Questão de Farmácia — Análises Clínicas — FGV 2025
Farmácia›Análises Clínicas
Código
fg110106
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Farmácia
As hemoglobinopatias são distúrbios genéticos caracterizados por alterações estruturais ou quantitativas na molécula de hemoglobina. Essas alterações podem impactar a função do transporte de oxigênio e levar a manifestações clínicas diversas.Com base nos mecanismos fisiopatológicos e diagnósticos laboratoriais das hemoglobinopatias, assinale a afirmativa correta.
AA hemoglobina S (Hb S) resulta da substituição do ácido glutâmico pela lisina na posição 6 da cadeia beta da globina, causando a falcização dos eritrócitos.
BAs hemoglobinas variantes, como Hb C e Hb E, são sempre clinicamente assintomáticas, independentemente do estado homozigoto ou heterozigoto.
CO teste de falcização é positivo em portadores heterozigotos da hemoglobina S (traço falciforme) e homozigotos para Hb C.
DO diagnóstico de hemoglobinopatias é feito exclusivamente por eletroforese de hemoglobina, sem necessidade de testes moleculares complementares.
EA Hb Fetal (Hb F) pode estar aumentada em condições como talassemias e doença falciforme, funcionando como um fator de proteção contra a falcização das hemácias.
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GabaritoE — A Hb Fetal (Hb F) pode estar aumentada em condições como talassemias e doença falciforme, funcionando como um fator de proteção contra a falcização das hemácias.
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Hemoglobinopatias: mecanismos fisiopatológicos e diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra E. A afirmativa correta é a que associa o aumento da hemoglobina fetal (Hb F) a condições como talassemias e doença falciforme, destacando seu papel protetor contra a falcização das hemácias. As demais alternativas contêm erros conceituais: a Hb S decorre da substituição do ácido glutâmico pela valina (não lisina); as hemoglobinas variantes podem ser sintomáticas em homozigose; o teste de falcização é positivo na presença de Hb S, não em homozigotos para Hb C; e o diagnóstico não se restringe à eletroforese, podendo exigir testes moleculares complementares.
As hemoglobinopatias são distúrbios genéticos que afetam a estrutura ou a síntese da hemoglobina, a proteína responsável pelo transporte de oxigênio. Elas se dividem em dois grandes grupos: as hemoglobinas variantes, resultantes de mutações que alteram a sequência de aminoácidos (como a Hb S, Hb C e Hb E), e as talassemias, causadas por mutações que reduzem a síntese de uma das cadeias de globina (alfa ou beta). A compreensão desses mecanismos é essencial para interpretar os achados laboratoriais e as manifestações clínicas.
A hemoglobina normal do adulto (Hb A) é um tetrâmero composto por duas cadeias alfa e duas cadeias beta (α2β2). A Hb A2 (α2δ2) e a Hb F (α2γ2) estão presentes em pequenas quantidades. A Hb F predomina na vida fetal e, após o nascimento, seus níveis caem para menos de 1% da hemoglobina total. Em condições como talassemias e doença falciforme, a produção de Hb F pode permanecer elevada, o que é clinicamente relevante: a Hb F inibe a polimerização da Hb S, reduzindo a falcização e atenuando a gravidade da doença. Esse é o fundamento da alternativa E.
O diagnóstico laboratorial das hemoglobinopatias envolve uma combinação de métodos. A eletroforese de hemoglobina é o exame inicial e mais utilizado, permitindo identificar as frações Hb A, Hb A2, Hb F e variantes como Hb S e Hb C. No entanto, em casos de dúvida ou para confirmação de variantes raras, testes moleculares (como PCR e sequenciamento) são necessários. Portanto, a afirmação de que o diagnóstico é feito exclusivamente por eletroforese está incorreta.
A falcização é um fenômeno característico da Hb S, que ocorre quando a hemoglobina desoxigenada polimeriza, deformando o eritrócito em forma de foice. O teste de falcização (ou teste de afoiçamento) é positivo na presença de Hb S, tanto em heterozigotos (traço falciforme) quanto em homozigotos (doença falciforme). Em homozigotos para Hb C, o teste é negativo, pois a Hb C não polimeriza da mesma forma. A alternativa C erra ao afirmar que o teste é positivo em homozigotos para Hb C.
A alternativa A apresenta um erro clássico: a Hb S resulta da substituição do ácido glutâmico pela valina na posição 6 da cadeia beta, e não pela lisina. Essa troca de aminoácido confere à molécula a propriedade de polimerizar em condições de baixa oxigenação. A alternativa B também é incorreta, pois hemoglobinas variantes como Hb C e Hb E podem causar doença clínica em homozigose, embora geralmente mais branda que a doença falciforme.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca do aminoácido na Hb S: muitos candidatos confundem valina com lisina. Lembre-se: a mutação no gene da beta-globina substitui o ácido glutâmico (Glu) por valina (Val) na posição 6 — é essa troca que permite a polimerização da Hb S. Outra pegadinha comum é associar o teste de falcização à Hb C, quando na verdade ele é específico para Hb S.
Característica
Hb S (Doença Falciforme)
Hb C (Homozigose)
Hb E (Homozigose)
Mutação (cadeia beta, posição 6)
Substituição do ácido glutâmico por valina
Substituição do ácido glutâmico por lisina
Substituição do ácido glutâmico por lisina (posição 26)
Manifestação clínica
Anemia hemolítica grave, crises de falcização
Anemia hemolítica leve a moderada, esplenomegalia
Anemia hemolítica leve, microcitose
Teste de falcização
Positivo (heterozigoto e homozigoto)
Negativo
Negativo
Papel da Hb F
Aumentada; inibe a polimerização da Hb S (fator protetor)
Pode estar discretamente aumentada
Pode estar discretamente aumentada
Hemoglobinopatias
1Hemoglobinas variantes
Hb S (Glu→Val na posição 6)
Falcização
Teste de falcização positivo
Hb C e Hb E
Homozigose: sintomáticas
2Talassemias
Redução de síntese de cadeia
Alfa ou beta
3Hb Fetal (Hb F)
Aumentada em talassemias e doença falciforme
Inibe polimerização da Hb S
4Diagnóstico
Eletroforese (inicial)
Testes moleculares (confirmação)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na substituição do aminoácido: a Hb S resulta da troca do ácido glutâmico pela valina na posição 6 da cadeia beta, e não pela lisina. Essa substituição (Glu→Val) é o que confere à molécula a capacidade de polimerizar em condições de baixa tensão de oxigênio, levando à falcização. A lisina não está envolvida na mutação da Hb S.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que hemoglobinas variantes como Hb C e Hb E são sempre assintomáticas é falsa. Em homozigose, essas variantes podem causar anemia hemolítica leve a moderada, esplenomegalia e outras manifestações. O estado heterozigoto geralmente é assintomático, mas o homozigoto não é. Portanto, a generalização "sempre clinicamente assintomáticas" está incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O teste de falcização é positivo na presença de Hb S, tanto em heterozigotos (traço falciforme) quanto em homozigotos (doença falciforme). No entanto, é negativo em homozigotos para Hb C, pois a Hb C não polimeriza como a Hb S. A alternativa erra ao incluir homozigotos para Hb C como positivos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diagnóstico de hemoglobinopatias não é feito exclusivamente por eletroforese. Embora a eletroforese seja o método inicial e mais utilizado, testes moleculares (PCR, sequenciamento) são necessários para confirmar variantes raras, identificar mutações específicas e diferenciar algumas condições. Portanto, a exclusividade afirmada está incorreta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Hb Fetal (Hb F) pode estar aumentada em condições como talassemias e doença falciforme. Esse aumento tem importância clínica: a Hb F inibe a polimerização da Hb S, reduzindo a falcização das hemácias e atenuando a gravidade da doença falciforme. Por isso, é considerada um fator de proteção. A alternativa está correta ao descrever esse mecanismo.