Em relação ao Glaucoma Congênito Primário, assinale a afirmativa mais correta.
AEstudos com microscopia eletrônica verificaram a presença de uma membrana imperfurada cobrindo a malha trabecular (membrana de Barkan) a qual dificulta o escoamento do humor aquoso, elevando a pressão intraocular;
BO tratamento é essencialmente cirúrgico, sendo a técnica da goniotomia a mais indicada para casos com edema de córnea, onde o seio camerular não pode ser visto com nitidez;
CÉ uma doença que, quando negligenciada, leva inevitavelmente à cegueira. Tem como causa uma anomalia primária no desenvolvimento do seio camerular, impedindo o escoamento do humor aquoso. Classicamente se apresenta com fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo.
DO tratamento é essencialmente cirúrgico, sendo as técnicas de trabeculectomia e do implante de drenagem as mais indicadas para casos sem edema de córnea;
EO aumento do globo ocorre na junção corneoescleral. O endotélio e a membrana de Descemet são tracionados e se rompem, formando as estrias de Vogt. Se a ruptura for abrupta, o aquoso entra no estroma e epitélio, causando a hidropsia aguda.
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GabaritoC — É uma doença que, quando negligenciada, leva inevitavelmente à cegueira. Tem como causa uma anomalia primária no desenvolvimento do seio camerular, impedindo o escoamento do humor aquoso. Classicamente se apresenta com fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo.
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Glaucoma Congênito Primário: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra C. O Glaucoma Congênito Primário (GCP) é uma doença que, se negligenciada, leva à cegueira, causada por uma anomalia primária no desenvolvimento do seio camerular (ângulo da câmara anterior), que impede o escoamento do humor aquoso. A tríade clássica — fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo — é a apresentação típica, e o tratamento é essencialmente cirúrgico. A alternativa C é a única que descreve corretamente a fisiopatologia e o quadro clínico.
O Glaucoma Congênito Primário é uma forma rara de glaucoma que se manifesta ao nascimento ou nos primeiros anos de vida. Diferentemente do glaucoma crônico do adulto, que é assintomático nas fases iniciais, o GCP apresenta sintomas exuberantes e precoces, justamente porque a pressão intraocular elevada age sobre um olho em desenvolvimento, que ainda tem tecidos distensíveis. A doença decorre de uma malformação do ângulo da câmara anterior (seio camerular), onde deveria estar a malha trabecular responsável pela drenagem do humor aquoso. Essa anomalia impede o escoamento adequado, elevando a pressão intraocular e causando dano progressivo ao nervo óptico.
A tríade clássica — fotofobia (aversão à luz), lacrimejamento (epífora) e blefaroespasmo (contração involuntária das pálpebras) — é o cartão de visita da doença. A criança apresenta olhos grandes (buftalmia, o famoso "olho de boi"), córneas aumentadas e pouco transparentes, e pode ter opacidade corneana. O aumento do globo ocular ocorre porque a esclera e a córnea do recém-nascido são mais elásticas e cedem à pressão elevada. O tratamento é cirúrgico e deve ser instituído imediatamente para normalizar as cifras tensionais e permitir o desenvolvimento visual adequado.
A alternativa C é a mais correta porque reúne os três pilares da doença: a consequência (cegueira se negligenciada), a causa (anomalia primária do seio camerular) e a apresentação clássica (fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo). As demais alternativas contêm erros conceituais importantes, seja na fisiopatologia, na técnica cirúrgica indicada ou na descrição dos achados clínicos. Vamos analisar cada uma.
Glaucoma Congênito Primário: Fisiopatologia (Anomalia do seio camerular, Impede escoamento do aquoso, Cegueira se negligenciado); Tríade clássica (Fotofobia, Lacrimejamento, Blefaroespasmo); Sinais (Buftalmia (olho de boi), Estrias de Haab (Descemet), Hidropsia aguda (ruptura abrupta)); Tratamento cirúrgico (Córnea clara → goniotomia, Córnea edemaciada → trabeculotomia, Refratários → trabeculectomia/implante)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que estudos com microscopia eletrônica verificaram a presença de uma membrana imperfurada cobrindo a malha trabecular (membrana de Barkan), que dificulta o escoamento do humor aquoso. O erro está na palavra imperfurada. A membrana de Barkan, descrita por Otto Barkan, é uma membrana que cobre a malha trabecular, mas ela é perfurada (fenestrada), não imperfurada. A teoria clássica da membrana de Barkan postula que essa membrana anormal, com poros, impede parcialmente a drenagem do aquoso, mas não é uma barreira totalmente impermeável. A banca troca o termo "perfurada" por "imperfurada", invertendo o sentido do achado histológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a goniotomia é a técnica mais indicada para casos com edema de córnea, onde o seio camerular não pode ser visto com nitidez. O erro está na inversão da indicação. A goniotomia é a técnica de escolha justamente quando a córnea é transparente e o seio camerular pode ser visualizado com nitidez. Quando há edema de córnea, que impede a visualização clara do ângulo, a técnica mais indicada é a trabeculotomia (ab externo), que não depende da visibilização do seio camerular. A banca troca a indicação: goniotomia para córnea clara, trabeculotomia para córnea edemaciada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o Glaucoma Congênito Primário: doença que, quando negligenciada, leva inevitavelmente à cegueira; causa uma anomalia primária no desenvolvimento do seio camerular, impedindo o escoamento do humor aquoso; e se apresenta classicamente com fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo. Essa é a tríade clássica da doença, e a fisiopatologia está correta: a malformação do ângulo da câmara anterior impede a drenagem do aquoso, elevando a pressão intraocular e causando dano progressivo ao nervo óptico. A alternativa é a única que não contém erros conceituais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a trabeculectomia e o implante de drenagem são as técnicas mais indicadas para casos sem edema de córnea. O erro está na indicação cirúrgica. No Glaucoma Congênito Primário, as técnicas de escolha para casos sem edema de córnea são a goniotomia e a trabeculotomia, que são procedimentos que visam abrir o ângulo sem criar uma fístula externa. A trabeculectomia e o implante de drenagem são procedimentos de drenagem externa, reservados para casos refratários, falhas das cirurgias angulares ou glaucomas mais complexos. A banca troca as técnicas de primeira linha pelas de segunda linha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa descreve o aumento do globo na junção corneoescleral, com tração e ruptura do endotélio e da membrana de Descemet, formando as estrias de Vogt, e hidropsia aguda se a ruptura for abrupta. O erro está na nomenclatura. As estrias de Haab são as rupturas da membrana de Descemet no glaucoma congênito, não as estrias de Vogt. As estrias de Vogt são linhas de estresse na córnea associadas ao ceratocone. A banca troca o nome do achado clínico: estrias de Haab (glaucoma congênito) por estrias de Vogt (ceratocone). A hidropsia aguda, descrita corretamente, ocorre quando há ruptura abrupta da Descemet, com entrada de aquoso no estroma e epitélio, mas o nome da estria está errado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as estrias de Haab e as estrias de Vogt. As estrias de Haab são lineares, horizontais ou curvilíneas, na membrana de Descemet, típicas do glaucoma congênito. As estrias de Vogt são linhas verticais, finas, no estroma corneano, típicas do ceratocone. Guarde essa distinção: Haab = glaucoma congênito; Vogt = ceratocone.
PEGA ESSA DICA!
Para o Glaucoma Congênito Primário, memorize a tríade clássica (fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo), a buftalmia (olho de boi), as estrias de Haab e a indicação cirúrgica: goniotomia para córnea clara, trabeculotomia para córnea edemaciada. Esses são os pontos mais cobrados em provas de residência e concursos.