Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025

MedicinaOftalmologia
Código
fg110545
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Oftalmologia
Na doença de Behçet, o achado ocular mais comum é
  1. Avasculite retiniana sem vitreíte.
  2. Buveíte com hifema.
  3. Cuveíte com hipópio.
  4. Duveíte granulomatosa.
  5. Evasculite retiniana com vitreíte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — vasculite retiniana com vitreíte.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Behçet: manifestações oculares

Gabarito: letra E. Na doença de Behçet, o achado ocular mais comum é a vasculite retiniana com vitreíte — a inflamação vascular da retina costuma vir acompanhada de inflamação vítrea, configurando uma pan-uveíte típica. A uveíte com hipópio (letra C) é clássica e muito associada à doença, mas não é o achado mais frequente; a vasculite retiniana isolada, sem vitreíte (letra A), e a uveíte granulomatosa (letra D) não correspondem ao padrão habitual da doença.

A doença de Behçet é uma vasculite sistêmica autoimune que afeta vasos de todos os calibres, com predileção por manifestações mucocutâneas (úlceras orais e genitais recorrentes), oculares, neurológicas e vasculares. O envolvimento ocular é uma das principais causas de morbidade e pode se manifestar como uveíte anterior (algumas vezes com hipópio), uveíte posterior ou vasculite retiniana. Na prática, o padrão mais comum é a uveíte posterior bilateral com vasculite retiniana e vitreíte, que cursa com risco significativo de perda visual. A presença de vitreíte — células e debris inflamatórios no vítreo — é um marcador importante de inflamação intraocular ativa e acompanha frequentemente a vasculite retiniana na doença de Behçet.

O hipópio (acúmulo de pus na câmara anterior) é uma manifestação clássica e historicamente associada à doença de Behçet, mas ocorre em uma minoria dos casos — estima-se em cerca de 10-20% dos pacientes com uveíte. Por isso, embora seja um sinal de grande valor diagnóstico (quando presente, levanta fortemente a suspeita de Behçet), não é o achado mais comum. A uveíte granulomatosa, por sua vez, é típica de outras etiologias, como sarcoidose, tuberculose e sífilis — a uveíte de Behçet é classicamente não granulomatosa.

A distinção entre os padrões de uveíte é essencial para o raciocínio diagnóstico. A uveíte anterior não granulomatosa com hipópio é a apresentação clássica de Behçet, mas a forma mais comum de envolvimento ocular é a pan-uveíte com vasculite retiniana e vitreíte. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que memoriza apenas a associação "Behçet = hipópio" tende a marcar a letra C, mas a questão pede o achado mais comum, que é a vasculite retiniana com vitreíte.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o achado mais comum pelo achado mais clássico. O hipópio é o sinal mais famoso e associado à doença de Behçet, mas a vasculite retiniana com vitreíte é o padrão ocular mais frequente. Guarde: clássico ≠ mais comum.

1Mais comum
Vasculite retiniana com vitreíte
Pan-uveíte bilateral
2Clássico (não mais comum)
Uveíte com hipópio
Uveíte anterior não granulomatosa
3Não típico
Uveíte granulomatosa (sarcoidose, TB, sífilis)
Uveíte com hifema
Uveíte na doença de Behçet
LEVELsoulevel.com.br
Uveíte na doença de Behçet: Mais comum (Vasculite retiniana com vitreíte, Pan-uveíte bilateral); Clássico (não mais comum) (Uveíte com hipópio, Uveíte anterior não granulomatosa); Não típico (Uveíte granulomatosa (sarcoidose, TB, sífilis), Uveíte com hifema)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A vasculite retiniana sem vitreíte não é o achado mais comum. Na doença de Behçet, a vasculite retiniana costuma vir acompanhada de inflamação vítrea (vitreíte), configurando uma pan-uveíte. A ausência de vitreíte é mais característica de outras vasculites retinianas, como as associadas a infecções ou a algumas doenças autoimunes específicas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A uveíte com hifema (sangue na câmara anterior) não é uma manifestação típica da doença de Behçet. O hifema está mais associado a trauma ocular, neovascularização ou outras causas de hemorragia intraocular — não faz parte do espectro clássico da uveíte de Behçet, que cursa com inflamação, não com sangramento espontâneo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A uveíte com hipópio é a manifestação mais clássica e historicamente associada à doença de Behçet, mas não é a mais comum. O hipópio ocorre em uma minoria dos pacientes com uveíte de Behçet (cerca de 10-20%). É um sinal de grande valor diagnóstico quando presente, mas a forma mais frequente de envolvimento ocular é a vasculite retiniana com vitreíte.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A uveíte granulomatosa não é característica da doença de Behçet. A uveíte de Behçet é classicamente não granulomatosa. O padrão granulomatoso é típico de outras etiologias, como sarcoidose, tuberculose, sífilis e toxoplasmose. A presença de granulomas na uveíte deve direcionar o diagnóstico para essas causas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vasculite retiniana com vitreíte é o achado ocular mais comum na doença de Behçet. A inflamação vascular da retina (vasculite) costuma estar associada à inflamação do vítreo (vitreíte), caracterizando uma pan-uveíte posterior bilateral, que é a apresentação ocular mais frequente e uma das principais causas de morbidade visual na doença. Esse padrão reflete a natureza vasculítica sistêmica da doença, que afeta preferencialmente os vasos retinianos.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fg110545