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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg110434
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Medicina e Preventiva e Social
O Diabete Melito (DM) pode ser definido como um conjunto de alterações metabólicas caracterizada por níveis sustentadamente elevados de glicemia, decorrentes de deficiência na produção de insulina ou de sua ação, levando a complicações de longo prazo.Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2 do Ministério da Saúde, assinale a afirmativa correta sobre o rastreamento em indivíduos assintomáticos.
  1. AÉ indicado para indivíduos com sobrepeso + familiar de até 2º grau com DM.
  2. BÉ indicado para todos os indivíduos a partir dos 45 anos, mesmo sem fatores de risco.
  3. CEm pacientes com pré-diabete (HbA1c entre 5,7% e 6,5%, TDG ou GJA em exame prévio) os exames devem ser repetidos semestralmente.
  4. DÉ indicado para indivíduos com sobrepeso + Colesterol HDL ≤ 30 mg/dL e/ou triglicerídeos ≥ 200 mg/dL.
  5. ESe os resultados forem normais, o rastreamento deve ser repetido a cada dois anos.
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GabaritoB — É indicado para todos os indivíduos a partir dos 45 anos, mesmo sem fatores de risco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do Diabetes Melito Tipo 2 em indivíduos assintomáticos

Gabarito: letra B. O rastreamento do DM2 é indicado para todos os indivíduos a partir dos 45 anos, mesmo sem fatores de risco, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, que segue a recomendação da American Diabetes Association (ADA). As demais alternativas apresentam erros nos critérios de rastreamento, como valores incorretos de HDL, triglicerídeos, intervalo de repetição ou definição de pré-diabetes.

O rastreamento do diabetes melito tipo 2 (DM2) em adultos assintomáticos é uma estratégia fundamental para o diagnóstico precoce, pois o DM2 frequentemente permanece assintomático por anos, período em que complicações micro e macrovasculares já podem estar se desenvolvendo. A diretriz do Ministério da Saúde, alinhada às recomendações da ADA, estabelece critérios objetivos para indicar o rastreamento, que se dividem em duas grandes categorias: a faixa etária universal e os fatores de risco que antecipam ou intensificam o rastreamento.

A regra central é que todo indivíduo com 45 anos ou mais deve ser rastreado, independentemente da presença de fatores de risco. Isso porque a prevalência de DM2 aumenta significativamente com a idade, e o diagnóstico precoce nessa faixa etária permite intervenções que reduzem a morbimortalidade associada. Para indivíduos mais jovens (abaixo de 45 anos), o rastreamento é indicado quando há fatores de risco adicionais, como sobrepeso/obesidade (IMC ≥ 25 kg/m²), histórico familiar de DM em parente de primeiro grau, sedentarismo, hipertensão arterial, dislipidemia (HDL baixo e/ou triglicerídeos elevados), diabetes gestacional prévio, síndrome dos ovários policísticos, acantose nigricans, doença cardiovascular ou pré-diabetes.

Na prática clínica, um exemplo concreto: uma mulher de 50 anos, sem queixas e sem fatores de risco, deve realizar o rastreamento para DM2 apenas por ter atingido a idade de 45 anos. Já um homem de 30 anos, com IMC de 28 kg/m² e histórico de diabetes gestacional na esposa (não é parente de primeiro grau), não preenche critérios para rastreamento imediato, pois o fator de risco familiar exige parente de primeiro grau (pai, mãe ou irmão). Essa distinção entre "familiar de 1º grau" e "familiar de 2º grau" é um ponto que a banca explora, como na alternativa A.

A distinção que importa neste tema é entre rastreamento universal por idade e rastreamento seletivo por fatores de risco. O primeiro se aplica a todos a partir de 45 anos; o segundo, a indivíduos mais jovens que apresentam condições que aumentam o risco de DM2. A banca frequentemente confunde esses dois critérios, misturando a idade universal com a necessidade de fatores de risco, ou trocando os valores de corte dos exames laboratoriais.

A pegadinha central desta questão está nos valores de corte e nos intervalos de repetição dos exames. A banca troca o HDL de 35 mg/dL por 30 mg/dL, os triglicerídeos de 250 mg/dL por 200 mg/dL, o intervalo de repetição de 3 anos por 2 anos, e a definição de pré-diabetes (HbA1c entre 5,7% e 6,4%) por valores incorretos. Além disso, confunde o rastreamento universal (todos ≥ 45 anos) com o rastreamento seletivo (fatores de risco em jovens). Guarde esses números com precisão: são eles que separam as alternativas corretas das incorretas.

Critério

Rastreamento Universal

Rastreamento Seletivo

Faixa etária

≥ 45 anos (todos, mesmo sem fatores de risco)

< 45 anos (apenas com fatores de risco)

Fatores de risco exigidos

Nenhum

IMC ≥ 25 kg/m², familiar de 1º grau com DM, sedentarismo, HAS, HDL < 35 mg/dL, TG > 250 mg/dL, DMG prévia, SOP, acantose nigricans, DCV, pré-diabetes

Intervalo de repetição

A cada 3 anos

Anual (se pré-diabetes)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento é indicado para indivíduos com sobrepeso + familiar de até 2º grau com DM. O erro está no grau de parentesco: o critério exige familiar de primeiro grau (pai, mãe ou irmão), não de segundo grau (avós, tios, sobrinhos). A banca troca o grau de parentesco para confundir o candidato. O sobrepeso (IMC ≥ 25 kg/m²) é um fator de risco válido, mas o histórico familiar deve ser de parente de primeiro grau.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a afirmativa correta. O rastreamento é indicado para todos os indivíduos a partir dos 45 anos, mesmo sem fatores de risco. Essa é a recomendação universal do PCDT do Ministério da Saúde e da ADA. A idade de 45 anos é o ponto de corte para o rastreamento universal, independentemente da presença de outros fatores de risco. A partir dessa idade, o risco de DM2 aumenta progressivamente, justificando o rastreamento em toda a população.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que em pacientes com pré-diabetes (HbA1c entre 5,7% e 6,5%, TDG ou GJA em exame prévio) os exames devem ser repetidos semestralmente. Há dois erros: primeiro, a faixa de HbA1c para pré-diabetes é entre 5,7% e 6,4% (6,5% ou mais já é diagnóstico de DM); segundo, o intervalo de repetição deve ser anual, não semestral. A banca troca o limite superior da HbA1c e o intervalo de repetição. Pacientes com pré-diabetes devem ser testados anualmente para monitorar a progressão para DM2.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento é indicado para indivíduos com sobrepeso + Colesterol HDL ≤ 30 mg/dL e/ou triglicerídeos ≥ 200 mg/dL. Os valores corretos são HDL < 35 mg/dL e triglicerídeos > 250 mg/dL. A banca reduz o valor do HDL e do triglicerídeos para tornar a alternativa mais atrativa. Esses são os pontos de corte para dislipidemia como fator de risco para DM2, conforme a ADA e o PCDT.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que se os resultados forem normais, o rastreamento deve ser repetido a cada dois anos. O intervalo correto é de 3 anos. A banca troca o intervalo de repetição de 3 para 2 anos. Após um rastreamento normal, o próximo exame deve ser realizado em 3 anos, desde que não surjam novos fatores de risco. Esse intervalo é baseado na progressão natural do DM2, que geralmente leva anos para se desenvolver.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar os valores de corte e os intervalos de repetição. Nesta questão, ela alterou o HDL (35 → 30 mg/dL), os triglicerídeos (250 → 200 mg/dL), o intervalo de repetição (3 → 2 anos), o grau de parentesco (1º → 2º grau) e a faixa de HbA1c para pré-diabetes (6,4% → 6,5%). Memorize os valores exatos: HDL < 35 mg/dL, triglicerídeos > 250 mg/dL, repetição a cada 3 anos, familiar de 1º grau, HbA1c 5,7–6,4% para pré-diabetes. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar os critérios de rastreamento do DM2, organize-os em uma tabela mental: idade universal (≥ 45 anos, repetir a cada 3 anos) e fatores de risco (IMC ≥ 25, familiar 1º grau, sedentarismo, HAS, HDL < 35, TG > 250, DMG prévia, SOP, acantose, DCV, pré-diabetes com teste anual). Na prova, desconfie de qualquer alternativa que altere esses números — eles são os distratores favoritos da banca.

Gabarito: letra B

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