A é um marcador específico de adenocarcinoma pulmonar, e sua negatividade, junto com a negatividade para CK5 e p63, afasta fortemente o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar primário. O padrão morfológico (células com citoplasma eosinofílico, núcleo central, arranjo sólido) também é inespecífico e pode ser visto em tumores metastáticos. Portanto, não se pode afirmar que se trata de adenocarcinoma pulmonar apenas pela expressão de TTF1 citoplasmático, especialmente com Napsina A negativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque a negatividade para CK5 e p63 afasta o diagnóstico de carcinoma de células escamosas, que tipicamente expressa esses marcadores. A negatividade para Napsina A não é um critério para diagnóstico de carcinoma escamoso; pelo contrário, a Napsina A é um marcador de adenocarcinoma, e sua negatividade apenas reforça que não se trata de adenocarcinoma. O carcinoma de células escamosas do pulmão geralmente expressa CK5, p63 e p40, e não TTF1. Portanto, os achados descritos não são compatíveis com carcinoma de células escamosas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque o carcinoma neuroendócrino de grandes células do pulmão (CNEGC) é um tumor de alto grau que tipicamente expressa marcadores neuroendócrinos (cromogranina, sinaptofisina, CD56) e pode ser positivo para TTF1, mas a expressão de TTF1 é nuclear, não citoplasmática. Além disso, a negatividade para Napsina A, CK5 e p63 não é específica para CNEGC, e o padrão morfológico (células com citoplasma eosinofílico, núcleo central, arranjo sólido) é inespecífico. A solicitação de marcadores neuroendócrinos seria útil, mas os achados descritos não são suficientes para sugerir CNEGC, especialmente pela expressão citoplasmática de TTF1 e pela presença de massa hepática, que sugere metástase.