Questão de Farmácia — Análises Clínicas — FGV 2025
- Código
- fg110107
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo Farmácia
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CIII, apenas.
- DI e III.
- EII e IV.
GabaritoB — II, apenas.
Gabarito: letra B. Apenas a descrição II está correta: espermatozoides vivos reativos apresentam região acrossômica não corada e região pós-acrossômica marrom. As demais descrições (I, III e IV) invertem ou misturam os padrões de coloração característicos de cada categoria, conforme o teste de reação acrossômica com corantes supravitais.
O acrossomo é uma organela em forma de capuz localizada na porção anterior da cabeça do espermatozoide, contendo enzimas hidrolíticas (como hialuronidase e acrosina) essenciais para a penetração na zona pelúcida do óvulo durante a fertilização. A avaliação da reação acrossômica é um teste funcional que verifica se o espermatozoide é capaz de sofrer a exocitose do conteúdo acrossômico, um pré-requisito para a fecundação. O teste utiliza corantes supravitais — azul de tripano, rosa bengala e marrom Bismarck — que permitem distinguir simultaneamente a viabilidade (vivo/morto) e o estado da reação acrossômica (reativo/não reativo).
O princípio do teste baseia-se na permeabilidade diferencial das membranas: o azul de tripano penetra apenas em células com membrana danificada (mortas), corando-as de azul-escuro a negro, enquanto células vivas permanecem com a membrana íntegra e não incorporam o corante. O rosa bengala e o marrom Bismarck coram o conteúdo acrossômico: quando a reação acrossômica ocorre (espermatozoides reativos), o conteúdo é liberado e a região acrossômica fica não corada (ou levemente corada); quando não ocorre (não reativos), o acrossomo permanece intacto e cora-se fortemente de rosa.
A combinação desses dois critérios gera as quatro categorias clássicas de avaliação:
Categoria | Região acrossômica | Região pós-acrossômica |
|---|---|---|
Vivos não reativos | Fortemente rosa | Azul-escuro a negro |
Vivos reativos | Não corada | Marrom |
Mortos não reativos | Fortemente rosa | Azul-escuro a negro |
Mortos reativos | Levemente rosa | Azul-escuro a negro |
Observe que a região pós-acrossômica (que contém o núcleo e a peça intermediária) é corada pelo azul de tripano apenas nos espermatozoides mortos, pois a membrana danificada permite a entrada do corante. Nos vivos, a região pós-acrossômica permanece com a coloração do marrom Bismarck (marrom), independentemente do estado da reação acrossômica. Já a região acrossômica reflete o estado da reação: não reativos apresentam acrossomo intacto (fortemente rosa), enquanto reativos apresentam acrossomo vazio (não corado ou levemente rosa).
A pegadinha da banca está em inverter os padrões de coloração entre as categorias, especialmente ao atribuir a coloração da região pós-acrossômica (que depende da viabilidade) à região acrossômica (que depende da reação). O candidato deve lembrar que a viabilidade é avaliada pela região pós-acrossômica (azul-escuro/negro = morto; marrom = vivo) e a reação acrossômica pela região acrossômica (rosa forte = não reativo; não corado/levemente rosa = reativo).
A descrição "vivos não reativos: região acrossômica fortemente rosa e região pós-acrossômica variando de azul-escuro a negro" está parcialmente correta na região acrossômica (não reativo = fortemente rosa), mas erra na região pós-acrossômica: espermatozoides vivos não incorporam o azul de tripano, portanto a região pós-acrossômica deve ser marrom (coloração do marrom Bismarck), não azul-escuro a negro. A coloração azul-escura a negra na região pós-acrossômica é indicativa de célula morta.
A descrição "vivos reativos: região acrossômica não corada e região pós-acrossômica marrom" está correta. Espermatozoides vivos reativos sofreram a reação acrossômica, liberando o conteúdo enzimático, o que resulta em região acrossômica não corada (o rosa bengala não encontra substrato). A região pós-acrossômica permanece marrom porque a membrana está íntegra e não permite a entrada do azul de tripano, mantendo a coloração do marrom Bismarck.
A descrição "mortos não reativos: região acrossômica não corada e pós-acrossômica fortemente corada de marrom" está duplamente errada. Espermatozoides mortos não reativos apresentam acrossomo intacto, portanto a região acrossômica deve ser fortemente corada de rosa (não não corada). Além disso, a região pós-acrossômica de células mortas incorpora o azul de tripano, corando-se de azul-escuro a negro, não de marrom. A descrição inverte completamente os padrões esperados.
A descrição "mortos reativos: região acrossômica levemente rosa e região pós-acrossômica variando de azul-escuro a negro" está parcialmente correta na região pós-acrossômica (mortos = azul-escuro a negro), mas erra na região acrossômica: espermatozoides reativos, mesmo mortos, apresentam acrossomo vazio, portanto a região acrossômica deve ser não corada (ou no máximo levemente corada, mas a descrição "levemente rosa" não é o padrão clássico descrito para essa categoria — o padrão é não corada). A banca troca o padrão de coloração da região acrossômica entre as categorias de reativos.
Gabarito: letra B — apenas o item II está correto.
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