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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg110386
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Medicina de Emergência
Paciente do sexo feminino, 33 anos, com o diagnóstico de câncer de mama metastático, sem outras comorbidades, realizou última sessão de quimioterapia há 10 dias. Dá entrada no pronto-socorro queixando-se de febre de 38,7°C sustentada há duas horas. Não apresenta queixas abdominais, respiratórias e urinárias e não faz uso de dispositivos invasivos. Está em bom estado geral, Glasgow 15, FC 90, hidratada, febril, PA 120x70, FR 18, SatO2 95% em ar ambiente, sem quaisquer alterações de exame físico. A melhor conduta para esse caso é
  1. Aprescrever antitérmicos e orientar retorno ao pronto-socorro apenas se sinais de alarme.
  2. Bcoletar exames laboratoriais, além de culturas, orientando retorno em 48h para checagem de exames e início de antimicrobiano direcionado para cultura caso seja necessário.
  3. Ccoletar exames laboratoriais, além de culturas, dando receita de levofloxacino 750mg/dia por via oral e orientando retorno em 48h para checagem dos exames e ajuste/suspensão do antimicrobiano conforme resultado das culturas.
  4. Dcoletar exames laboratoriais, além de culturas. Fazer a primeira dose de levofloxacino 750mg/dia supervisionada no pronto-socorro e manter observação por quatro horas. Caso não exiba intercorrências, liberar com receita do mesmo antibiótico por via oral e orientar retorno em 48h para direcionamento das condutas.
  5. Ecoletar exames de protocolo sepse, culturas e início de cefepima por via intravenosa, estando indicada internação hospitalar independentemente do resultado dos exames, por se tratar de paciente de alto risco, caracterizado por um escore de MASCC < 21 e por febre sustentada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — coletar exames laboratoriais, além de culturas. Fazer a primeira dose de levofloxacino 750mg/dia supervisionada no pronto-socorro e manter observação por quatro horas. Caso não exiba intercorrências, liberar com receita do mesmo antibiótico por via oral e orientar retorno em 48h para direcionamento das condutas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Febre neutropênica em paciente oncológica: conduta na emergência

Gabarito: letra D. Paciente com câncer de mama metastático, em quimioterapia recente (há 10 dias), apresenta febre sustentada — quadro que define febre neutropênica até prova em contrário. A conduta correta é coletar exames laboratoriais e culturas, administrar a primeira dose de antimicrobiano supervisionada no pronto-socorro, manter observação por algumas horas e, se estável, liberar com receita do mesmo antibiótico oral e retorno em 48h para direcionamento — exatamente o que a alternativa D descreve. As demais alternativas erram ao postergar o antibiótico, liberar o paciente sem tratamento ou internar de forma desnecessária.

A febre neutropênica é uma emergência oncológica definida como temperatura axilar ≥ 38,3°C em uma única aferição ou ≥ 38,0°C sustentada por uma hora, associada a contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³ (ou < 1000/mm³ com previsão de queda para < 500 nas próximas 48h). O risco de infecção grave e sepse é alto, e a conduta não pode esperar o resultado das culturas — o antimicrobiano empírico deve ser iniciado precocemente, idealmente na primeira hora de atendimento. A escolha do esquema e a decisão entre tratamento oral ambulatorial ou intravenoso com internação dependem da estratificação de risco.

A ferramenta mais utilizada para essa estratificação é o escore MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer), que pontua: carga de sintomas (0–5), ausência de hipotensão (5), ausência de DPOC (4), tumor sólido ou ausência de infecção fúngica prévia (4), ausência de desidratação (3), paciente ambulatorial no início da febre (3) e idade < 60 anos (2). Escore ≥ 21 indica baixo risco e candidatura a tratamento oral ambulatorial; escore < 21 indica alto risco e necessidade de internação com antimicrobiano intravenoso. A paciente do caso tem 33 anos, tumor sólido (câncer de mama), sem comorbidades, sem hipotensão, sem desidratação, sem sintomas de infecção focal e em bom estado geral — o que resulta em escore MASCC ≥ 21, ou seja, baixo risco.

Na prática, para pacientes de baixo risco, a conduta recomendada é: coletar hemograma, função renal/hepática e culturas (sangue, urina e de sítios suspeitos), administrar a primeira dose de antimicrobiano oral no serviço de emergência (para garantir adesão e observar tolerância), manter observação por 4–6 horas e, se o paciente permanecer estável e sem intercorrências, liberar com receita do mesmo antibiótico para uso domiciliar, com retorno em 24–48h para reavaliação e direcionamento conforme resultados das culturas. O antibiótico de escolha para baixo risco é uma fluoroquinolona oral (ciprofloxacino ou levofloxacino) associada ou não a amoxicilina-clavulanato, dependendo do protocolo local.

A pegadinha central desta questão é dupla: (1) confundir o manejo da febre neutropênica de baixo risco com o de alto risco, internando desnecessariamente; e (2) postergar o início do antibiótico, o que contraria o princípio de que o antimicrobiano empírico deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar culturas. A alternativa E, por exemplo, afirma que a paciente tem MASCC < 21 — o que é falso, pois ela claramente pontua ≥ 21. A alternativa C erra ao dar a receita sem administrar a primeira dose supervisionada, o que compromete a garantia de adesão e a observação de reações adversas. A alternativa B erra ao não iniciar antibiótico algum, apenas coletar exames. A alternativa A erra ao não coletar exames nem iniciar tratamento, apenas prescrever antitérmicos.

Guarde o fluxo decisório: febre + quimioterapia recente = febre neutropênica até prova em contrário → estratificar risco (MASCC) → baixo risco: antibiótico oral com primeira dose supervisionada + observação + alta com retorno; alto risco: internação + antibiótico intravenoso. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1Febre + quimioterapia recente
  2. 2Estratificar risco (MASCC)
  3. 3Baixo risco (≥21): antibiótico oral
  4. 41ª dose supervisionada no PS
  5. 5Observação 4–6h
  6. 6Alta com retorno 48h
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Prescrever apenas antitérmicos e orientar retorno se sinais de alarme é conduta negligente em febre neutropênica. A paciente tem alto risco de infecção grave e sepse; a conduta exige coleta de exames e culturas e início imediato de antimicrobiano empírico, não apenas controle sintomático. Aguardar sinais de alarme para agir pode levar a desfecho fatal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Coletar exames e culturas sem iniciar antimicrobiano é erro grave: o princípio é iniciar o antibiótico empírico precocemente, sem aguardar resultados de cultura. Além disso, orientar retorno em 48h para checagem de exames e início de antibiótico apenas se a cultura for positiva deixa a paciente sem tratamento no período crítico. A conduta correta é iniciar o antibiótico imediatamente, mesmo antes do resultado das culturas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa acerta ao coletar exames e culturas e ao escolher levofloxacino oral, mas erra ao entregar a receita sem administrar a primeira dose supervisionada. O objetivo da primeira dose no serviço é garantir adesão, observar tolerância e reações adversas, e assegurar que o paciente realmente iniciou o tratamento. Além disso, o retorno em 48h para ajuste/suspensão conforme cultura é adequado, mas a falha na supervisão da primeira dose compromete a segurança do manejo ambulatorial.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve exatamente a conduta recomendada para febre neutropênica de baixo risco: coletar exames laboratoriais e culturas, administrar a primeira dose de levofloxacino 750mg/dia supervisionada no pronto-socorro, manter observação por 4 horas e, se não houver intercorrências, liberar com receita do mesmo antibiótico oral e orientar retorno em 48h para direcionamento das condutas. Isso garante início imediato do tratamento, adesão e monitoramento inicial, com seguimento ambulatorial adequado para paciente de baixo risco (MASCC ≥ 21).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Esta alternativa erra ao classificar a paciente como alto risco (MASCC < 21), o que é falso: ela tem 33 anos, tumor sólido, sem comorbidades, sem hipotensão, sem desidratação, sem sintomas focais e em bom estado geral — escore MASCC ≥ 21, portanto baixo risco. Consequentemente, não há indicação de internação obrigatória nem de cefepima intravenosa. A conduta correta é tratamento oral ambulatorial com primeira dose supervisionada, como descrito na alternativa D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre baixo e alto risco na febre neutropênica. A alternativa E afirma que a paciente tem MASCC < 21, mas ela claramente pontua ≥ 21 (jovem, tumor sólido, sem comorbidades, estável). O candidato que decora o escore sem saber aplicá-lo cai na armadilha e interna a paciente desnecessariamente. Lembre-se: febre + quimioterapia recente = febre neutropênica; estratifique com MASCC; baixo risco = oral com primeira dose supervisionada; alto risco = internação com IV.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de febre neutropênica, monte o escore MASCC mentalmente: some os pontos (carga de sintomas, ausência de hipotensão, ausência de DPOC, tumor sólido, ausência de desidratação, ambulatorial, idade < 60). Se ≥ 21, é baixo risco → antibiótico oral com primeira dose no serviço e alta com retorno. Se < 21, é alto risco → internação e antibiótico intravenoso. Essa é a chave para acertar a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra D

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