Sobre os cuidados gerais com o paciente geriátrico em medicina interna, assinale a afirmativa correta.
APacientes geriátricos devem sempre seguir os exames de triagem para neoplasias como colonoscopia e mamografia preconizados para os mais jovens, dado o aumento da expectativa de vida da população.
BNão se deve usar benzodiazepínicos ou sedativos-hipnóticos como primeiro tratamento em pacientes idosos com delirium.
CPacientes idosos podem ter poucos sintomas de infecção e, por isso, qualquer evidência de anormalidade como bacteriúria deve ser prontamente medicada mesmo que assintomática.
DNos idosos, o diabetes mellitus é causa de declínio físico acelerado. Assim, a busca de valores baixos de hemoglobina glicada deve ser perseguida, mesmo sendo necessários múltiplos medicamentos.
EPacientes idosos são frágeis e as doenças evoluem para complicações de forma muito rápida. Assim, esses pacientes devem ser internados para tratamento agressivo em todas as situações.
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GabaritoB — Não se deve usar benzodiazepínicos ou sedativos-hipnóticos como primeiro tratamento em pacientes idosos com delirium.
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Cuidados gerais com o paciente geriátrico: princípios fundamentais
Gabarito: letra B. No manejo do delirium em idosos, a primeira medida é sempre tratar a causa de base e adotar medidas não farmacológicas; benzodiazepínicos e sedativos-hipnóticos não devem ser usados como primeira linha, pois podem piorar o quadro e aumentar o risco de quedas e declínio cognitivo. Essa conduta está alinhada aos princípios da geriatria moderna, que priorizam a segurança e a individualização do cuidado.
O cuidado do paciente idoso exige uma abordagem que vá além do tratamento de doenças isoladas. O envelhecimento traz alterações fisiológicas — como aumento do tecido adiposo, redução da água corporal total e mudanças no metabolismo hepático e renal — que modificam a farmacocinética e a farmacodinâmica dos medicamentos. Por isso, a prescrição para idosos deve ser criteriosa, evitando medicamentos potencialmente inapropriados e priorizando a revisão constante da lista de fármacos em uso. A polifarmácia, definida como o uso de quatro ou mais medicamentos diários, é um dos principais fatores de risco para eventos adversos, interações medicamentosas e a chamada "cascata de prescrições", em que um efeito adverso é interpretado como novo sintoma e leva à prescrição de mais um fármaco.
No delirium, síndrome caracterizada por alteração aguda da atenção e da cognição, com curso flutuante, a abordagem inicial envolve identificar e corrigir os fatores desencadeantes — infecções, distúrbios hidreletrolíticos, privação de sono, uso de medicamentos como anticolinérgicos e benzodiazepínicos, entre outros. Medidas não farmacológicas, como orientação temporal e espacial, presença de familiares, correção de déficits sensoriais e evitar contenções, são a base do tratamento. Quando há agitação psicomotora intensa que coloca o paciente ou a equipe em risco, pode-se considerar o uso de antipsicóticos em baixas doses, mas nunca benzodiazepínicos como primeira escolha, exceto em casos específicos como abstinência alcoólica.
A avaliação geriátrica ampla (AGA) é o instrumento que permite identificar problemas não diagnosticados, avaliar a capacidade funcional, o estado cognitivo, o suporte social e as preferências do paciente. Os "cinco M" da geriatria — Mente, Mobilidade, Medicamentos, Multicomplexidade e o que importa Mais para Mim — resumem os domínios essenciais dessa avaliação. Essa abordagem integral é o que diferencia a geriatria da simples soma de especialidades: o foco está na função e na qualidade de vida, não apenas no controle de doenças.
A banca explora, nesta questão, o conhecimento dos princípios que regem a prática geriátrica: individualização do rastreamento de neoplasias, cautela com psicofármacos, tratamento apenas de infecções sintomáticas, metas glicêmicas realistas e internação seletiva. A alternativa correta é a que reflete a conduta mais segura e baseada em evidências para o idoso.
Cuidados com o idoso: Rastreamento de neoplasias (Individualizado, Expectativa de vida, Comorbidades); Delirium (Tratar causa de base, Medidas não farmacológicas, Evitar benzodiazepínicos); Infecção (Não tratar bacteriúria assintomática, Tratar só sintomática); Diabetes (Metas glicêmicas menos rígidas, Evitar hipoglicemia); Internação (Seletiva, Evitar perda funcional)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que idosos devem seguir os mesmos exames de triagem para neoplasias que os mais jovens, o que é um erro. O rastreamento de câncer deve ser individualizado, considerando a expectativa de vida, a presença de comorbidades e a capacidade funcional. Em idosos com expectativa de vida limitada ou fragilidade avançada, o rastreamento pode não trazer benefício e pode causar danos, como complicações de procedimentos e sobrediagnóstico. As diretrizes recomendam discutir os riscos e benefícios com o paciente, e não aplicar protocolos de adultos jovens de forma automática.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta: não se deve usar benzodiazepínicos ou sedativos-hipnóticos como primeiro tratamento em idosos com delirium. O delirium é uma emergência médica cuja causa subjacente deve ser investigada e tratada. Medidas não farmacológicas são a primeira linha. Quando necessário, antipsicóticos em baixas doses podem ser usados para controle da agitação, mas benzodiazepínicos podem piorar o delirium e aumentar o risco de quedas, sedação excessiva e declínio cognitivo. Essa conduta está alinhada aos princípios da geriatria, que priorizam a segurança e a minimização de danos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa de que "qualquer evidência de anormalidade como bacteriúria deve ser prontamente medicada mesmo que assintomática" é incorreta. A bacteriúria assintomática em idosos não deve ser tratada com antibióticos, pois o tratamento não reduz a mortalidade nem as complicações e aumenta o risco de efeitos adversos e resistência bacteriana. A exceção é em situações específicas, como antes de procedimentos urológicos invasivos. O tratamento deve ser reservado para infecções sintomáticas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa de que "a busca de valores baixos de hemoglobina glicada deve ser perseguida, mesmo sendo necessários múltiplos medicamentos" é incorreta. Em idosos, especialmente os frágeis ou com múltiplas comorbidades, as metas glicêmicas devem ser menos rígidas (HbA1c entre 7,5% e 8,5% ou até mais elevadas), para evitar hipoglicemias, que são graves e podem levar a quedas, hospitalizações e declínio cognitivo. O tratamento deve ser individualizado, priorizando a segurança e a qualidade de vida, e não a busca de valores muito baixos a qualquer custo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa de que "esses pacientes devem ser internados para tratamento agressivo em todas as situações" é incorreta. A internação deve ser seletiva, considerando a gravidade do quadro, o suporte familiar e social, e as preferências do paciente. Muitas condições podem ser manejadas ambulatorialmente, e a internação desnecessária pode levar a complicações como delirium, perda funcional e infecções hospitalares. Em pacientes com fragilidade avançada e múltiplas comorbidades, uma abordagem paliativa pode ser mais benéfica do que uma conduta agressiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de aplicar protocolos de adultos jovens aos idosos, como rastreamento universal de neoplasias, metas glicêmicas rígidas e tratamento de bacteriúria assintomática. O candidato que não conhece os princípios da geriatria — individualização, cautela com medicamentos e foco na função — tende a marcar alternativas que parecem "cientificamente corretas" mas são inadequadas para o idoso. Lembre-se: no idoso, menos intervenção muitas vezes é mais.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de geriatria, lembre-se dos "cinco M": Mente, Mobilidade, Medicamentos, Multicomplexidade e o que importa Mais para Mim. Essa estrutura ajuda a avaliar cada alternativa sob a ótica da avaliação geriátrica ampla, evitando cair em generalizações ou condutas agressivas.