Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2025
- Código
- fg110479
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo Neurologia
- Asudorese.
- Britmo cardíaco.
- Cfrequência respiratória.
- Dresposta motora aos estímulos álgicos.
- Ereatividade pupilar.
GabaritoE — reatividade pupilar.
Gabarito: letra E. O estudo de Brennan, Murray e Teasdale (2018) incorporou à Escala de Coma de Glasgow a avaliação da reatividade pupilar, criando a chamada "Glasgow Coma Scale — Pupils score" (GCS-P), que combina a pontuação tradicional (ocular, verbal e motora) com a resposta pupilar ao estímulo luminoso, subtraindo pontos quando há pupilas não reativas. Essa é a atualização mais recente da escala, e é exatamente o que a alternativa E descreve.
A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é o instrumento mais utilizado no mundo para avaliar o nível de consciência, especialmente em pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE). Ela avalia três componentes: abertura ocular (1 a 4), resposta verbal (1 a 5) e resposta motora (1 a 6), somando de 3 a 15 pontos. Quanto menor a pontuação, pior o nível de consciência e, em geral, pior o prognóstico. A escala foi criada em 1974 por Graham Teasdale e Bryan Jennett, e passou por revisões ao longo do tempo. A mais recente, publicada em 2018, foi justamente a que adicionou a avaliação pupilar, reconhecendo que a reatividade das pupilas à luz é um forte preditor de prognóstico em lesões cerebrais traumáticas — pupilas não reativas bilateralmente indicam lesão grave de tronco encefálico e pior desfecho.
Na prática, a GCS-P funciona assim: o examinador aplica a ECG tradicional e, em seguida, avalia a reatividade pupilar de ambos os olhos à luz. Se ambas as pupilas forem reativas, não há subtração; se uma não reagir, subtrai-se 1 ponto; se ambas não reagirem, subtrai-se 2 pontos. O resultado é um escore que varia de 1 a 15, sendo mais preciso para predizer mortalidade e desfecho neurológico do que a ECG isolada. Por exemplo, um paciente com ECG 9 e pupilas não reativas bilateralmente teria um escore GCS-P de 7, indicando pior prognóstico do que outro com ECG 9 e pupilas reativas.
A banca explora aqui a confusão entre os componentes da ECG e outros sinais vitais ou parâmetros que não fazem parte dela. Sudorese, ritmo cardíaco e frequência respiratória são sinais avaliados em outras escalas ou no exame físico geral, mas não integram a ECG. A resposta motora aos estímulos álgicos, por sua vez, já era um dos três componentes originais da escala — não é uma novidade de 2018. A pegadinha está em o candidato lembrar que a atualização de 2018 foi especificamente a inclusão da reatividade pupilar, e não de outros parâmetros.
A banca tenta confundir o candidato oferecendo parâmetros que são avaliados em outros contextos clínicos (sudorese, FC, FR) ou que já faziam parte da escala original (resposta motora). A atualização de 2018 foi exclusivamente a adição da reatividade pupilar — memorize isso como um marco histórico da escala.
A sudorese não é avaliada na Escala de Coma de Glasgow, nem na versão original nem na atualização de 2018. A sudorese pode ser um sinal de hipoglicemia, choque ou disfunção autonômica, mas não integra a escala de coma. A banca a inclui como distrator por ser um sinal clínico que pode acompanhar alterações de consciência, mas não faz parte do instrumento.
O ritmo cardíaco (frequência cardíaca) é um sinal vital avaliado no exame físico e em escalas como o APACHE ou o NEWS, mas não compõe a Escala de Coma de Glasgow. A escala avalia apenas abertura ocular, resposta verbal e resposta motora — e, após 2018, a reatividade pupilar. A frequência cardíaca não é um componente da ECG.
A frequência respiratória também é um sinal vital, avaliado em escalas de alerta precoce (como o MEWS) e na avaliação primária do trauma (ABCDE), mas não integra a Escala de Coma de Glasgow. A ECG não avalia parâmetros respiratórios; ela se limita à função neurológica. A banca a coloca como distrator por ser um dado frequentemente coletado junto com a ECG, mas que não pertence a ela.
A resposta motora aos estímulos álgicos já era um dos três componentes originais da Escala de Coma de Glasgow, desde sua criação em 1974. Portanto, não foi acrescentada em 2018. A atualização de 2018 não incluiu a resposta motora — ela já existia. A banca explora aqui a confusão entre o que é novo e o que já fazia parte da escala.
A atualização de 2018, proposta por Brennan, Murray e Teasdale, acrescentou a avaliação da reatividade pupilar à Escala de Coma de Glasgow, criando a GCS-P (Glasgow Coma Scale — Pupils). A reatividade pupilar é um forte preditor de prognóstico em TCE: pupilas não reativas bilateralmente indicam lesão grave de tronco encefálico e pior desfecho. A inclusão desse parâmetro melhora a precisão prognóstica da escala, como demonstrado no estudo.
Gabarito: letra E
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