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Questão de Farmácia — Análises Clínicas — FGV 2025

FarmáciaAnálises Clínicas
Código
fg110094
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Farmácia
No contexto laboratorial, a classificação ABO é fundamental para a segurança transfusional. Contudo, discrepâncias podem ocorrer entre a prova direta (globular) e a prova reversa (sérica), comprometendo a correta determinação do grupo sanguíneo.Com base nas causas de discrepâncias na classificação ABO, assinale a afirmativa correta.
  1. ASubgrupos de A ou AB sempre causam discrepâncias na prova direta, devido à presença de anticorpos naturais anti-A1.
  2. BEm recém-nascidos, a ausência de anticorpos naturais anti-A ou anti-B impossibilita a realização da prova reversa, devendo se basear apenas na prova direta para a classificação ABO.
  3. CO fenômeno de Rouleaux, caracterizado pelo empilhamento de hemácias, pode gerar resultados falso-positivos em ambas as provas, sendo corrigido por lavagem das hemácias.
  4. DA gelatina de Wharton presente em amostras de sangue do cordão umbilical pode causar aglutinação inespecífica, levando a resultados falso-negativos na prova direta.
  5. EPacientes imunodeprimidos apresentam frequentemente poliaglutinação das hemácias, o que impede a realização de ambas as provas para classificação ABO.
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GabaritoB — Em recém-nascidos, a ausência de anticorpos naturais anti-A ou anti-B impossibilita a realização da prova reversa, devendo se basear apenas na prova direta para a classificação ABO.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Discrepâncias na classificação ABO: prova direta × prova reversa

Gabarito: letra B. Em recém-nascidos, a produção de anticorpos naturais anti-A e anti-B ainda não está plenamente desenvolvida — ela se inicia por volta dos 3 a 6 meses de idade —, o que torna a prova reversa (sérica) não confiável nessa faixa etária; por isso, a classificação ABO do recém-nascido se baseia na prova direta (globular), que pesquisa os antígenos nas hemácias. Essa é a única afirmativa que descreve corretamente uma causa de discrepância na tipagem ABO.

A classificação ABO é o alicerce da segurança transfusional e se apoia em duas provas complementares: a prova direta (ou globular), que pesquisa os antígenos A e B presentes na superfície das hemácias usando reagentes anti-A, anti-B e anti-AB; e a prova reversa (ou sérica), que pesquisa os anticorpos naturais anti-A e anti-B presentes no soro ou plasma do paciente, usando hemácias conhecidas A1 e B. A lógica é de confirmação cruzada: se a prova direta diz que o paciente é do grupo A, a prova reversa deve mostrar a presença de anti-B (e ausência de anti-A) no soro. Quando os dois resultados não se confirmam mutuamente, há uma discrepância que precisa ser investigada e resolvida antes de qualquer liberação de hemocomponente.

Os anticorpos ABO são chamados de naturais e regulares porque aparecem sem exposição prévia a hemácias incompatíveis, e seguem um padrão etário bem definido: começam a ser produzidos a partir de 3 a 6 meses de vida, atingem produção máxima entre 5 e 10 anos e sofrem queda nos títulos após os 65 anos. É exatamente essa janela inicial de ausência de anticorpos que torna a prova reversa inaplicável no recém-nascido — o soro do bebê simplesmente ainda não contém os anticorpos que a prova procura, de modo que um resultado negativo na prova reversa não significa ausência de antígeno, mas sim ausência de anticorpo. Por isso, a conduta correta é classificar o recém-nascido apenas pela prova direta, que pesquisa os antígenos herdados e já presentes nas hemácias desde o nascimento.

As causas de discrepância entre as duas provas são múltiplas e se dividem classicamente em dois grandes grupos: as que afetam a prova direta (problemas nas hemácias, como subgrupos fracos de A, antígenos adquiridos, aglutinação inespecífica por rouleaux ou contaminação da amostra) e as que afetam a prova reversa (problemas no soro, como ausência ou fraqueza de anticorpos em recém-nascidos, idosos e imunodeprimidos, ou presença de anticorpos irregulares). A banca explora justamente essa fronteira: cada alternativa mistura a causa com a prova afetada e o tipo de resultado (falso-positivo ou falso-negativo), e o candidato precisa saber qual combinação é tecnicamente correta.

A pegadinha central desta questão é a inversão entre a prova afetada e o tipo de erro gerado. O rouleaux, por exemplo, é um fenômeno de empilhamento de hemácias que causa aglutinação inespecífica — mas ele afeta principalmente a prova direta (globular), gerando falso-positivos, e não "ambas as provas" como afirma a alternativa C. Já a gelatina de Wharton, presente no sangue de cordão umbilical, pode causar aglutinação inespecífica e levar a falso-positivos na prova direta, não falso-negativos como diz a alternativa D. E a poliaglutinação, que ocorre quando as hemácias são recobertas por proteínas que reagem com anticorpos presentes em quase todos os soros, é um fenômeno raro e não é característica típica de pacientes imunodeprimidos — a alternativa E troca o fenômeno e o contexto. Guarde o par causa → prova afetada → tipo de erro: é exatamente nessa combinação que as alternativas se separam.

Causa da discrepância

Prova afetada

Tipo de erro gerado

Correção/Contexto

Subgrupos de A (ex.: A2, A2B)

Prova reversa (anti-A1 no soro)

Falso-positivo na reversa

Reação com hemácias A1; não é "sempre" na direta

Recém-nascido (ausência de anti-A/anti-B)

Prova reversa

Não informativa (falso-negativo)

Classificação baseada apenas na prova direta

Rouleaux (empilhamento de hemácias)

Prova direta (principalmente)

Falso-positivo

Correção por lavagem das hemácias (ou substituição do soro)

Gelatina de Wharton (sangue de cordão)

Prova direta

Falso-positivo

Contaminação da amostra

Imunodeprimidos (hipogamaglobulinemia)

Prova reversa

Falso-negativo

Diminuição/ausência de anticorpos; não é poliaglutinação

1Prova direta (hemácias)
Subgrupos fracos de A
Rouleaux → falso-positivo
Gelatina de Wharton → falso-positivo
2Prova reversa (soro)
Recém-nascido → sem anticorpos
Idosos → títulos baixos
Imunodeprimidos → hipogamaglobulinemia
3Correção
Lavagem das hemácias
Substituição do soro
Discrepâncias ABO
LEVELsoulevel.com.br
Discrepâncias ABO: Prova direta (hemácias) (Subgrupos fracos de A, Rouleaux → falso-positivo, Gelatina de Wharton → falso-positivo); Prova reversa (soro) (Recém-nascido → sem anticorpos, Idosos → títulos baixos, Imunodeprimidos → hipogamaglobulinemia); Correção (Lavagem das hemácias, Substituição do soro)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que subgrupos de A ou AB "sempre" causam discrepâncias na prova direta devido à presença de anticorpos naturais anti-A1. Há dois erros: primeiro, a palavra "sempre" é uma generalização indevida — subgrupos fracos de A (como A2, A3, Ax) podem causar discrepância na prova direta por reação fraca ou ausente com o anti-A, mas nem todos os subgrupos geram discrepância, e o anti-A1 é um anticorpo que reage com o antígeno A1, presente na maioria dos indivíduos A e AB, não sendo a causa da discrepância na prova direta. Segundo, a presença de anti-A1 no soro de indivíduos A2 ou A2B é uma causa de discrepância na prova reversa, não na prova direta — o anti-A1 é um anticorpo natural que aglutina hemácias A1, e sua presença no soro de um indivíduo A2 faz com que a prova reversa (que usa hemácias A1) reaja positivamente, sugerindo erroneamente ausência de antígeno A. A alternativa inverte a prova afetada e generaliza indevidamente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta: em recém-nascidos, a ausência de anticorpos naturais anti-A e anti-B (que só começam a ser produzidos a partir de 3 a 6 meses de idade) impossibilita a realização da prova reversa, pois o soro do bebê não contém os anticorpos que a prova pesquisa. Por isso, a classificação ABO do recém-nascido deve se basear apenas na prova direta, que pesquisa os antígenos A e B presentes nas hemácias desde o nascimento. Essa é uma conduta consagrada em imuno-hematologia e está alinhada com a lógica da tipagem ABO descrita na legislação sanitária, que exige a prova reversa "sempre" — mas com a ressalva de que, em situações específicas como o recém-nascido, a prova reversa não é informativa e a classificação se apoia na prova direta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o fenômeno de Rouleaux, caracterizado pelo empilhamento de hemácias, pode gerar resultados falso-positivos em "ambas as provas", sendo corrigido por lavagem das hemácias. O erro está na extensão: o rouleaux é um fenômeno que afeta principalmente a prova direta (globular), pois o empilhamento das hemácias pode ser interpretado como aglutinação, gerando falso-positivos na leitura da reação com anti-A e anti-B. Na prova reversa, o rouleaux também pode interferir, mas o mecanismo clássico de correção não é a lavagem das hemácias — é a substituição do soro por soro fisiológico ou a realização da prova com hemácias lavadas, que remove as proteínas plasmáticas responsáveis pelo empilhamento. A lavagem das hemácias é uma técnica de preparo da amostra, mas a correção do rouleaux na prova direta envolve a lavagem das hemácias do paciente antes da reação, enquanto na prova reversa a correção envolve a diluição ou substituição do soro. A alternativa mistura os mecanismos e generaliza o efeito para ambas as provas sem a devida precisão técnica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a gelatina de Wharton presente em amostras de sangue do cordão umbilical pode causar aglutinação inespecífica, levando a resultados falso-negativos na prova direta. O erro está no tipo de resultado: a gelatina de Wharton, uma substância mucopolissacarídica presente no cordão umbilical, pode contaminar a amostra de sangue do cordão e causar aglutinação inespecífica das hemácias, mas isso gera falso-positivos na prova direta, não falso-negativos. A aglutinação inespecífica faz com que as hemácias se aglutinem mesmo na ausência de anticorpos específicos, simulando uma reação positiva. A alternativa inverte o tipo de erro: a contaminação por gelatina de Wharton é uma causa clássica de falso-positivo na tipagem de sangue de cordão, e não de falso-negativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes imunodeprimidos apresentam "frequentemente" poliaglutinação das hemácias, o que impede a realização de ambas as provas. Há dois erros: primeiro, a poliaglutinação é um fenômeno raro, caracterizado pela aglutinação das hemácias quando expostas a quase todos os soros humanos adultos, devido à presença de antígenos criptantígenos (como o T) expostos na superfície das hemácias por ação de enzimas bacterianas — não é uma característica frequente de pacientes imunodeprimidos. Segundo, em pacientes imunodeprimidos, o problema mais comum na tipagem ABO é a diminuição ou ausência de anticorpos (hipogamaglobulinemia), o que afeta a prova reversa, gerando resultados falso-negativos (ausência de aglutinação esperada), e não a poliaglutinação que impede ambas as provas. A alternativa troca o fenômeno (poliaglutinação) pelo contexto clínico (imunodepressão) e generaliza a frequência.

Gabarito: letra B — a única afirmativa correta é a que descreve a limitação da prova reversa em recém-nascidos, baseando a classificação ABO na prova direta.

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