Paciente de 17 anos refere que apresenta há aproximadamente três anos, episódios esporádicos, que duram segundos, nos quais, ao acordar, fica temporariamente sem conseguir realizar qualquer movimento, inclusive abrir os olhos ou falar.Entre os listados a seguir, o provável diagnóstico dessa paciente é
Aparalisia periódica hipocalémica.
Btranstorno comportamental do sono REM.
Cparalisia periódica do sono.
Dterror noturno.
Ede alucinações hipnagógicas.
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GabaritoC — paralisia periódica do sono.
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Paralisia do sono: diagnóstico diferencial das parassonias
Gabarito: letra C. O quadro descrito — episódios esporádicos, de segundos, ao acordar, com incapacidade temporária de realizar qualquer movimento, inclusive abrir os olhos ou falar — é a apresentação clássica da paralisia do sono, uma parassonia do sono REM caracterizada por atonia muscular persistente durante a transição sono-vigília. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese, e a paciente não apresenta fatores que sugiram as demais alternativas.
A paralisia do sono é um fenômeno benigno e relativamente comum, que ocorre quando o mecanismo de atonia muscular típico do sono REM (que nos impede de "encenar" os sonhos) persiste por alguns segundos ou minutos após o despertar, ou mesmo no adormecer. Durante esses episódios, a pessoa está consciente, mas não consegue se mover nem falar, podendo haver sensação de opressão torácica ou alucinações associadas. O diagnóstico diferencial inclui outras parassonias, como o terror noturno e o transtorno comportamental do sono REM, além de condições como a paralisia periódica hipocalêmica, que cursam com fraqueza muscular episódica, mas com características distintas.
A chave para diferenciar a paralisia do sono das demais alternativas está na relação com o ciclo sono-vigília e na preservação da consciência. Na paralisia do sono, o paciente está acordado e consciente, apenas incapaz de se mover. Já no terror noturno, há despertar incompleto com confusão e amnésia; no transtorno comportamental do sono REM, há movimentos complexos durante o sono, sem paralisia; e na paralisia periódica hipocalêmica, a fraqueza é prolongada (horas a dias) e associada a alterações do potássio sérico, não se restringindo ao despertar.
A banca explora a confusão entre parassonias e condições neuromusculares. É fundamental que o aluno conheça as características de cada uma para não cair na armadilha de escolher a paralisia periódica hipocalêmica, que é uma miopatia canalopatia, ou o terror noturno, que é uma parassonia do sono de ondas lentas. A paralisia do sono, por sua vez, é uma parassonia do sono REM, assim como o transtorno comportamental do sono REM, mas com apresentação oposta: enquanto na paralisia há atonia sem movimento, no transtorno comportamental há movimento sem atonia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a paralisia do sono pela paralisia periódica hipocalêmica, explorando a palavra "paralisia" e a fraqueza episódica. A diferença crucial: na paralisia do sono, a fraqueza é imediata ao despertar, dura segundos e há consciência preservada; na paralisia periódica hipocalêmica, os episódios duram horas a dias, são desencadeados por carboidratos/repouso após exercício e cursam com hipocalemia — não se restringem ao despertar e não poupam a musculatura respiratória. Fique atento ao tempo de duração e ao contexto de desencadeamento.
Parassonias do sono REM
1Paralisia do sono
Atonia ao despertar
Consciência preservada
Segundos de duração
2Transtorno comportamental do REM
Movimento sem atonia
Encena os sonhos
3Parassonia do sono N3
Terror noturno
Despertar incompleto
Amnésia do episódio
4Canalopatia neuromuscular
Paralisia periódica hipocalêmica
Fraqueza por horas a dias
Hipocalemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A paralisia periódica hipocalêmica é uma canalopatia (mutação em canais de cálcio, sódio ou potássio) que causa episódios de fraqueza flácida, geralmente duram horas a dias, desencadeados por carboidratos, estresse, álcool ou repouso após exercício, e associados a níveis baixos de potássio extracelular. No caso descrito, os episódios duram segundos, ocorrem ao acordar e não há menção a fatores desencadeantes típicos nem a alterações eletrolíticas. Além disso, na paralisia periódica, a fraqueza costuma ser simétrica e proximal, podendo acometer musculatura respiratória, o que não é descrito. Portanto, não é o diagnóstico provável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O transtorno comportamental do sono REM (TCR) caracteriza-se por movimentos complexos e vocalizações durante o sono REM, decorrentes da ausência da atonia muscular normal dessa fase. O paciente "encena" os sonhos, podendo cair da cama ou agredir o parceiro. No caso, a paciente apresenta incapacidade de se mover (atonia), o oposto do TCR. Além disso, no TCR os episódios ocorrem durante o sono, não ao acordar, e o paciente não está consciente durante os movimentos. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A paralisia do sono é uma parassonia do sono REM caracterizada por episódios de incapacidade de mover os músculos voluntários (atonia) durante a transição entre o sono e a vigília, geralmente ao acordar (paralisia hipnopômpica) ou ao adormecer (paralisia hipnagógica). A paciente apresenta exatamente isso: episódios esporádicos, de segundos, ao acordar, sem conseguir realizar qualquer movimento, inclusive abrir os olhos ou falar, com consciência preservada. O diagnóstico é clínico, e a ausência de outras causas (medicamentos, privação de sono, narcolepsia) reforça a hipótese. Portanto, é o provável diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O terror noturno é uma parassonia do sono de ondas lentas (N3), que ocorre geralmente no primeiro terço da noite. A criança (ou adulto) senta-se na cama, grita, apresenta sudorese, taquicardia e não responde a estímulos, com amnésia do episódio no dia seguinte. No caso, a paciente está consciente e consegue lembrar do episódio (refere que "fica temporariamente sem conseguir realizar qualquer movimento"), o que não é compatível com terror noturno. Além disso, a duração é de segundos, mas o terror noturno costuma durar minutos. Portanto, incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As alucinações hipnagógicas são experiências sensoriais vívidas (visuais, auditivas ou táteis) que ocorrem ao adormecer (hipnagógicas) ou ao acordar (hipnopômpicas), frequentemente associadas à narcolepsia. No caso, a paciente não relata alucinações, mas sim incapacidade de se mover. Embora a paralisia do sono possa ser acompanhada de alucinações, o sintoma central descrito é a paralisia, não a alucinação. Portanto, a alternativa não corresponde ao quadro principal.
Gabarito: letra C — paralisia periódica do sono (paralisia do sono).