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Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025

MedicinaOftalmologia
Código
fg110542
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Oftalmologia
Em relação à uveíte associada à artrite idiopática juvenil, é correto afirmar que
  1. Aapresenta dor, fotofobia, hiperemia pericerática, sinéquias posteriores e o surgimento de ceratopatia em faixa, precocemente no curso da doença, a qual é mais comum em meninas.
  2. Bse manifesta com maior frequência quando a artrite é do tipo poliarticular, quando está associada à entesite e os anticorpos antinucleares (ANA) são negativos enquanto o fator reumatóide é positivo.
  3. Cnão apresenta sintomas típicos até que a condição esteja bastante avançada, sendo o uso de medicamento imunobiológico uma boa opção terapêutica.
  4. Dapresenta lesão retiniana e geralmente granulomatosa, com precipitados ceráticos do tipo mutton fat, sinéquias posteriores, células e flare no humor aquoso.
  5. Eé unilateral, mais comum em meninas e as lesões retinianas são ovais ou circulares, variando em tamanho, desde pequenas e puntiformes até formas necrosantes ou granulomatosas.
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GabaritoC — não apresenta sintomas típicos até que a condição esteja bastante avançada, sendo o uso de medicamento imunobiológico uma boa opção terapêutica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uveíte na artrite idiopática juvenil (AIJ)

Gabarito: letra C. A uveíte associada à artrite idiopática juvenil (AIJ) é classicamente assintomática nas fases iniciais — a criança não refere dor, hiperemia ou fotofobia —, sendo frequentemente detectada apenas no rastreamento oftalmológico de rotina, já com sequelas como sinéquias posteriores e ceratopatia em faixa. Por isso, o uso de imunobiológicos (ex.: adalimumabe) é uma opção terapêutica bem estabelecida nos casos crônicos e graves, especialmente quando há falha ou contraindicação aos imunossupressores convencionais. Essa é a essência da alternativa correta.

A uveíte da AIJ é a uveíte anterior não granulomatosa crônica mais comum na infância. O entendimento começa pela classificação: a AIJ é uma artrite crônica que se inicia antes dos 16 anos, com duração mínima de 6 semanas, e se subdivide em subtipos (sistêmico, oligoarticular, poliarticular FR positivo/negativo, relacionada à entesite, psoríaca e indiferenciada). A uveíte não se distribui uniformemente entre eles — ela é muito mais frequente no subtipo oligoarticular, sobretudo em meninas com ANA positivo, e costuma ser bilateral e crônica. O grande perigo é justamente a ausência de sintomas: a criança não se queixa, e o exame de lâmpada de fenda revela células e flare no humor aquoso, precipitados ceráticos finos (não granulomatosos) e, com o tempo, sinéquias posteriores e ceratopatia em faixa. O rastreamento periódico é obrigatório, pois o diagnóstico tardio leva a complicações irreversíveis.

A alternativa C captura exatamente esse perfil: a doença é silenciosa até estágios avançados, e os imunobiológicos — como o adalimumabe, que é o único biológico aprovado para uveíte não infecciosa em crianças — representam uma boa opção quando há falha ou contraindicação aos imunossupressores convencionais (metotrexato, azatioprina, ciclosporina). O protocolo de uveítes não infecciosas do Ministério da Saúde, por exemplo, prevê o uso de adalimumabe em casos graves, incluindo doença de Behçet com uveíte posterior bilateral ativa, mas também em uveítes crônicas que falham à terapia convencional.

A pegadinha central da questão é a inversão do perfil clínico: a banca descreve, nas alternativas incorretas, características de outras uveítes (granulomatosas, agudas, unilaterais, com dor e fotofobia) ou de outros subtipos de AIJ (poliarticular FR positivo, relacionada à entesite), tentando confundir o candidato que não domina a diferença entre uveíte anterior crônica não granulomatosa (AIJ oligoarticular) e uveíte anterior aguda (espondiloartrites, HLA-B27). Guarde essa fronteira: AIJ oligoarticular → uveíte crônica, assintomática, bilateral, ANA+; espondiloartrite/entesite → uveíte aguda, sintomática, unilateral, HLA-B27+.

Característica

Uveíte da AIJ (oligoarticular)

Uveíte aguda (espondiloartrite/HLA-B27)

Sintomas

Assintomática (até fases avançadas)

Dor, fotofobia, hiperemia

Lateralidade

Bilateral

Unilateral

Granulomas

Não granulomatosa (precipitados finos)

Não granulomatosa

Sorologia

ANA positivo, FR negativo

HLA-B27 positivo

Subtipo de AIJ

Oligoarticular

Relacionada à entesite

Tratamento

Imunobiológico (adalimumabe) em casos graves

Anti-inflamatórios, corticoides

1Perfil clínico
Assintomática (fases iniciais)
Anterior não granulomatosa
Bilateral e crônica
2Fatores de risco
Subtipo oligoarticular
Meninas
ANA positivo
3Sequelas tardias
Sinéquias posteriores
Ceratopatia em faixa
4Tratamento
Imunossupressores convencionais
Adalimumabe (imunobiológico)
Uveíte na AIJ
LEVELsoulevel.com.br
Uveíte na AIJ: Perfil clínico (Assintomática (fases iniciais), Anterior não granulomatosa, Bilateral e crônica); Fatores de risco (Subtipo oligoarticular, Meninas, ANA positivo); Sequelas tardias (Sinéquias posteriores, Ceratopatia em faixa); Tratamento (Imunossupressores convencionais, Adalimumabe (imunobiológico))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que a uveíte da AIJ apresenta dor, fotofobia e hiperemia pericerática — esses são sintomas de uveíte aguda, típicos da uveíte associada a espondiloartrites (HLA-B27), não da uveíte crônica da AIJ, que é assintomática até fases avançadas. A ceratopatia em faixa e as sinéquias posteriores realmente ocorrem, mas como sequelas tardias, não "precocemente no curso da doença". A predominância em meninas está correta para o subtipo oligoarticular, mas o restante da frase invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A uveíte da AIJ é mais frequente no subtipo oligoarticular (cerca de 50% dos casos de AIJ), não no poliarticular. Além disso, o perfil sorológico típico é ANA positivo e fator reumatoide negativo — exatamente o oposto do que a alternativa afirma. A artrite relacionada à entesite, embora possa cursar com uveíte, é do tipo aguda, unilateral e sintomática, diferente da uveíte crônica da AIJ oligoarticular. A alternativa mistura características de subtipos diferentes e inverte o padrão sorológico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a descrição fiel da uveíte da AIJ: ausência de sintomas típicos até a doença estar avançada (por isso o rastreamento periódico é essencial), e o imunobiológico (adalimumabe) como boa opção terapêutica nos casos crônicos e graves, especialmente após falha ou contraindicação aos imunossupressores convencionais. O adalimumabe é o único agente biológico aprovado para uveíte não infecciosa em crianças, e o protocolo do Ministério da Saúde o indica em situações de uveíte grave, como na doença de Behçet com uveíte posterior bilateral ativa ou após falha de imunossupressor não biológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A uveíte da AIJ é não granulomatosa, com precipitados ceráticos finos (não "mutton fat", que são típicos de uveíte granulomatosa, como na sarcoidose ou tuberculose). A lesão retiniana também não é característica — a uveíte da AIJ é anterior (iridociclite), e o acometimento de retina/vítreo sugere outra etiologia. As sinéquias posteriores e o flare no humor aquoso podem ocorrer, mas o conjunto da descrição aponta para uma uveíte granulomatosa posterior, que não é o padrão da AIJ.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A uveíte da AIJ é tipicamente bilateral (embora possa ser assimétrica), não unilateral. A predominância em meninas é correta para o subtipo oligoarticular, mas as "lesões retinianas ovais ou circulares, puntiformes ou necrosantes" descrevem um padrão de uveíte posterior (como na coroidite multifocal ou na toxoplasmose), que não faz parte da apresentação da uveíte da AIJ, que é anterior e não granulomatosa. A alternativa mistura características de outras entidades.

Gabarito: letra C.

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