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Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025

MedicinaOftalmologia
Código
fg110557
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Grupo Oftalmologia
Paciente de 55 anos refere que a partir dos 50 anos vem apresentando baixa acuidade visual, maior no seu olho esquerdo, lentamente progressiva e que existia a indicação para um transplante de córnea.Ao exame foram evidenciados: um astigmatismo irregular contraa-regra e afinamento corneano periférico não inflamatório e não ulcerativo, separado do limbo corneoescleral, sendo maior no olho esquerdo.Na topografia de córnea evidenciou-se um aumento da curvatura na periferia inferior e um aplanamento do eixo vertical.A partir desse relato, o diagnóstico específico mais provável é
  1. Aceratoglobo.
  2. Bdegeneração marginal de Terrien.
  3. Cúlcera de Mooren.
  4. Dceratocone.
  5. Edegeneração marginal pelúcida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — degeneração marginal pelúcida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ectasias corneanas: degeneração marginal pelúcida e seus diagnósticos diferenciais

Gabarito: letra E. O quadro descrito — afinamento corneano periférico inferior, não inflamatório, separado do limbo, com astigmatismo irregular contra a regra e protrusão inferior na topografia — é a apresentação clássica da degeneração marginal pelúcida (DMP). A localização periférica inferior, a faixa de córnea normal entre o afinamento e o limbo e a ausência de inflamação são os achados que a distinguem das demais ectasias e degenerações corneanas listadas.

A degeneração marginal pelúcida é uma ectasia corneana de causa desconhecida, caracterizada por um afinamento estromal na periferia inferior da córnea, tipicamente entre 7 e 8 horas (ou 4 e 5 horas), separado do limbo por uma faixa de córnea normal. Diferentemente do ceratocone, que afeta a região central ou paracentral, a DMP acomete a periferia, poupando o centro. O afinamento leva a uma protrusão da córnea acima da área afetada, gerando um astigmatismo irregular contra a regra, frequentemente alto e de difícil correção com óculos. A doença é bilateral, mas frequentemente assimétrica, como no caso do paciente, que refere piora maior no olho esquerdo. A ausência de inflamação, ulceração e neovascularização é um dado crucial que afasta diagnósticos como a úlcera de Mooren e a degeneração marginal de Terrien.

Na topografia de córnea, o padrão típico da DMP é o aumento da curvatura na periferia inferior (inferior steepening) com aplanamento do eixo vertical, exatamente o que foi descrito no enunciado. Esse padrão topográfico é tão característico que, na prática clínica, muitas vezes é o exame que confirma a suspeita diagnóstica. O tratamento da DMP geralmente envolve o uso de lentes de contato rígidas gás-permeáveis ou esclera para melhorar a acuidade visual, e nos casos avançados, o transplante de córnea (ceratoplastia penetrante ou lamellar) pode ser necessário — o que explica a "indicação para um transplante de córnea" mencionada pelo paciente.

Para diferenciar a DMP das outras condições listadas, é essencial conhecer as características de cada uma:

Característica

Degeneração marginal pelúcida

Ceratocone

Degeneração marginal de Terrien

Ceratoglobo

Úlcera de Mooren

Localização do afinamento

Periferia inferior (7-8h)

Central/paracentral

Periferia superior (geralmente)

Córnea inteira, difusa

Periferia, com ulceração

Inflamação

Ausente

Ausente

Pode ter episclerite

Ausente

Intensa

Ulceração

Ausente

Ausente

Pode ter ulceração

Ausente

Presente

Neovascularização

Ausente

Ausente

Frequente

Ausente

Presente

Protrusão

Acima do afinamento

Apex central

Não característica

Globo aumentado

Não característica

Idade de início

20-40 anos

Adolescência

>40 anos

Congênita

Adultos

Progressão

Lenta

Variável

Lenta

Estável

Rápida

A pegadinha central desta questão é a troca entre degeneração marginal pelúcida e ceratocone. Ambos são ectasias corneanas com astigmatismo irregular, mas a localização do afinamento é o divisor de águas: central no ceratocone, periférico inferior na DMP. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo o ceratocone como alternativa. Além disso, a degeneração marginal de Terrien, que também é periférica, costuma ser superior, inflamatória e com neovascularização — características ausentes no caso. A úlcera de Mooren é uma condição inflamatória e ulcerativa, e o ceratoglobo é uma alteração congênita difusa. Guarde a tríade: afinamento periférico inferior + separado do limbo + sem inflamação = degeneração marginal pelúcida.

Ectasias corneanas
  • 1Afinamento central
    • Ceratocone
  • 2Afinamento periférico
    • Degeneração marginal pelúcida
      • inferior, sem inflamação
    • Degeneração marginal de Terrien
      • superior, com neovascularização
    • Úlcera de Mooren
      • inflamatória e ulcerativa
  • 3Difusa
    • Ceratoglobo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O ceratoglobo é uma condição congênita rara em que toda a córnea é fina e protrusa, com aumento do diâmetro corneano (megacórnea). Não há afinamento localizado periférico, nem padrão topográfico de aumento de curvatura inferior. O paciente de 55 anos com início aos 50 anos e achados localizados não se encaixa nessa doença, que é estática e presente desde o nascimento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A degeneração marginal de Terrien é uma degeneração periférica, mas geralmente superior, frequentemente bilateral, com afinamento que pode ser ulcerativo e inflamatório, e com neovascularização característica. O enunciado descreve afinamento periférico inferior, não inflamatório e não ulcerativo, o que afasta essa hipótese. Além disso, a Terrien costuma cursar com astigmatismo contra a regra, mas a localização e a presença de inflamação/neovascularização são os pontos-chave de diferenciação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A úlcera de Mooren é uma úlcera corneana periférica inflamatória, dolorosa e progressiva, associada a doenças autoimunes ou infecções. O enunciado é explícito ao afirmar que o afinamento é não inflamatório e não ulcerativo, o que exclui completamente a úlcera de Mooren. A ausência de dor, vermelhidão e ulceração é incompatível com esse diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O ceratocone é a ectasia corneana mais comum, caracterizada por afinamento e protrusão central ou paracentral da córnea, com ápice geralmente inferior. No entanto, o enunciado descreve afinamento periférico e separado do limbo, o que é típico da degeneração marginal pelúcida, não do ceratocone. Embora ambos cursem com astigmatismo irregular, a localização do afinamento é o critério que separa as duas entidades. A topografia do ceratocone mostra um aumento de curvatura central/inferior, mas não o padrão de aplanamento vertical com afinamento periférico descrito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A degeneração marginal pelúcida é a ectasia corneana que se apresenta com afinamento periférico inferior, separado do limbo por uma faixa de córnea normal, não inflamatório e não ulcerativo. O astigmatismo irregular contra a regra e o padrão topográfico de aumento de curvatura inferior com aplanamento vertical são altamente sugestivos. A idade de início (50 anos) e a progressão lenta também são compatíveis. O diagnóstico é clínico e topográfico, e o tratamento pode incluir lentes de contato especiais ou transplante de córnea em casos avançados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a degeneração marginal pelúcida pelo ceratocone, explorando a associação automática entre astigmatismo irregular e ceratocone. A chave é a localização do afinamento: central no ceratocone, periférico inferior na DMP. Além disso, a degeneração marginal de Terrien é a outra armadilha, mas ela é superior, inflamatória e com neovascularização — tudo o que o caso não tem. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

Gabarito: letra E

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