Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2025
- Código
- fg110270
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo Medicina Física e Reabilitação
- AI, II e III.
- BII, III e IV.
- CI e II.
- DIII e IV.
- EII e III.
GabaritoA — I, II e III.
Gabarito: letra A. O cálculo da dose total de toxina botulínica tipo A (TBA) para tratar espasticidade em paciente hemiplégico leva em consideração o tamanho do músculo, o grau de espasticidade e o peso corporal — fatores I, II e III. O custo da medicação (fator IV) não é critério farmacológico para o cálculo da dose, sendo um aspecto administrativo/econômico, não clínico. Essa orientação está alinhada ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde sobre espasticidade, que descreve os fatores a considerar na determinação das doses.
A toxina botulínica tipo A é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que age inibindo a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, reduzindo a contração muscular excessiva — por isso é amplamente usada no tratamento da espasticidade, condição caracterizada por aumento do tônus muscular dependente da velocidade, comum após acidente vascular cerebral (AVC), paralisia cerebral, lesão medular, entre outras causas.
O cálculo da dose não é uma fórmula fixa, mas uma decisão clínica individualizada. Os fatores que entram nessa decisão são:
Tamanho do músculo: músculos maiores (ex.: gastrocnêmio, quadríceps) necessitam de doses maiores para atingir o efeito desejado; músculos pequenos (ex.: intrínsecos da mão) recebem doses menores.
Grau de espasticidade: avaliado por escalas como a Escala de Ashworth Modificada (0 a 4) ou a Escala de Tardieu; quanto maior a espasticidade, maior tende a ser a dose necessária.
Peso corporal: especialmente em crianças, a dose é frequentemente calculada em unidades por quilograma (U/kg), como nos estudos citados (ex.: 3 a 6 U/kg, 6 a 12 U/kg, 15 U/kg). Em adultos, o peso também pode influenciar, embora a dose seja mais frequentemente ajustada por músculo e gravidade.
O custo da medicação não é um fator farmacológico para o cálculo da dose. Embora o custo seja relevante para a gestão de recursos em saúde (como estratégias de redução de custos no SUS), ele não deve influenciar a dose terapêutica — a dose deve ser a menor eficaz, independentemente do preço. Incluir o custo como critério de dose seria antiético e contrário à boa prática médica.
A banca explora a confusão entre fatores clínicos e fatores administrativos: o candidato pode ser tentado a incluir o custo por pensar em "custo-benefício", mas a questão é objetiva sobre o que determina a dose. A pegadinha está em distinguir o que é critério de prescrição (tamanho, espasticidade, peso) do que é critério de gestão (custo).
Guarde o critério: dose = fatores clínicos do paciente e do músculo; custo é questão de logística, não de dose. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.
O tamanho do músculo é um fator determinante: músculos maiores exigem doses maiores para que a toxina atinja concentração eficaz. O PCDT menciona que a determinação das doses baseia-se no "tamanho e número de músculos a serem tratados". Portanto, o item está correto.
O grau de espasticidade é outro fator central: a dose é ajustada conforme a intensidade da hipertonia, avaliada por escalas como Ashworth ou Tardieu. O PCDT afirma que a determinação das doses baseia-se na "intensidade da espasticidade". Item correto.
O peso corporal é fator relevante, especialmente em crianças, onde a dose é calculada em U/kg (ex.: 3–6 U/kg, 6–12 U/kg). O PCDT cita o "peso corporal" como um dos fatores. Item correto.
O custo da medicação não é critério para o cálculo da dose. A dose deve ser a menor eficaz, independentemente do preço. O custo é uma preocupação de gestão em saúde, não um parâmetro clínico de prescrição. Item incorreto.
Conclusão: Estão corretos apenas os fatores I, II e III → letra A.
Gabarito: letra A
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