A pregabalina é um fármaco antiepilético também utilizado para o tratamento de dor neuropática, para fibromialgia e para transtorno de ansiedade generalizada.Assinale a opção, dentre as abaixo relacionadas, a que melhor define seu mecanismo de ação.
AÉ um análogo do ácido gama-aminobutírico, que se liga a uma subunidade auxiliar (proteína α2-δ) do canal de cálcio dependente de voltagem, no sistema nervoso central.
BSe liga a uma subunidade auxiliar (proteína α2-δ) do canal de sódio dependente de voltagem no sistema nervoso central
CÉ um inibidor da recaptação pós-sináptica do ácido gamaaminobutírico.
DSeu mecanismo de ação é completamente desconhecido.
EÉ um inibidor da GABA-transaminase.
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GabaritoA — É um análogo do ácido gama-aminobutírico, que se liga a uma subunidade auxiliar (proteína α2-δ) do canal de cálcio dependente de voltagem, no sistema nervoso central.
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Pregabalina: mecanismo de ação
Gabarito: letra A. A pregabalina é um análogo do GABA que se liga à subunidade auxiliar α2-δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem no SNC, modulando a liberação de neurotransmissores excitatórios — é exatamente o que a alternativa A descreve. As demais opções trocam o alvo (canal de sódio), o mecanismo (inibição da recaptação), a enzima (GABA-transaminase) ou negam o conhecimento do mecanismo.
A pregabalina é um fármaco antiepiléptico de segunda geração, estruturalmente relacionado ao GABA (ácido gama-aminobutírico), mas que não atua como agonista GABAérgico, não inibe a recaptação do GABA nem interfere na enzima GABA-transaminase. Seu mecanismo de ação é distinto: liga-se com alta afinidade à subunidade α2-δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem (tipo N, P/Q) presentes nos neurônios do sistema nervoso central. Essa ligação reduz o influxo de cálcio para o terminal pré-sináptico, diminuindo a liberação de neurotransmissores excitatórios como glutamato, noradrenalina e substância P. É essa modulação que explica sua eficácia na dor neuropática, na fibromialgia, na ansiedade generalizada e como adjuvante em crises epilépticas parciais.
A confusão mais comum é associar a pregabalina ao GABA por seu nome e estrutura química, levando o candidato a escolher alternativas que descrevem mecanismos GABAérgicos clássicos (inibição da recaptação, inibição da GABA-transaminase). No entanto, a pregabalina não mimetiza o GABA nos receptores, não bloqueia sua degradação e não interfere em sua recaptação. O alvo molecular é o canal de cálcio, não o canal de sódio — este último é o alvo de fármacos como a carbamazepina, a fenitoína e a lamotrigina, que bloqueiam canais de sódio dependentes de voltagem.
Na prática clínica, a pregabalina é utilizada em doses que variam de 150 a 600 mg/dia, divididas em duas ou três tomadas, e seu início de ação é relativamente rápido comparado a outros adjuvantes. Seus principais efeitos adversos incluem sonolência, tontura, edema periférico e ganho de peso. A compreensão do mecanismo de ação é fundamental para diferenciá-la de outras classes de fármacos utilizados na dor neuropática, como os antidepressivos tricíclicos (que inibem a recaptação de monoaminas) e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (como a duloxetina).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a semelhança estrutural da pregabalina com o GABA para induzir o candidato a escolher mecanismos GABAérgicos (alternativas C e E) ou a trocar o canal de cálcio pelo canal de sódio (alternativa B). A pegadinha está em associar o nome "gaba" ao mecanismo, quando na verdade o fármaco age em um alvo completamente diferente — a subunidade α2-δ do canal de cálcio. Fique atento: o nome "pregabalina" deriva do GABA, mas seu mecanismo é único entre os antiepilépticos.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o mecanismo de ação da pregabalina: é um análogo do GABA que se liga à subunidade auxiliar α2-δ do canal de cálcio dependente de voltagem no SNC. Essa ligação reduz o influxo de cálcio e, consequentemente, a liberação de neurotransmissores excitatórios, o que fundamenta seu uso em dor neuropática, fibromialgia, ansiedade generalizada e epilepsia. A alternativa acerta tanto a classe do fármaco (análogo do GABA) quanto o alvo molecular (subunidade α2-δ do canal de cálcio) e a localização (SNC).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa troca o canal de cálcio pelo canal de sódio. A pregabalina não se liga a canais de sódio dependentes de voltagem; esse é o mecanismo de ação de fármacos como carbamazepina, fenitoína e lamotrigina. A ligação à subunidade α2-δ é específica dos canais de cálcio, e é essa diferença que distingue a pregabalina (e a gabapentina) dos bloqueadores de canais de sódio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a pregabalina inibe a recaptação pós-sináptica do GABA. Esse mecanismo é típico de fármacos como a tiagabina, que inibe o transportador GAT-1. A pregabalina não atua na recaptação do GABA; seu alvo é pré-sináptico, modulando a entrada de cálcio e a liberação de neurotransmissores. A confusão provavelmente decorre da semelhança estrutural com o GABA, mas o mecanismo é fundamentalmente diferente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o mecanismo de ação é completamente desconhecido. Isso é falso: o mecanismo da pregabalina é bem estabelecido na literatura — ligação à subunidade α2-δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem. Embora alguns detalhes da cascata intracelular ainda sejam estudados, o alvo molecular primário é conhecido e amplamente aceito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a pregabalina é um inibidor da GABA-transaminase. Essa enzima é responsável pela degradação do GABA, e sua inibição é o mecanismo de ação da vigabatrina. A pregabalina não inibe essa enzima; seu mecanismo é a modulação do canal de cálcio, como descrito na alternativa A. A confusão com a vigabatrina é comum, mas são fármacos com alvos completamente distintos.