Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2025
- Código
- fg110473
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo Neurologia
- Ade Barré.
- Bde Gordon.
- CTap finger.
- Dda extensão sincinética do punho.
- Ede Phalen.
GabaritoE — de Phalen.
Gabarito: letra E. Na gestante com parestesia noturna em mãos e irradiação cervical, a hipótese de síndrome do túnel do carpo é corroborada pelo teste de Phalen, que consiste na flexão mantida do punho por 30 a 60 segundos, reproduzindo dor ou parestesia na distribuição do nervo mediano. O sinal de Tinel (percussão sobre o túnel do carpo) também é útil, mas não está entre as alternativas.
A síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia compressiva mais comum, resultante da compressão do nervo mediano no punho, sob o retináculo dos flexores. Na gestação, a retenção hídrica e o edema aumentam a pressão dentro do túnel, tornando a STC uma queixa frequente no terceiro trimestre. O quadro clássico é de parestesia, dormência ou dor em queimação no polegar, indicador, dedo médio e metade lateral do anelar — território do mediano —, com piora noturna e alívio ao sacudir as mãos (sinal do "sacudir"). A dor pode irradiar para o antebraço e até o ombro, o que explica a queixa cervical da paciente.
O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado em manobras provocativas que reproduzem os sintomas ao aumentar a pressão sobre o nervo. As duas mais clássicas são:
Sinal de Tinel: percussão na face anterior do punho, sobre o nervo mediano, reproduzindo choque ou parestesia distal.
Sinal de Phalen: flexão máxima e mantida do punho por 30 a 60 segundos, reproduzindo os sintomas. É o teste de maior sensibilidade entre as manobras provocativas.
A banca explora justamente a confusão entre os testes neurológicos: as alternativas trazem manobras de outros contextos (Barré, Gordon) ou variações pouco usuais, para testar se o candidato conhece a semiotécnica específica da STC. O teste de Phalen é o mais cobrado e o que melhor se encaixa no caso — gestante, sintomas noturnos, território do mediano.
A banca mistura manobras de síndromes piramidais (Barré, Gordon) com testes de neuropatia periférica, tentando induzir o candidato a escolher um nome que "parece" neurológico. O teste de Phalen é específico da compressão do mediano no punho — decore a semiotécnica: flexão do punho por 60 segundos.
O teste de Barré (ou manobra de Barré) é uma prova de déficit piramidal: com o paciente em decúbito ventral, pede-se que mantenha os membros inferiores fletidos a 90°; a queda de um dos membros indica paresia central. Não tem relação com compressão do nervo mediano nem com o túnel do carpo.
O sinal de Gordon é outra manobra de síndrome piramidal: consiste na compressão da massa muscular da panturrilha, provocando extensão do hálux (equivalente ao sinal de Babinski). Nada a ver com a STC.
Tap finger não é uma manobra reconhecida para o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Não há descrição padronizada desse teste na semiologia ortopédica/neurológica para essa finalidade — é um distrator sem correspondência clínica.
A extensão sincinética do punho não é um teste provocativo para STC. O movimento que comprime o nervo mediano é a flexão do punho (teste de Phalen), não a extensão. A alternativa inverte o movimento-chave da manobra, o que a torna incorreta.
O teste de Phalen é a manobra clássica: o paciente mantém o punho em flexão máxima por 30 a 60 segundos, e o teste é positivo quando há reprodução de dor ou parestesia no território do nervo mediano. É o teste provocativo de maior sensibilidade para a síndrome do túnel do carpo, sendo especialmente útil no contexto da gestação, em que o edema aumenta a pressão no túnel.
Gabarito: letra E
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