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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2025

MedicinaNefrologia
Código
fg110022
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Clínica Médica
A insuficiência renal é estabelecida quando existe uma diminuição da taxa de filtração glomerular, o que habitualmente é avaliado pelo nível plasmático da creatinina.Em relação à insuficiência renal, assinale a afirmativa correta.
  1. AA suspeita de insuficiência renal pré-renal deve surgir quando a relação entre o nitrogênio ureico e a creatinina plasmáticos for de 10:1 e a excreção de sódio urinário estiver aumentada.
  2. BA presença de azotemia, de anemia e de hipocalcemia deve levar o clínico ao diagnóstico de uma insuficiência renal aguda.
  3. COs sinais e os sintomas de uremia se desenvolvem em níveis diferentes de creatinina plasmática de acordo com fatores associados ao paciente, mas, em geral, a taxa de filtração glomerular está abaixo de 15 mL/min.
  4. DA presença de proteinúria no “spot urinário” (pesquisa de elementos anormais e sedimentos) é inespecífica, podendo representar albumina (síndrome nefrótica) ou imunoglobulinas (mieloma múltiplo).
  5. EA presença de hematúria grosseira com coágulos, na maior parte dos casos, vai indicar uma patologia do rim.
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GabaritoC — Os sinais e os sintomas de uremia se desenvolvem em níveis diferentes de creatinina plasmática de acordo com fatores associados ao paciente, mas, em geral, a taxa de filtração glomerular está abaixo de 15 mL/min.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência renal: uremia, TFG e diagnóstico diferencial

Gabarito: letra C. Os sinais e sintomas de uremia se manifestam em níveis variáveis de creatinina, dependendo de fatores individuais, mas, em geral, a taxa de filtração glomerular (TFG) está abaixo de 15 mL/min — o que caracteriza a doença renal crônica (DRC) em estágio avançado (estágio 5). As demais alternativas apresentam erros conceituais: a relação ureia/creatinina na pré-renal é > 40:1 (não 10:1), a tríade azotemia + anemia + hipocalcemia sugere DRC (não LRA), a proteinúria no spot é específica para doença glomerular (não inespecífica) e a hematúria com coágulos indica sangramento de vias urinárias baixas (não do parênquima renal).

A insuficiência renal é definida pela queda da TFG, que é o melhor índice de função renal. A creatinina plasmática é o marcador mais utilizado, mas sua relação com a TFG não é linear: pequenas elevações iniciais podem representar grandes quedas da TFG, e o valor absoluto varia com massa muscular, idade, sexo e dieta. A TFG pode ser estimada por equações como CKD-EPI, MDRD ou Cockcroft-Gault, que incorporam esses fatores. A DRC é classificada em estágios conforme a TFG: estágio 1 (≥ 90), estágio 2 (60-89), estágio 3a (45-59), 3b (30-44), estágio 4 (15-29) e estágio 5 (< 15 mL/min/1,73 m²), sendo este último a chamada "falência renal" ou "DRT" (doença renal terminal).

A uremia é a síndrome clínica resultante do acúmulo de toxinas urêmicas (ureia, creatinina, ácido úrico, fenóis, etc.) quando a TFG cai drasticamente. Os sintomas são inespecíficos e de instalação lenta: fadiga, fraqueza, palidez, prurido, gosto metálico, náuseas, anorexia, déficit cognitivo, pericardite, neuropatia periférica, entre outros. O ponto central é que o nível de creatinina em que a uremia se manifesta varia muito entre pacientes: um jovem musculoso pode ter creatinina de 4 mg/dL com TFG de 15 mL/min, enquanto um idoso sarcopênico pode ter creatinina de 2 mg/dL com a mesma TFG. Por isso, a TFG é o parâmetro que define o estágio e a necessidade de terapia renal substitutiva, não o valor isolado de creatinina.

A distinção entre insuficiência renal aguda (LRA) e crônica (DRC) é fundamental. A LRA se instala em horas a dias, frequentemente por causas pré-renais (hipovolemia, choque, ICC), renais (NTA, glomerulonefrite) ou pós-renais (obstrução). A DRC é a perda progressiva e irreversível da função renal por ≥ 3 meses, com TFG < 60 mL/min ou marcadores de dano renal (proteinúria, hematúria, alterações de imagem). A presença de anemia e hipocalcemia é típica da DRC, pois a produção de eritropoetina e a ativação de vitamina D estão comprometidas — na LRA, essas alterações são menos proeminentes e se desenvolvem mais tardiamente.

A avaliação inicial do paciente com insuficiência renal inclui: história clínica (uso de medicamentos, comorbidades, sintomas urêmicos), exame físico (edema, sinais de hipervolemia, bexigoma), exames laboratoriais (creatinina, ureia, eletrólitos, gasometria, hemograma, cálcio, fósforo, PTH, proteinúria, sedimento urinário) e ultrassonografia renal (tamanho dos rins, hidronefrose, cistos). A distinção entre LRA pré-renal e NTA é feita pelos índices urinários: FENa < 1% e FEUreia < 35% favorecem pré-renal; FENa > 2% e FEUreia > 50% favorecem NTA.

A pegadinha central desta questão é a associação automática entre "azotemia + anemia + hipocalcemia" e LRA, quando na verdade essa tríade é clássica de DRC. A banca também explora a inversão da relação ureia/creatinina na pré-renal (que é > 40:1, não 10:1) e a confusão entre proteinúria glomerular (albumina) e proteinúria de cadeias leves (mieloma) — ambas são específicas de doença glomerular ou tubular, não "inespecíficas".

Guarde o critério decisivo: a TFG é o parâmetro que define o estágio da DRC e a indicação de diálise, e a uremia se manifesta quando a TFG está abaixo de 15 mL/min, independentemente do valor absoluto de creatinina. É exatamente esse conceito que separa a alternativa correta das demais.

Critério

Insuficiência Renal Aguda (LRA)

Doença Renal Crônica (DRC)

Instalação

Horas a dias

Progressiva, ≥ 3 meses

Anemia e hipocalcemia

Incomuns na apresentação inicial

Típicas (deficiência de eritropoetina e calcitriol)

Relação ureia/creatinina na pré-renal

> 40:1 (ou > 20:1)

Variável, conforme etiologia

Excreção de sódio urinário na pré-renal

Diminuída (FENa < 1%)

Não se aplica (avaliação de etiologia)

TFG para manifestação de uremia

Não se aplica (síndrome urêmica é rara)

< 15 mL/min (estágio 5)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A relação ureia/creatinina na insuficiência renal pré-renal é > 40:1 (ou > 20:1 em algumas referências), não 10:1. Na pré-renal, há aumento da reabsorção tubular de ureia por estímulo da ADH e redução do fluxo urinário, elevando desproporcionalmente a ureia em relação à creatinina. Além disso, a excreção de sódio urinário está diminuída (NaU < 20 mEq/L, FENa < 1%), pois o rim íntegro responde à hipoperfusão retendo sódio e água. A alternativa inverte ambos os parâmetros.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tríade azotemia + anemia + hipocalcemia é característica de doença renal crônica (DRC), não de insuficiência renal aguda (LRA). Na DRC, a anemia decorre da deficiência de eritropoetina e a hipocalcemia da deficiência de vitamina D ativa (calcitriol), com hiperfosfatemia secundária. Na LRA, essas alterações são menos proeminentes e se desenvolvem mais tardiamente, sendo a anemia e a hipocalcemia achados incomuns na apresentação inicial.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A uremia se manifesta em níveis variáveis de creatinina, dependendo de fatores como massa muscular, idade, sexo, dieta e comorbidades. O que define a síndrome urêmica é a TFG < 15 mL/min (estágio 5 da DRC), quando há acúmulo de toxinas urêmicas em níveis suficientes para causar sintomas. Pacientes com TFG entre 15-30 mL/min podem ser assintomáticos ou oligossintomáticos; abaixo de 15 mL/min, os sintomas se tornam mais frequentes e a terapia renal substitutiva (diálise ou transplante) é geralmente indicada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A proteinúria no spot urinário (amostra isolada) é específica para doença glomerular, não inespecífica. A presença de albumina na urina indica proteinúria glomerular (síndrome nefrótica, glomerulonefrite), enquanto a presença de imunoglobulinas de cadeias leves (proteína de Bence-Jones) indica gamopatia monoclonal (mieloma múltiplo). A proteinúria é um marcador de dano renal e sua quantificação (relação proteína/creatinina em amostra aleatória ≥ 3,0) é utilizada para diagnóstico e acompanhamento. A alternativa erra ao classificar a proteinúria como "inespecífica", quando na verdade ela é um achado direcionador para doença glomerular ou tubular.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hematúria grosseira com coágulos indica sangramento de vias urinárias baixas (bexiga, ureteres, uretra), não do parênquima renal. Coágulos são formados quando o sangramento é volumoso e ocorre em local onde a urina fica retida (bexiga), o que é incomum no rim, onde o fluxo urinário é rápido e dilui o sangue. Hematúria glomerular é tipicamente dismórfica, sem coágulos, e pode estar associada a cilindros hemáticos no sedimento. A presença de coágulos sugere causas urológicas: litíase, tumor de bexiga, infecção, trauma ou hiperplasia prostática.

Gabarito: letra C — a única afirmativa correta é a que relaciona a uremia à TFG < 15 mL/min, independentemente do valor absoluto de creatinina.

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